Redação Enem: evite o erro da Ambiguidade. Faça bom uso da intertextualidade.

O texto de hoje vai ajudar você a perceber alguns casos de ambiguidade e também como usar a intertextualidade para construir bons textos na Redação do Enem e do Encceja. Cuidado com o uso da paráfrase, da citação, da alusão e da estilização. E, mais ainda se cuide para usar as paródias. Bora lá!

Vocês já perceberam o quanto a Redação e as questões de Português na prova do Enem exigem a interpretação e a compreensão textual? A prova é quase toda interpretativa e a redação exige do candidato que além de interpretar, saiba utilizar a intertextualidade, ou seja, saiba construir um bom texto dissertativo-argumentativo a partir de outros com o mesmo conteúdo, mas com uma nova abordagem.

Na redação também, o candidato deve estar atento para não escrever seu texto de forma truncada. O que isso? Texto que não segue uma linearidade ou muito difícil de compreender, por não concluir as ideias e misturá-las. Hoje vou ajudar vocês a perceber alguns casos de ambiguidade, e também como usar a intertextualidade para construir bons textos.portugues

O que é ambiguidade?

  1. Trata-se da duplicidade de sentidos que pode haver em uma palavra, em uma expressão, em uma frase  ou em um texto inteiro, em razão disso, em razão do contexto linguístico. A ambiguidade pode ocorrer por alguns fatores, que são eles:
  2. Distinção entre adjunto adnominal e complemento nominal. Ex.: A demissão do ministro causou celeuma. (Ele demitiu ou foi demitido? – exemplo retirado da obra Gramática para Concursos  Públicos – Fernando Pestana)
  3. Mau uso do pronome. Ex.: João e Maria vão desquitar-se. (Um do outro ou de seus cônjuges)
  4. Má colocação de palavras. Ex. Os alunos insatisfeitos reclamaram da nota no trabalho. (Os alunos ficaram insatisfeitos naquele momento ou eram insatisfeitos sempre?)
  5. Mau uso de pronomes relativos (dois antecedentes expressos). Ex.  A estudante falou com o garoto que estudava enfermagem. (Quem estuda enfermagem, a estudante ou o garoto?; a estudante de enfermagem falou com o garoto ou a estudante falou com o garoto do curso de enfermagem)
  6. Não distinção entre pronome relativo e conjunção integrante. Ex: O aluno disse ao professor que era carioca.(Quem era carioca, o professor ou o aluno?)
  7. Mau uso das formas verbo-nominais. Ex.: O advogado encontrou o réu entrando no tribunal. (quem entrava no tribunal, o advogadou, o réu ou ambos?).
  8. Mau uso dos possessivos. Ex.: A mãe pediu à filha que arrumasse o seu quarto. (Qual quarto? o da mãe ou da filha? Para evitar ambiguidade: A mãe pediu à filha que arrumasse o próprio quarto.)
  9. Uso incorreto dos adjuntos adverbiais. Ex.: Depois de difícil disputa, São Paulo vence o avaí em casa. (Na casa de quem?)
  10. Uso indevido dos elementos coordenativos. Ex.:Beatriz e Paulo desejam noivar-se. (Fica confuso interpretar se Paulo deseja noivar-se com Beatriz ou se ambos desejam ficar noivos de pessoas distintas.  A melhor forma de escrever seria: Beatriz deseja noivar-se com Pedro,  e Paulo com Cristina.)
  11. Inversão sintática. Venceram os avaianos os figueirenses. (Quem perdeu?)
  12. Polissemia. Ex.: O xadrez nunca sai de moda. (O jogo ou a roupa de tecido xadrez?)
  13. Uso incorreto da locução prepositiva ou preposição seguida de substantivo. Ex.: Fui ao encontro da minha turma. (Fui em direção à turma ou fui a uma reunião na qual se encontravam pessoas da turma)

O que fazer durante a Redação:

Ao escrever um texto dissertativo-argumentativo de forma ambígua, o candidato pode prejudicar a compreensão dos termos; diminuir a pontuação na competência I, ao utilizar de forma errada algumas palavras causando erro de concordância; além de prejudicar toda coesão textual do texto, sendo penalizado na competência IV.

