Análise do Período Simples e do Período Composto – Português Enem

Fique ligado nesse post para manter o foco em gabaritar português no Enem. Confira as dicas sobre a estrutura sintática completa: sujeito (explícito ou implícito) + predicado (explícito ou implícito)! Vamos aprender sobre período composto e como analisá-lo!

O período composto é conhecido assim porque é formado por mais de uma oração. Dependendo de como as orações se relacionam, ele podem ser tantas orações em um período quanto for o número de verbos ou de locuções verbais.

No período composto, as orações mantêm algum tipo de relação. No caso da coordenação, as orações estão simplesmente uma ao lado da outra (coordenadas), com uma estrutura sintática completa, de modo que uma oração não depende da outra.período compostoQuando falamos que uma oração tem estrutura sintática completa estamos dizendo que ela tem sujeito (explícito ou implícito) + predicado (explícito ou implícito).

Nas orações sem sujeito, só vai haver predicado, é claro. (Predicado = é tudo o que se declara na oração referindo-se ao sujeito (quando há sujeito)).Mas, afinal, o que é período? Segundo o professor Fernando Pestana, o período é:

  • uma frase que possui uma ou mais orações;
  • começa com letra maiúscula;
  • apresenta um verbo (ou locução verbal); e,
  • termina em ponto, ponto de interrogação, ponto de exclamação ou reticências.

Há dois tipos de período, o Simples e o Composto

• Período Simples:

constituído de uma oração, logo todo período simples é uma oração absoluta.

Exemplos:
– Estudo hoje com apenas uma gramática .
– Muitos professores do curso continuam escrevendo artigos para seus alunos!
– Seria esta a resposta certa?

• Período Composto:

é constituído de mais de uma oração; pode ser formado por coordenação, subordinação ou coordenação e subordinação (período misto). Alguns outros mecanismos linguísticos ajudam a ligar essas orações: são as conjunções, os pronomes relativos e certas preposições

Exemplos:.
– Os resultados foram ótimos, por isso ficamos satisfeitos. (duas orações/ coordenação)
– Pedi que todos viessem preparados. (duas orações/subordinação)
– Para salvar a economia, é preciso planejamento. (duas orações/subordinação)
– A mão que balança o berço é a mão que mata. (três orações/subordinação)
– Sei que eles passaram e que se estabeleceram na profissão. (três orações/coordenação e subordinação)

Tipos de período composto:

1 – Composto por coordenação: é formado exclusivamente por orações coordenadas.

Ex.: “No outro dia tomei o trem, ferrei no sono, e acordei às dez horas na estação central”. (Graciliano Ramos). (orações marcadas pelos verbos tomei, ferrei e acordei).

Cheguei cedo ao teatro, mas não arranjei um bom lugar. (orações marcadas pelos verbos cheguei e arranjei).

2 – Composto por subordinação: é formado de oração principal e oração subordinada.

Ex.: “Um relance de olhos revelou-me (oração principal), que sua fisionomia não era estranha” (oração subordinada). (Cyro dos Anjos)

Não conheço a pessoa (oração principal) que Luciana estava procurando (oração subordinada), quando chegou à cidade. (oração subordinada).

3 – Composto por coordenação e subordinação – trata-se de um tipo de período misto no qual coexistem os dois processos sintáticos de relacionar orações (a coordenação e a subordinação). É formado de oração principal, orações subordinadas e orações coordenadas.

Exemplo 1: O síndico convocou uma reunião a fim de que o problema fosse resolvido, mas ninguém compareceu.

Oração principal: O síndico convocou uma reunião
Oração subordinada: a fim de que o problema fosse resolvido
Oração coordenada: mas ninguém compareceu

Exemplo 2: Quando ele chegou, retirei-me imediatamente e depois fui para casa.

Oração principal: retirei-me imediatamente
Oração subordinada: Quando ele chegou
Oração coordenada: depois fui para casa
Dica: O segredo para classificar as orações é perceber os conectivos (conjunções e pronomes relativos).

Tipos de período misto:

1) Orações subordinadas substantivas coordenadas entre si:

Ex.: Sabe-se que o homem é inocente e que nunca deveria ter sido colocado em situação vexatória.

Obs: A conjunção “e” pode vir marcada ou também implícita entre as orações.

2) Orações subordinadas adjetivas coordenadas entre si:

Ex.: Certos escritores brasileiros, como Jorge Amado, que escreveu o romance Gabriela, Cravo e Canela e que escreveu o teatro O Amor do Soldado, eram comunistas.

3) Orações subordinadas adverbiais coordenadas entre si:

Ex.: Ainda que a reportagem vá ao ar, ainda que todos os jornais denunciem a lavagem de dinheiro ou ainda que o Papa dê seu testemunho sobre o fato, nada mudará.

Em casos em que houver uma série de orações subordinadas adverbiais coordenadas entre si, a conjunção subordinativa pode se repetir, fragmentar ou se omitir. Ex.: Depois que ela saiu e depois que ela entrou, ninguém mas nada falou.

4) Orações coordenadas com subordinadas no mesmo período:

Ex.: Neste dia – que linda manhã faz! – resolva logo os problemas que mais o aborrecem, que a vida é muito curta.

