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Super El nino: entenda sobre o fenômeno que está atingindo o Brasil

Jaqueline Padilha 27 julho, 2026 Atualizado em 27 julho, 2026 Avaliação:

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Nos últimos meses, cientistas e centros de monitoramento do clima têm alertado para a possibilidade de um Super El Niño. O fenômeno já é um velho conhecido, mas a preocupação agora é que ele...

Super El nino: entenda sobre o fenômeno que está atingindo o Brasil

Nos últimos meses, cientistas e centros de monitoramento do clima têm alertado para a possibilidade de um Super El Niño. O fenômeno já é um velho conhecido, mas a preocupação agora é que ele aconteça com uma intensidade maior do que a observada nos últimos anos. 

Quando o El Niño fica muito forte, seus impactos costumam ser sentidos em diversos países. Chuvas intensas, secas prolongadas, ondas de calor e queimadas podem se tornar mais frequentes, aumentando também o risco de enchentes, deslizamentos, perdas na agricultura e aumento populacional de insetos e animais que dependem do calor para se reproduzir.

Vale lembrar que não é preciso um Super El Niño para que ocorram grandes desastres naturais. As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, por exemplo, aconteceram quando o El Niño já estava indo para o fim de seu ciclo, evidenciando que diversos fatores atmosféricos também influenciam os eventos extremos. 

O que é o El Niño?

O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, especialmente na região central e leste.

Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera em praticamente todo o planeta, modificando o regime de chuvas, as temperaturas e até a intensidade de alguns eventos climáticos.

O fenômeno costuma ocorrer em intervalos de dois a sete anos e pode durar vários meses. Apesar de ser estudado há décadas, os cientistas ainda não conseguem dizer com precisão  que desencadeia os eventos climáticos. 

Entenda sobre o fenômeno 

Veja uma aula completa explicando o El niño e o  La niña:

O que é um Super El Niño?

Quando o aquecimento das águas do Pacífico é muito acima da média — normalmente superior a 2°C — o evento costuma ser classificado como um Super El Niño.

Esses episódios são raros e costumam provocar impactos climáticos muito mais intensos em diferentes regiões do planeta. Embora, pareça pouco os 2ºC, fazem uma enorme diferença no oceano.

Quem monitora o El Niño?

O acompanhamento do fenômeno é feito continuamente por diversos órgãos científicos e partir de diversas formas de monitoramento entre eles:

  • NOAA (Estados Unidos): responsável por um dos principais centros mundiais de monitoramento oceânico e atmosférico;
  • OMM (Organização Meteorológica Mundial): que reúne informações de serviços meteorológicos de diversos países;
  • CPTEC/Inpe: responsável pelo monitoramento climático no Brasil;
  • Inmet, que acompanha as condições meteorológicas brasileiras e emite avisos;
  • Cemaden: responsável pelo monitoramento de áreas de risco para desastres naturais.

Esses órgãos divulgam boletins frequentes sobre a evolução do fenômeno e seus possíveis impactos.

Como o El Nino deve afetar o Brasil?

Os impactos não são iguais em todas as regiões do país. Cada área terá alterações específicas e por isso é complexo definir o tamanho do impacto.

Região Sul

É a região que normalmente registra os maiores volumes de chuva durante episódios de El Niño.

Isso aumenta o risco de:

  • enchentes;
  • alagamentos;
  • deslizamentos;
  • prejuízos na agricultura;
  • danos à infraestrutura.

Sudeste e Centro-Oeste

Nessas regiões costuma haver aumento das temperaturas e redução das chuvas em algumas áreas.

Como consequência, cresce o risco de:

  • queimadas;
  • baixa umidade do ar;
  • estiagens e secas severas;
  • problemas no abastecimento de água;
  • perda de alimentos;

Norte e Nordeste

Em grande parte dessas regiões, o fenômeno costuma reduzir o volume de chuvas.

Isso favorece:

  • secas mais intensas;
  • aumento das temperaturas;
  • maior risco de queimadas;
  • prejuízos para a agricultura e para o abastecimento.

O impacto também pode chegar à saúde

As mudanças no clima também favorecem a proliferação de alguns animais e insetos transmissores de doenças.

No Brasil, um dos maiores alertas costuma ser para o aumento da população do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, chikungunya, zika e febre amarela urbana.

Além disso, aumenta a população de animais como serpentes, escorpiões e outros bichos que necessitam do calor para se reproduzir. Por isso, é imprescindível manter terrenos limpos, e realizar verificações periódicas bueiros, entulhos e materiais de construção.