É importante que se leia bastante, busque escrever palavras simples e de fácil compreensão, evite frases muito longas que percam o entendimento no processo de leitura, e que pontuem corretamente os parágrafos, frases e outros interlocutores (citações de autores).

A Intertextualidade 

A intertextualidade como a própria formação da palavra diz tem a ver com a compreensão textual de forma ampla. Segundo o autor Fernando Pestana, trata da “relação de identidade e semelhança entre dois textos em que um cita o outro com referência implícita ou explícita”.

Na prova do Enem, essa intertextualidade está presente nas questões de múltipla escolha que visam a interpretação de textos. Na redação, a intertextualidade vai aparecer na produção textual a partir dos textos motivadores, estes que são dados de exemplos. O candidato constrói um novo texto sem plagiar, trazendo novas abordagens sobre o tema. Você pode testar a sua compreensão desta aula fazendo uma série de exercícios sobre Intertextualidade. Veja na Imagem o acesso para um simulado com 10 questões rápidas sobre Intertextualidade:Simulado Enem de IntertextualidadeOs tipos de intertextualidade que podem ser usados ao seu favor na produção textual são: a paráfrase, a citação, a alusão e a estilização. Nas questões de múltipla escolha do exame você vai encontrar exemplos de intertextualidade também nos casos acima citados e na paródia, no pastiche e no hipertexto.

Outro exemplo de intertextualidade é o plágio, contrário de paráfrase, e o conselho é não usá-lo. A cópia literal dos textos motivadores resulta em anulação na redação.

Três passos para a Redação Enem Nota 1000:

1Como fazer a Introdução da Redação
2Como defender um ponto de vista
3Três técnicas para fazer uma boa Conclusão


Vamos aos casos de intertextualidade:

A paráfrase é uma reescritura em que se ratifica a ideologia, os pensamentos, os dados de um texto original, de forma positiva. Esse tipo de intertextualidade é usada bastante na produção textual. É uma forma de retomar os assuntos já tratados em obras para exemplificar e trazer pontos de vistas. Esse tipo de intertextualidade demonstra o conhecimento literário do candidato ao produzir um texto.

A citação é muito importante na produção da redação, ela demonstra indícios de autoria do candidato e valida informações. É uma frase ou passagem, fala de um autor de obra escrita/literária/musical, reproduzida com indicação de autoria como exemplificação, ilustração, reforço ou desacordo daquilo que se quer explicar. A pontuação dos sinais de dois-pontos e aspas costumam aparecer nas citações para identificar autoria.

A alusão tem a ver com uma referenciação vaga, breve ou indireta que se faz de algum assunto ou pessoa. Relembrar falas de uma obra, época, algo cultural, etc. É necessário que o candidato tenha um bom conhecimento de mundo e o leitor também.

Sugestão de aprofundamento para você: Veja como produzir um (bom) texto dissertativo argumentativo: https://blogdoenem.com.br/redacao-enem-dissertativo-argumentativo/Redação Enem

A estilização é o diálogo com diversas manifestações culturais para dar sentido ao texto. É uma forma de trazer ao texto dissertativo-argumentativo um complemento de uma opinião.   São formas de estilização: a reescritura de uma obra original remetendo aos personagens e a reprodução de uma obra literária para televisão em minisséries ou para o cinema.

Já a Paródia trata-se da intertextualidade em que se distorce as ideias do texto original com objetivo de ironia. Esse tipo de intertextualidade está muito próximo das charges, apesar disso, para a imagem é caracterizada a intertextualidade pastiche, que é o trabalho literário ou artístico na reprodução crítica ou cômica de uma obra.

O plágio, que já expliquei anteriormente que em hipótese alguma pode ser utilizado nas redações do Enem, serve apenas de exemplo caso apareça nas questões da prova a análise de questões sobre plágio e paráfrase. O plágio é a cópia literal de uma obra intelectual ou artística alheia como sendo de própria autoria, sem o uso de aspas para marcar autoridade.

