O super-homem de Nietzsche – Filosofia Enem

Estude Nietzche para gabaritar as questões de Filosofia do Enem!

Quando falamos em super-homem logo nos vêm à memória o personagem do desenho animado. Mas, para Nietzsche, o super-homem é a superação do homem atual.

super-homem de Nietzsche

Vamos compreender este tema e ficar por dentro dos conteúdos de filosofia do Enem?

Para entender o conceito de super-homem em Nietzsche precisamos fazer um breve resumo da transvaloração a partir da genealogia da moral.

Nietzsche fez um estudo a respeito do conceito de bom e mau. Neste estudo ele descobre que está ligada a divisão de classes, na língua alemã o bom está ligado à classe dominante e mau a classe plebeia, já na língua latina está ligada a raça, o mau a cor negra e, bom à cor branca. Por isso, ele propõe uma transvaloração desses valores, ou seja, não refutá-los, mas reinterpretá-los, já que os valores são frutos de um processo histórico.

Dica 1: Saiba tudo sobre a genealogia de Nietzsche acessando esse link:

A genealogia de Nietzsche – Filosofia Enem

A partir deste entendimento, a compreensão do super-homem fica mais fácil. A transvaloração não é a negação dos valores postos até então, mas a reformulação da sua interpretação. Ou seja, já que somos nós mesmo que atribuímos o caráter de valor a estas palavras, nós podemos, entretanto, dar um novo significado a elas sem abandoná-las.

Isso acontece com o conceito de super-homem também. Não é a criação de uma nova forma de homem, mas é deixar a atual forma para trás, dar uma nova concepção e um novo conceito ao homem, isto é, um ser humano melhorado, evoluído.

Este novo homem na concepção de Nietzsche, é aquele que cria seus próprios valores afirmativos de vida, que não é condicionado pelos valores sociais de uma época. Seria um homem que teria a coragem de lidar a cada segundo da sua vida com o conflito de sua escolha sem colocar a culpa em outra pessoa, ou no destino ou ainda, em Deus.

Dica 2: Quer conhecer um pouco mais do pensamento de Nietzsche e um resumo de sua biografia? Então acesse esse link e aprofunde seus estudos para o Enem:

Nietzsche e o critério da vida – Filosofia Enem

Cabe ressaltar que esta critica nietzschiana é feita a partir do homem ocidental. Segundo ele, o ocidente está impregnado de negação à vida e a sua exuberância.

Retomando aos personagens mitológicos, Nietzsche toma como ponto de partida dos deuses Apolo e Dionísio. Ambos são filhos de Zeus. Apolo é o deus da razão e o racional, enquanto que Dionísio é o deus da loucura e do caos.

Os gregos não consideravam os dois deuses como opostos ou rivais, embora, muitas vezes, as duas divindades foram entrelaçadas por natureza. O Apolíneo é o lado da razão e do raciocínio lógico. Por outro lado, o Dionisíaco é o lado do caos e apela para as emoções e instintos.

Essas duas dimensões complementam o homem, e Nietzsche aponta para o erro dos valores da sociedade ocidental, que tentam controlar estas funções com o excesso de racionalização e imposição de representações religiosas, ideias partidárias e esquemas econômicos. Para Nietzsche, o homem deve ser livre para criar suas próprias representações e não mais adotar as representações limitantes impostas por esses esquemas.

Aquele que consegue ser livre e viver sua vida de acordo com suas próprias representações, criadas por sua vontade, estaria além do bem e do mal e seria um novo homem dentro de uma nova realidade.

Resumo

O conceito de super-homem de Nietzsche consiste na reformulação do conceito dos valores que há muito tempo foi imposto pelas culturas religiosas judaicas e cristãs, que fizeram o homem viver reprimido, com medo e submisso a vontade de Deus. Com a morte desse Deus que reprimi e uma transvaloração dos valores, o homem passa a ser senhor de si e livre passa fazer sua escolhas e responsável pelas consequências da mesma.

Aprofunde sua revisão deste conteúdo assistindo um vídeo que selecionamos para você:

Chegou a sua vez. Resolva essas questões de vestibulares e se prepare para o Enem:

1. (Ufsj 2012) Nietzsche identificou os deuses gregos Apolo e Dionísio, respectivamente, como

a) complexidade e ingenuidade: extremos de um mesmo segmento moral, no qual se inserem as paixões humanas.
b) movimento e niilismo: polos de tensão na existência humana.
c) alteridade e virtu: expressões dinâmicas de intervenção e subversão de toda moral humana.
d) razão e desordem: dimensões complementares da realidade.

2. (UFFS – FEPESE – 2010) No pensamento de Nietzsche, pode-se encontrar grande quantidade de considerações a respeito dos valores.

Assinale a alternativa que não está de acordo com a filosofia de Nietzsche sobre os valores.

a) A perda da fé em Deus conduz à desvalorização de todos os valores.
b) É preciso reconhecer que, pelos seus próprios critérios, nossa moral é imoral.
c) Deve-se criar novos valores por meio da vontade de potência.
d) A moral deve expressar as condições de vida e de desenvolvimento de um povo.
e) Não existe papel para a razão na compreensão dos valores.

3. (UFFS – FEPESE – 2010) As alternativas a seguir apresentam e descrevem conceitos encontrados na filosofia de Nietzsche, exceto:

a) A vontade de potência: motivo básico da ação do homem, a vontade de viver e dominar.
b) O super-homem: indivíduo que é capaz de superar-se e possui um valor em si.
c) O eterno retorno: recorrência permanente dos mesmos eventos.
d) O ideal dionisíaco: conciliação do saber apolíneo e do saber dionisíaco.
e) A moral dos escravos: ressentimento dos que não podem realmente agir e são compensados com uma vingança imaginária.

4. (UFFS – FEPESE – 2010) Para lidar com o tratamento dos valores no pensamento de Nietzsche, o conceito da “morte de Deus” é essencial.

Assinale a alternativa que reflete esse conceito.

a) A morte de Deus desvaloriza o mundo.
b) A morte de Deus gera necessariamente o super-homem.
c) A morte de Deus implica a perda das sanções sobrenaturais dos valores.
d) A morte de Deus exige o retorno a Apolo e a Dionísio.
e) A morte de Deus impossibilita a superação dos valores hoje aceitos.

Respostas:

1: d; 2: e; 3: b; 4: c

Post escrito por Gilson Luiz Corrêa. Gilson é bacharel em Filosofia pela UNISUL, possui Licenciatura em Filosofia pela UFSC e em Psicopedagogia pela FMP. É professor do Colégio Catarinense. Facebook: https://www.facebook.com/gilsonluiz.correa