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Política – Aula de revisão para Filosofia Enem

Aproveite a época das eleições e revise sobre Política para garantir a sua nota na prova de Filosofia Enem. O Exame Nacional do Ensino Médio está chegando!

Em nossas próximas aulas, nos concentraremos nos principais temas da filosofia e da sociologia. Na primeira parte, dedicaremos o nosso estudo à Filosofia e abordaremos de forma mais incisiva a Política e seus principais autores.

Logo em seguida trataremos de estudar os principais teóricos que estudaram a ética e consequentemente a moral. Na segunda parte nós iremos nos debruçar sobre a Sociologia e os seus principais temas.

Estudaremos: a cultura, o indivíduo e a sociedade, as relações de trabalho, o poder do Estado e as relações de poder na sociedade, a cidadania, os direitos humanos e os movimentos sociais.

Sendo assim, bom estudo!

Prof. Carlos Eduardo Bastos

Política

Até aqui já estudamos o início da filosofia, passamos pelo estudo da produção do conhecimento e agora vamos focar os nossos estudos na “política” a partir de pensadores do Renascimento e Iluminismo. Devemos lembrá-los que já estudamos alguma coisa sobre “política” com os filósofos clássicos da Grécia Antiga: Sócrates, Platão e Aristóteles.

Na verdade não vamos estudar “política”, mas teoria política, um pouquinho dela. Vamos tentar entender como estas teorias foram pensadas e como elas influenciam ainda hoje o nosso modo de pensar, ver e fazer política.

A grosso modo pode-se dizer que política é a disputa pelo poder. Sim, disputa pelo poder, afinal fazemos política o tempo todo. Onde? Simples: quando tentamos convencer nossos pais a nos deixar dormir na casa do amigo(a); Quando o seu pai, no trânsito, procura uma vaga para estacionar o carro, acha e um espertinho coloca o carro antes dele. Enfim fazemos política porque nos relacionamos com outras pessoas e de algum modo exercemos influência e também somos influenciados o tempo todo por alguém ou algum grupo de interesse.

Dica 1 – Relembre sobre Francis Bacon, John Locke e David Hume nesta aula de revisão sobre Empirismo para a prova de Filosofia Enem – https://blogdoenem.com.br/empirismo-filosofia-enem/

Lembre-se do que falava Aristóteles: “o homem é uma animal político” e é na vida pública, não necessariamente vivendo como um político, mas vivendo em comunidade e em contato direto com outras pessoas que nos aperfeiçoamos e aprendemos. Vejamos agora o que os pensadores do Renascimento e do Iluminismo têm a nos ensinar.

Nicolau Maquiavel

(1469-1527 Fim da Idade Média e início do Renascimento)

Filosofia Enem

Maquiavel é considerado o primeiro Cientista Político da Modernidade. Basicamente ele discordava da forma como a filosofia política era abordada, de forma especulativa pela tradição grega antiga e principalmente pelo viés aristotélico. Nesta concepção aristotélica a política era tomada como uma ciência que, se bem aplicada, promoveria nos homens a possibilidade de educá-los de modo que estes atingiriam a virtude, que, neste sentido, significaria a capacidade de fazer escolhas corretas.

Com Maquiavel surge a expressão: “política pela política” que significa nada mais, nada menos do que ver a política como ela é e não idealizá-la como fizeram os gregos antigos. Maquiavel estava inspirado pela efervescência do Renascimento, principalmente em observar as mudanças que a corrente empirista promovia na ciência. Deste modo Maquiavel se propôs a estudar a sociedade observando fatos empíricos, mais especificamente o modo como os políticos conduziam a política e os reflexos que esta produziria na sociedade de sua época.

Para tentar entender o processo político, Maquiavel empreende uma pesquisa com base na filosofia história e na psicologia humana. Entender a história é importante para entendermos como as coisas se desenvolvem. Neste aspecto Maquiavel não vê a história como uma ideia cristã de como o mundo deveria ser, mas como um desenvolvimento que obedece a ordens divinas. Quanto à psicologia humana, o filósofo vê os homens como seres ambiciosos e egoístas. Estas características, para Maquiavel, podem levá-los à prática da maldade, porém, dependendo sempre das circunstâncias nas quais os homens estariam inseridos. As leis, neste sentido, ajudariam no controle social das atitudes errôneas da humanidade. Assim entender a história e a psicologia não seria uma tarefa teórica, mas, antes de tudo, prática e que, se bem compreendida, levaria à elaboração de um manual para a “Arte da Guerra”.