Um outro tipo de intertextualidade que sempre cai no Enem é o Hipertexto. O hipertexto é uma espécie de texto maior, formado por vários outros elementos textuais que permitem a leitura em múltiplas direções. Virtualmente a hipertextualidade é marcada pela inserção de links em uma matéria de jornal online ou em uma publicidade.

Na prova do Enem, esse tipo de intertextualidade vai aparecer para interpretação de questões sobre textos de dicionário, páginas de internet com seus diversos links e notícias.


Curso Enem Gratuito

Quer aumentar suas chances no próximo Exame Nacional do Ensino Médio e mandar bem nas Notas de Corte do Enem? Estude com as apostilas e aulas gratuitas do Curso Enem Online. Todas as matérias do Exame e ainda as Dicas de Redação. Acesse aqui o Curso Enem Gratuito Online.

curso enem gratuito blue fino
Acesse o Curso Enem Gratuito Online

Vamos praticar para o Enem?

1 – (ENEM 2011) – O hipertexto refere-se à escritura eletrônica não sequencial e não linear, que se bifurca e permite ao leitor o  acesso a um número praticamente ilimitado de outros textos a partir de escolhas locais e sucessivas, em tempo real.  Assim, o leitor tem condições de definir interativamente o fluxo de sua leitura a partir de assuntos tratados no  texto sem se prender a uma sequência fixa ou a tópicos estabelecidos por um autor. Trata-se de uma forma de  estruturação textual que faz do leitor simultaneamente coautor do texto final. O hipertexto se caracteriza, pois,  como um processo de escritura/leitura eletrônica multilinearizado, multisequencial e indeterminado, realizado  em um novo espaço de escrita. Assim, ao permitir vários níveis de tratamento de um tema, o hipertexto oferece  a possibilidade de múltiplos graus de profundidade simultaneamente, já que não tem sequência definida, mas  liga textos não necessariamente correlacionados.

MARCUSCHI, L. A. Disponível em: http://www.pucsp.br. Acesso em: 29 jun. 2011.

O computador mudou nossa maneira de ler e escrever, e o hipertexto pode ser considerado como um novo  espaço de escrita e leitura. Definido como um conjunto de blocos autônomos de texto, apresentado em meio  eletrônico computadorizado e no qual há remissões associando entre si diversos elementos, o hipertexto:

a) é uma estratégia que, ao possibilitar caminhos totalmente abertos, desfavorece o leitor, ao confundir os conceitos cristalizados tradicionalmente.

b) é uma forma artificial de produção da escrita, que, ao desviar o foco da leitura, pode ter como consequência o menosprezo pela escrita tradicional.

c) exige do leitor um maior grau de conhecimentos prévios, por isso deve ser evitado pelos estudantes nas suas pesquisas escolares.

d) facilita a pesquisa, pois proporciona uma informação específica, segura e verdadeira, em qualquer site de busca ou blog oferecidos na internet.

e) possibilita ao leitor escolher seu próprio percurso de leitura, sem seguir sequência predeterminada, constituindo-se em atividade mais coletiva e colaborativa.

2 – (Enem/2003) – No ano passado, o governo promoveu uma campanha a fim de reduzir os índices de violência. Noticiando o fato, um jornal publicou a seguinte manchete:

CAMPANHA CONTRA A VIOLÊNCIA DO GOVERNO DO ESTADO ENTRA EM NOVA FASE

A manchete tem um duplo sentido, e isso dificulta o entendimento.

Considerando o objetivo da notícia, esse problema poderia ter sido evitado com a seguinte redação:

A) Campanha contra o governo do Estado e a violência entram em nova fase.

B) A violência do governo do Estado entra em nova fase de Campanha.

C) Campanha contra o governo do Estado entra em nova fase de violência.

D) A violência da campanha do governo do Estado entra em nova fase.

E) Campanha do governo do Estado contra a violência entra em nova fase.