1ª oração: Neste dia / resolva logos os problemas (oração principal da 3ª)
2ª oração: – que linda manhã faz! – (oração intercalada)
3ª oração: que mais o aborrecem (oração subordinada adjetiva restritiva da 1ª)
4ª oração: que a vida é muito curta (oração coordenada sindética explicativa da 1ª)

Para compreender melhor e saber classificar um período misto é necessário muito treino. Um bom começo é estudar exemplos de orações subordinativas e de orações coordenativas. E sempre fique de olho nos conectivos. Veja esse exemplo do professor Fernando Pestana, retirado da obra A Gramática para os Concursos Públicos”:

Ex.: No setor das comunicações, o monopólio não deixa de ser uma tendência natural, já que, ao contrário do que acontece em outros mercados, uma rede se torna mais valiosa à medida que mais pessoas a utilizam e a divulgam; uma rede que todo mundo usa, como o Facebook, vale muito mais que cem redes com usuários pulverizados. (Luciano Trigo)

1ª Oração: o monopólio não deixa de ser uma tendência natural (oração principal da 2ª).
2ª Oração: já que, ao contrário do…uma rede se torna mais valiosa… (oração subordinada adverbial causal em relação à 1ª e principal em relação à 3ª e à 4ª).
3ª Oração: que acontece em outros mercados… (oração subordinada adjetiva restritiva da 2ª)
4ª Oração: à medida que mais pessoas a utilizam… (oração subordinada adverbial proporcional da 2ª)
5ª Oração: e a divulgam… (oração subordinada adverbial proporcional em relação à 2ª; a 4ª e a 5ª estão coordenadas entre si).
6ª Oração: …uma rede….vale muito mais (oração coordenada assindética em relação à 2ª e principal em relação à 7 e à 8ª)
7ª Oração: …que todo mundo usa… (oração subordinada adjetiva restritiva da 6ª)
8ª Oração: …que (valem) cem redes com usuários pulverizados. (oração subordinada adverbial comparativa da 6ª).

Quer ficar mais dentro do assunto confira essas videoaulas:

Vamos praticar?

1 – (FAB – EAGS – Sargento – 2012) Considerando-se a relação de sentido estabelecida entre as orações do período composto por coordenação, em qual alternativa não se pode utilizar a conjunção pois?

a) Invadiram meu quarto, pois as minhas roupas desapareceram.
b) Não conte seus segredos para essa mulher, pois ela não é uma pessoa confiável.
c) A festa foi planejada durante seis meses; não haverá, pois, surpresas desagradáveis.
d) A festa foi planejada durante seis meses, pois não haverá surpresas desagradáveis.

2- (SOLER – Pref. Macaubal/SP – Assistente Administrativo de Trânsito – 2012) Em “No outro dia tomei o trem, ferrei no sono e acordei às dez horas na estação central” (Graciliano Ramos), temos:

a) período simples;
b) período composto por subordinação;
c) período composto por coordenação;
d) período composto por coordenação e subordinação.

3 – (ENEM-2001)

O mundo é grande
O mundo é grande e cabe
Nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
Na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
No breve espaço de beijar.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983.

Neste poema, o poeta realizou uma opção estilística: a reiteração de determinadas construções e expressões lingüísticas, como o uso da mesma conjunção para estabelecer a relação entre as frases. Essa conjunção estabelece, entre as idéias relacionadas, um sentido de

a) oposição.
b) comparação.
c) conclusão.
d) alternância.
e) finalidade

4 – (ENEM-2004)

Cidade grande
Que beleza, Montes Claros.
Como cresceu Montes Claros.
Quanta indústria em Montes Claros.
Montes Claros cresceu tanto,
ficou urbe tão notória,
prima-rica do Rio de Janeiro,
que já tem cinco favelas
por enquanto, e mais promete.

(Carlos Drummond de Andrade)

No trecho “Montes Claros cresceu tanto,/ (…),/ que já tem cinco favelas”, a palavra que contribui para estabelecer uma relação de conseqüência. Dos seguintes versos, todos de Carlos Drummond de Andrade, apresentam esse mesmo tipo de relação:

a) “Meu Deus, por que me abandonaste / se sabias que eu
não era Deus / se sabias que eu era fraco.”
b) “No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu / a
ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu /
chamava para o café.”
c) “Teus ombros suportam o mundo / e ele não pesa mais
que a mão de uma criança.”
d) “A ausência é um estar em mim. / E sinto-a, branca, tão
pegada, aconchegada nos meus braços, / que rio e danço e
invento exclamações alegres.”
e) “Penetra surdamente no reino das palavras. / Lá estão
os poemas que esperam ser escritos.

Gabarito:

1 – Alternativa D.

2 – Alternativa C.

3 – Alternativa: A. Esta questão apresenta, para leitura e análise, o poema “O mundo é grande”, onde os recursos lingüísticos expressivos utilizados geram um efeito de oposição entre as idéias. A análise sintático-semântica é necessária para a compreensão do valor de oposição assumido pela conjunção “e”: imagens justapostas estão relacionadas, contrapondo-se em planos diferentes. Um percentual significativo (46%) de participantes considerou que o valor da conjunção “e”, nesse poema, é de comparação, o que não reflete o sentido estilístico proposto pelo poeta, mas corresponde apenas à primeira operação que se realiza para estabelecer o sentido de oposição. De maneira análoga, pode-se analisar os equívocos daqueles que optaram pelas alternativas C e D.

4 – Alternativa D

Os textos e exemplos acima foram preparados pela professora Su, com base em manuais gramaticais. A maioria dos exemplos são do Livro “A Gramática para Concursos Públicos”, do professor Fernando Pestana. A professora é Licenciada Plena em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Pará (UFPA).