Maquiavel expôs estas ideias no livro “O príncipe”; o príncipe em questão são os governantes. Pensar deste modo fez com que Maquiavel separasse a política da ética, mostrando para a sociedade a luta pelo poder que a política promove nos membros que governam uma sociedade. O filósofo quebrou assim com a ideia de que todo governante quer o bem do povo. Revelou ainda que muitos governantes não fazem a separação entre público (o que é de todos) e o privado (o que é particular) e que alguns se apropriam dos bens públicos para adquirirem força e poder diante de seus adversários.

Dica 2 – Revise sobre Descartes nesta aula de Filosofia Enem e relembre como o filósofo transformou a forma de Pensar do Homem moderno – https://blogdoenem.com.br/descartes-e-duvida-filosofia-enem/

Sem expor qualquer ideia do que seja um bom ou mau governo, Maquiavel entendeu que, para um governante ter sucesso, este, não precisaria ser bom, bastaria apenas saber governar. Isto nos leva à ideia de que não importa como conseguimos o poder (se por hereditariedade, por corrupção, Golpe de Estado, etc.), mas de como mantemos o poder uma vez conquistado, pois a finalidade de todo governante é ter e manter o poder.

Maquiavel pensa assim porque vê na sociedade um ambiente de conflito entre as classes existentes, ou seja, a sociedade como um campo de forças onde uma classe quer impor sobre a outra a sua vontade, neste sentido exercer poder. Cabe antão ao governante mediar estes conflitos, buscando a paz e a felicidade entre as classes sociais existentes. A ideia aqui pode ser a institucionalização de uma demanda, fazendo com que cada classe crie uma representação política para reivindicar os seus interesses. Atualmente vemos isso na figura dos partidos políticos.

Maquiavel explica isso usando conceitos de virtù. A virtù para o príncipe é entendida como uma habilidade natural e não tem nenhuma relação com a virtude cristã, segundo a qual o homem deve ser justo, honesto, humilde e temente a Deus. A virtù pressupõe mérito, ou seja, sua habilidade em mediar os conflitos existentes, não precisando o príncipe ter caráter para governar.

O conceito de virtù é utilizado junto com o conceito de “fortuna” para mostrar quão habilidoso é um governante. A fortuna aqui é compreendida não como riqueza material, mas como algo que o governante tem em suas mãos e que pode ser bom ou ruim, por exemplo: quando um governante assume o poder, ele geralmente herda do seu antecessor coisas boas e ruins. Estas coisas boas ou ruins é o que Maquiavel chama de fortuna. Uma coisa boa pode ser a estabilidade econômica; uma coisa “ruim”, dar conta de ter que fazer a reforma agrária. Assim, Maquiavel revolucionou o modo de pensar e estudar a política.

Thomas Morus

(1478-1535 Fim da Idade Média e início do Renascimento)

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Thomas Morus ou Thomas More não é o que se pode dizer de um filósofo nato como os que já estudamos. Fez carreira como advogado e assumiu cargos públicos em sua época. É classificado na história como um dos grandes humanistas ao lado de Erasmo de Rotterdam. Sua grande contribuição para o Renascimento foi escrever uma obra literária que influenciou o mundo e a política e é conhecida como “Utopia”. A ilha seria governada por um príncipe. O povo deveria votar em quatro cidadãos que representariam o povo. Caberia a estes quatro cidadãos eleger o príncipe que governaria a ilha de Utopia.

Pode-se dizer que Morus viveu a política de sua época intensamente; seguiu a linha do pensamento humanista (gregos clássicos); fez inúmeras críticas ao sistema político (inglês e europeu) de sua época. Este humanista, ao criticar a política de seu tempo, materializou seus pensamentos, apresentando para a sociedade os males e os vícios da política. De forma criativa, a obra “Utopia”, que significa: “em lugar nenhum”, expressa o seu o descontentamento com a organização da sociedade.

No livro, Morus cria uma ilha imaginária descrita em sua obra. Esta obra não pode ser considerada como um programa social a ser realizado. Porém, apresenta princípios que apontam para uma função normativa do pensamento do autor.