3 – (ENEM/2004) Texto :

Cidade grande

Que beleza, Montes Claros.

Como cresceu Montes Claros.

Quanta indústria em Montes Claros.

Montes Claros cresceu tanto,

ficou urbe tão notória,

prima-rica do Rio de Janeiro,

que já tem cinco favelas

por enquanto, e mais promete.

(Carlos Drummond de Andrade)

Entre os recursos expressivos empregados no texto, destaca-se a

a) metalinguagem, que consiste em fazer a linguagem referir-se à própria linguagem.

b) intertextualidade, na qual o texto retoma e reelabora outros textos.

c) ironia, que consiste em se dizer o contrário do que se pensa, com intenção crítica.

d) denotação, caracterizada pelo uso das palavras em seu sentido próprio e objetivo.

e) prosopopéia, que consiste em personificar coisas inanimadas, atribuindo-lhes vida.

4 –  (Questão 100 – ENEM 2010) – Na busca constante pela sua evolução, o ser humano vem alternando a sua maneira de pensar, de sentir e de criar. Nas últimas décadas do século XVIII e no início do século XIX, os artistas criaram obras em que predominam o equilíbrio e a simetria de formas e cores, imprimindo um estilo caracterizado pela imagem da respeitabilidade, da sobriedade, do concreto e do civismo. Esses artistas misturaram o passado ao presente, retratando os personagens da nobreza e da burguesia, além de cenas míticas e histórias cheias de vigor.

RAZOUK, J. J. (Org.). Histórias reais e belas nas telas. Posigraf: 2003.

Atualmente os artistas se apropriam de desenhos, charges, grafismos e até de ilustrações de livros para compor obras em que se misturam personagens de diferentes épocas, como na seguinte imagem:

a) Romero Brito. “Gisele e Tom”.

1

b) Andy Warhol. “Michael Jackson”.

2

c) Funny Filez. “Monabean

3

d) Andy Warhol. “Marilyn Monroe”.

4

e) Pablo Picasso. “Retrato de Jaqueline Roque com as Mãos Cruzadas”.

5

5 – Assinale a sequência correta:

I. O pleonasmo consiste em intensificar o significado de um elemento do texto por meio da redundância, isto é, da repetição da ideia já expressa por esse elemento.

II. A ambiguidade não pode ser considerada um vício de linguagem, já que não provoca qualquer tipo de dificuldade para a interpretação de um texto.

III. O neologismo é um fenômeno linguístico que consiste na criação de novas palavras ou expressões e não pode ser considerado como um vício de linguagem, já que pode ser empregado com intenções artísticas.

IV. O arcaísmo consiste no emprego de palavras ou expressões cuja utilização seja menos frequente na modalidade escrita e na modalidade oral. É o oposto do neologismo, pois está na contramão do movimento criador de palavras.

V. Solecismo é uma inadequação na estrutura sintática da frase com relação à gramática normativa do idioma. Podem subverter as normas da concordância, da regência e da colocação.

a) I, II e III.

b) II e IV.

c) I, III, IV e V.

d) I, II, IV e V.

e) III e V.

6 –  (ENEM 2011 – QUESTÃO 02)

O brasileiro tem noção clara dos comportamentos éticos e morais adequados, mas vive sob o espectro da corrupção, revela pesquisa. Se o país fosse resultado dos padrões morais que as pessoas dizem aprovar, pareceria mais com a Escandinávia do que com Bruzundanga (corrompida nação fictícia de Lima Barreto).

O distanciamento entre “reconhecer” e “cumprir” efetivamente o que é moral constitui uma ambiguidade inerente ao humano, porque as normas morais são

A) Decorrentes da vontade divina e, por esse motivo, utópicas.

B) Parâmetros idealizados, cujo cumprimento é destituído de obrigação.

C) Amplas e vão além da capacidade de o indivíduo conseguir cumpri-las integralmente.

D) Criadas pelo homem, que concede a si mesmo a lei à qual deve se submeter

E) Cumpridas por aqueles que se dedicam inteiramente a observar as normas jurídicas.