Em períodos muito secos, também é comum o aumento de problemas respiratórios devido à baixa umidade do ar e à fumaça provocada pelas queimadas.

Não caia em fake news 

Sempre que existe previsão de eventos climáticos extremos, surgem muitas notícias falsas e conteúdos alarmistas nas redes sociais. Estar informado é importante, mas buscar fontes confiáveis faz toda a diferença.

Antes de compartilhar qualquer informação, verifique se ela foi publicada por órgãos oficiais.

Os principais canais são:

  • Defesa cívil do seu município, regionais e estaduais;
  • Inmet  
  • Inpe 
  • Cemaden. 

Contatos de emergência e sistemas de alerta 

Como receber alertas da Defesa Civil

Hoje existem diversos sistemas gratuitos de alerta para situações de risco.

O principal é o Defesa Civil Alerta, que envia mensagens diretamente para a tela do celular em situações de emergência.

Caso ainda não esteja cadastrado, você pode receber os avisos das seguintes formas.

SMS

Envie uma mensagem para o número 40199 contendo apenas o CEP da área que deseja acompanhar.

WhatsApp

Cadastre o número (61) 2034-4611 ou acesse:

https://wa.me/556120344611

Depois envie um “olá” ao robô e siga as instruções.

Telegram

Procure pelo contato Defesa Civil Alertas, envie um “olá” e siga as instruções para cadastrar as áreas de interesse.

Conheça os riscos locais 

Como o El Niño afeta cada região de maneira diferente, entender os riscos locais é uma das formas mais eficientes de prevenção.

Nas áreas sujeitas a chuvas intensas:

  • evite atravessar ruas alagadas;
  • não permaneça em áreas com risco de deslizamento;
  • siga as orientações da Defesa Civil;
  • deixe a residência rapidamente caso seja emitido um alerta de evacuação.

Infelizmente, muitas vítimas desses eventos acabam se colocando em risco ao tentar atravessar enchentes ou permanecer em imóveis condenados.

Se possível, fortaleça a rede de apoio da comunidade. Associações de moradores, vizinhos e lideranças locais podem ajudar na retirada de famílias e animais de áreas de risco.

Já nas regiões mais secas:

  • mantenha boa hidratação;
  • utilize umidificadores ou recipientes com água para aumentar a umidade do ambiente;
  • evite exercícios físicos nos horários mais quentes;
  • reduza a exposição ao sol.

Também é importante evitar queimadas.

Ainda é comum, em algumas regiões, colocar fogo em lixo ou restos de vegetação. Porém, durante períodos de seca, as chamas podem fugir do controle rapidamente e provocar grandes incêndios.

Além das ações individuais, é fundamental cobrar dos governos planos de prevenção, resposta e reconstrução. Muitas famílias perdem tudo durante eventos extremos e precisam de apoio para reconstruir suas vidas.

Além das iniciativas privadas, é muito importante cobrar das autoridades planos emergenciais e também de recuperação de longo e médio prazo, já que é comum famílias perderem tudo nesses eventos e depois não terem suporte algum para reconstruir suas vidas. 

Últimos Super El nino registrados na história?

O El Niño vem sendo monitorado por satélites e equipamentos modernos há poucas décadas, mas registros históricos mostram que episódios muito intensos acontecem há séculos.

Desde 1950, os principais eventos classificados como Super El Niño foram:

  • 1972–1973;
  • 1982–1983;
  • 1997–1998;
  • 2015–2016;
  • 2023–2024.

Reconstruções climáticas também indicam episódios extremamente intensos entre 1877–1878 e 1925–1926. 

Por que chamamos de El nino?

O nome surgiu entre pescadores da costa do Peru e do Equador. Eles perceberam que, próximo ao Natal, as águas do Oceano Pacífico ficavam mais quentes e a pesca diminuía bastante. Como esse aquecimento acontecia próximo ao nascimento de Jesus Cristo, passaram a chamar o fenômeno de El Niño, que significa “o Menino”, em referência ao Menino Jesus.

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o fenômeno não recebeu esse nome por aumentar a quantidade de peixes. Na verdade, o aquecimento reduz a subida de águas frias ricas em nutrientes, diminuindo a pesca em várias regiões.

Estudos feitos com corais, sedimentos marinhos e outros registros paleoclimáticos mostram que o El Niño ocorre naturalmente há milhares de anos, muito antes dos registros históricos.

Jaqueline Padilha

Jornalista formada pela UFSC e Redatora da Rede Enem.

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