Dica 3 – O Exame Nacional do Ensino Médio está chegando! Revise sobre as principais características do Helenismo nesta aula preparatória para prova de Filosofia Enem – https://blogdoenem.com.br/helenismo-filosofia-enem/

Sua obra apresenta duas bases do pensamento grego clássico: Platão (A República) e Epicuro (epicurismo). De Platão, Morus herdou a ideia de propriedade privada na qual Platão entendia que as cercas, ou seja, a propriedade privada separava os homens e não os unia; de Epicuro, Morus traz a interpretação da virtude na qual leva a entender que só é feliz o homem que preza pelo trato do conhecimento, ou seja, só é feliz o homem que busca através do aprimoramento intelectual, da razão e dos prazeres comedidos do corpo sua felicidade. Não devemos assim renegar os prazeres terrenos em nome de uma vida após a morte da qual não temos a certeza de sua existência. Pois isto não seria racional.

O trabalho na Ilha de Utopia não passaria de seis horas diárias. Seus moradores, ou seja, cidadãos seriam pessoas que prezam o pacifismo (a não violência); que possuem hábitos que lhes proporcionam prazeres sadios; são tolerantes quanto às diferenças; admitem cultos diferentes para sistemas de crenças religiosas distintos para diferentes deuses, resumindo, aceitam a diversidade.

Francis Bacon

(1561-1626 Fim da Idade Média e início do Renascimento)

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Nas aulas anteriores aprendemos como Francis Bacon percebe o conhecimento através da empiria. Agora vamos ver como isso influenciou a sua postura quanto à organização social e política na Inglaterra.

Em sua obra intitulada “Nova Atlântida”, o pensador descreve, utopicamente, uma ilha. Defende um Estado centralizado, no qual o Poder Legislativo não teria força. Deste modo Bacon vê a felicidade como um bem geral, fruto da organização do Estado com base na ciência, atingindo assim a perfeição econômica e social, resultando no bem-estar geral da população.

Em sua obra, haveria uma instituição responsável pelo sucesso da ilha; ela se chama: a “Casa de Salomão”. Nesta casa haveria um grupo de sábios que pensariam uma organização justa das estruturas econômicas e sociais da ilha. Porém, este autocontrole e esta autossuficiência da ilha só seriam possíveis, porque lá, na ilha, os homens através da ciência já teriam dominado a natureza. Assim, dominar a técnica e a ciência significaria, para Bacon, a orientação correta dos cidadãos para conquistar a felicidade.

Deste modo, o mais importante no Estado baconiano seria o domínio humano sobre a natureza, de modo que o foco seria buscar pelas mãos humanas a melhor estratégia para se produzir conhecimento através da ciência para resolver os problemas econômicos e sociais.

A Casa de Salomão centralizaria assim todo o Governo, estando as demais instituições da sociedade, como hospital, usina de energia e centro agrícola, vinculadas a ela.

Saiba mais sobre Política nesta aula do canal PENSI, disponível no Youtube. Após assistir, revise o que você aprendeu respondendo aos nossos desafios!

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=rlUzOuO8ONA]

Desafios

Questão 1

IFRN – Rio Grande do Norte – 2009

Nicolau Maquiavel foi diferente dos teólogos medievais e de seus contemporâneos ao fundamentar as suas teorias políticas porque partiu

a) Da Bíblia para fundamentar as suas teorias políticas.

b) Do direito romano para a construção do seu pensamento político.

c) Porque partiu das obras dos filósofos grecorromanos para construir a sua teoria política.

d) Da experiência real do seu tempo para fundamentar o seu pensamento político.

Questão 2

Rio Grande do Norte – 2009

Segundo O príncipe, de Maquiavel, toda cidade está dividida em dois desejos opostos:

a) O desejo dos grandes de oprimir e comandar e o desejo do povo de não ser oprimido nem comandado.

b) O desejo do povo de ser bem guiado e o desejo dos grandes em ser um bom pastor para o povo.

c) O desejo do povo por um herói que os salve e a falta de vontade dos grandes em serem heróis do povo.

d) O desejo dos grandes em oprimir e comandar e o desejo do povo em participar um dia dessa opressão.