7 – (Mackenzie)

ERRO DE PORTUGUÊS

Quando o português chegou

debaixo de uma bruta chuva

Vestiu o índio

Que pena!

Fosse uma manhã de sol

O índio tinha despido o português

(Oswald de Andrade)

Assinale a alternativa correta.

Considerando que a oposição VESTIR vs. DESPIR representa a oposição COLONIZADOR vs.

b) COLONIZADO, vemos, no primeiro pólo, a impotência diante do poder.

c) O título apresenta clara e exclusivamente a denúncia da decadência da língua portuguesa, devido d) A um crescente descuido dos falantes.

8 – (Enem – 2009)

TEXTO A

Canção do exílio

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas tem mais flores,

Nossos bosques tem mais vida,

Nossa vida mais amores.

[…]

Minha terra tem primores,

Que tais não encontro eu cá;

Em cismar – sozinho, a noite –

Mais prazer eu encontro la;

Minha terra tem palmeiras

Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,

Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores

Que não encontro por cá;

Sem qu’inda aviste as palmeiras

Onde canta o Sabiá.

DIAS, G. Poesia e prosa completas. Rio de Janeiro: Aguilar, 1998.

TEXTO B

Canto de regresso à Pátria

Minha terra tem palmares

Onde gorjeia o mar

Os passarinhos daqui

Não cantam como os de lá

Minha terra tem mais rosas

E quase tem mais amores

Minha terra tem mais ouro

Minha terra tem mais terra

Ouro terra amor e rosas

Eu quero tudo de lá

Não permita

Deus que eu morra

Sem que volte para lá

Não permita Deus que eu morra

Sem que volte pra São Paulo

Sem que eu veja a rua 15

E o progresso de São Paulo.

ANDRADE, O. Cadernos de poesia do aluno Oswald. São Paulo: Cfrculo do Livro. s/d.

Os textos A e B, escritos em contextos históricos e culturais diversos, enfocam o mesmo motivo poético: a paisagem brasileira entrevista a distância. Analisando-os, conclui-se que:

a) o ufanismo, atitude de quem se orgulha excessivamente do país em que nasceu, é o tom de que se revestem os dois textos.

b) a exaltação da natureza é a principal característica do texto B, que valoriza a paisagem tropical realçada no texto A.

c) o texto B aborda o tema da nação, como o texto A, mas sem perder a visão crítica da realidade brasileira.

d) o texto B, em oposição ao texto A, revela distanciamento geográfico do poeta em relação à pátria.

e) ambos os textos apresentam ironicamente a paisagem brasileira.

9 –  (Enem – 2003)

Operários, 1933, óleo sobre tela, 150x205 cm, (P122). Tarsila do Amaral
Operários, 1933, óleo sobre tela, 150×205 cm, (P122). Tarsila do Amaral

“Desiguais na fisionomia, na cor e na raça, o que lhes assegura identidade peculiar, são iguais enquanto frente de trabalho. Num dos cantos, as chaminés das indústrias se alçam verticalmente. No mais, em todo o quadro, rostos colados, um ao lado do outro, em pirâmide que tende a se prolongar infinitamente, como mercadoria que se acumula, pelo quadro afora.”

(Nádia Gotlib. Tarsila do Amaral, a modernista.)

O texto aponta no quadro de Tarsila do Amaral um tema que também se encontra nos versos transcritos em:

a) “Pensem nas meninas/ Cegas inexatas/ Pensem nas mulheres/ Rotas alteradas.” (Vinícius de Moraes)

b) “Somos muitos severinos/ iguais em tudo e na sina:/ a de abrandar estas pedras/ suando-se muito em cima.” (João Cabral de Melo Neto)

c) “O funcionário público não cabe no poema/ com seu salário de fome/ sua vida fechada em arquivos.” (Ferreira Gullar)

d) “Não sou nada./ Nunca serei nada./ Não posso querer ser nada./À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.” (Fernando Pessoa)

e) “Os inocentes do Leblon/ Não viram o navio entrar (…)/ Os inocentes, definitivamente inocentes/ tudo ignoravam,/ mas a areia é quente, e há um óleo suave que eles passam pelas costas, e aquecem.” (Carlos Drummond de Andrade)

Gabarito:

1 – Alternativa E. O hipertexto permite ao leitor selecionar informações e dinamizar sua leitura em múltiplas direções. Um link, por exemplo, leva-nos a ter acesso a informações variadas, de acordo com nosso interesse. Dessa forma, a  atividade hipertextual mostra-se democrática, coletiva e colaborativa.