Questão 3

UFMA 2009.

“Embora esses dogmas pertençam à religião, os utopianos pensam que a razão pode induzir, por si mesma, a crer neles e aceitá-los. Não hesitam em declarar que, na ausência desses princípios, fora preciso ser estúpido para não procurar o prazer por todos os meios possíveis, criminosos ou legítimos. A virtude consistiria, então, em escolher, entre duas volúpias, a mais deliciosa, a mais picante; e em fugir dos prazeres que se seguissem dores mais vivas do que o gozo que tivessem proporcionado”

(MORE, Thomas. A utopia. Trad. Luís de Andrade, São Paulo: Nova Cultural, 1988. Col. Os Pensadores)

A questão sobre a natureza da felicidade humana e a possibilidade de sua realização é uma das principais questões estudadas pela filosofia grega antiga, sendo discutida no interior de uma ética e relacionada a noções de virtude e de justiça. Sabe-se que uma das características principais do humanismo, presente no pensamento renascentista, é justamente a releitura dos filósofos antigos, buscando integrá-los à concepção cristã de vida. A concepção ética do povo utopiano, descrita na obra A utopia, de Thomas More pode ser considerada, em suas linhas gerais, uma revalorização de que corrente filosófica grega?

a) Dos sofistas, na medida em que defendem que a felicidade consiste em obter o máximo de prazer possível, especialmente os que nos advém das honras, do sucesso e das riquezas materiais.

b) Do platonismo, na medida em que separa os prazeres em duas classes: os relacionados ao corpo e os relacionados à alma, e que a felicidade estaria no gozo dos prazeres relacionados à alma, devendo-se desprezar os prazeres do corpo.

c) Do estoicismo, na medida em que defende que a felicidade consiste na tranqüilidade ou ausência de perturbação, alcançada através do autocontrole, da contenção e da austeridade, desprezando-se todo tipo de prazer.

d) Do aristotelismo, na medida em que defende que a felicidade é uma “virtude da alma segundo a virtude perfeita” e que essa virtude consistiria em uma espécie de mediania, de meio termo entre dois extremos.

e) Do epicurismo, na medida em que defende que a felicidade consiste no gozo dos prazeres, mas não de todo e qualquer prazer, apenas os bons e honestos, devendo ser rejeitados os que levam a dores mais intensas do que o gozo que proporcionam.

Questão 4

Fundação Carlos Chagas – 2010

Francis Bacon dizia que Saber é poder e Descartes que A ciência deve tornar-nos senhores da natureza. Essas frases dão testemunho paradigmático de que a ciência moderna

a) É essencialmente teórico-contemplativa.

b) Visa ao despotismo político perante a natureza.

c) Antepõe o voluntarismo à observação objetiva.

d) Tem um caráter explicitamente antiecológico.

e) Busca intervir na natureza para controlá-la.

Questão 5

Fundação Carlos Chagas – 2010

A política se serve das outras ciências práticas e legisla sobre o que é preciso fazer e do que é preciso abster-se; assim sendo, o fim buscado por ela deve englobar os fins de todas as outras, donde se conclui que o fim da política é o bem propriamente humano. Mesmo se houver identidade entre o bem do indivíduo e o da cidade, é manifestamente uma tarefa muito mais importante e mais perfeita conhecer e salvaguardar o bem da cidade, pois o bem não é seguramente amável mesmo para um indivíduo, mas é mais belo e mais divino aplicado a uma nação ou à cidade.

(Aristóteles. Ética a Nicômaco)

Segundo o texto,

a) A ética e a política estão vinculadas, de modo que o bem do indivíduo está subordinado ao Bem Supremo da Pólis.

b) As qualidades das leis e do poder são independentes das qualidades morais dos cidadãos.

c) O bem do indivíduo está acima de tudo na Pólis, pois esta é a finalidade última da política.

d) O Príncipe é aquele que possui virtù política.

e) A cidade justa deve ser governada pelo filósofo.

Você consegue resolver estes exercícios? Então resolva e coloque um comentário no post, logo abaixo, explicando o seu raciocínio e apontando a alternativa correta para cada questão. Quem compartilha a resolução de um exercício ganha em dobro: ensina e aprende ao mesmo tempo. Ensinar é uma das melhores formas de aprender!