2 – Alternativa E. Da forma em que está escrito, não se sabe se a campanha é contra a violência do governo do Estado, ou se é o governo do Estado que está com campanha contra a violência.

A letra elimina essa ambiguidade, deixando claro que o governo do Estado está desenvolvendo uma campanha contra a violência.

3 – Alternativa C

4 – Alternativa C – Funny Filez  “Monabean”. Embora não use o termo, essa questão quer saber se o candidato reconhece o processo de intertextualidade em algumas dessas imagens, já que pergunta qual imagem apropria-se de outra, realizando um diálogo entre textos, ou seja, misturando imagens, personagens de diferentes épocas. A única alternativa em que há a mistura de personagens é na “c” (Monalisa + Mr. Bean). A primeira imagem, de Romero Brito, não faz referência a nenhum outro quadro, ou seja, não se apropria de nenhuma outra imagem, ainda que o Romero Brito costume fazer releituras (intertextualidade) de obras famosas. As duas obras de Andy Warhol usam o rosto de personalidades famosos, mas não há mistura de personagens, é apenas Michael e Marilyn. Aliás, a título de curiosidade, Andy Warhol é figura principal de um movimento importante no campo das artes, o Pop Arte, tendência que recorre a imagens carimbadas do cinema, da televisão ou da publicidade, usando cores fortes e bem coloridas. O último quadro é de Picasso, pintor do Cubismo, uma vanguarda do início do sec. XX que usa formas geométricas para compor figuras humanas.

5 – Alternativa “c”. A ambiguidade pode provocar dificuldades de interpretação de texto, pois confere às palavras ou expressões múltiplas possibilidades de leitura, efeito indesejado nos textos não literários.

6 – Alternativa D – O texto da Folha de São Paulo trata da ambiguidade do povo brasileiro que apesar te ter plena noção dos comportamentos éticos e morais corretos não as seguem plenamente. As normas morais calcadas em preceitos criados pelo homem que determina como “como se deve viver” em comunidade. Essas normas, através do consenso, se materializam em leis em que os homens se submetem. Sendo assim, a alternativa correta é a letra D. A letra B não pode ser considerada correta, pois as normas morais não são parâmetros idealizados cujo cumprimento é destituído de obrigação. A obrigatoriedade existe, o homem a pode descumprir ou a burlar, entretanto, sabemos o que é considerado certo e errado. Tanto é assim, que as pessoas podem não fazer, mas reconhecem, tem a noção clara, como está no texto.

7 – Alternativa C

8 – Alternativa “c”. Apesar da abordagem de um mesmo tema, o texto B revisita de forma crítica o texto A, estabelecendo-se uma relação intertextual, no caso, uma paródia.

9 – Alternativa “b”. No quadro Operários, de Tarsila do Amaral, a linguagem extralinguística sugere que a diversidade individual é desconsiderada pelo conceito de igualdade de condição de trabalho e, consequentemente, desconsiderada na vida. A mesma sugestão pode ser encontrada nos versos de João Cabral de Melo Neto, pois na fala do protagonista podemos observar a dissolução da individualidade dos nordestinos no trabalho de lavrar a terra. A intertextualidade ocorre por meio do diálogo existente entre a tela de Tarsila e o trecho do livro de João Cabral de Melo Neto.

Os textos e exemplos acima foram preparados pela professora Su, com base em manuais gramaticais. A professora é Licenciada Plena em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Pará (UFPA).