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Ebola: entenda o surto atual, os riscos e como o Brasil está se preparando

Jaqueline Padilha 11 junho, 2026 Atualizado em 11 junho, 2026 Avaliação:

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Você, que é um estudante aqui na Rede Enem, provavelmente já conhece a diferença entre surto, epidemia e pandemia. Embora esses conceitos representem diferentes escalas de disseminação - um surto pode evoluir para uma...

Ebola: entenda o surto atual, os riscos e como o Brasil está se preparando

Você, que é um estudante aqui na Rede Enem, provavelmente já conhece a diferença entre surto, epidemia e pandemia. Embora esses conceitos representem diferentes escalas de disseminação – um surto pode evoluir para uma epidemia e, em situações específicas, alcançar proporções globais e se tornar uma pandemia.

Recentemente os noticiários foram tomados pelos avisos de emergência global sobre um novo surto de Ebola em países africanos. 

Como está a situação hoje?

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram notificados na República Democrática do Congo 906 casos suspeitos da doença, com 223 mortes registradas. Até o momento, foram confirmados 134 casos e 18 óbitos. Nove dos casos confirmados ocorreram em Uganda.

Apesar de a OMS ter classificado o surto como uma emergência de saúde pública, especialistas avaliam que o risco de uma pandemia de Ebola permanece baixo.

Entre os fatores que reduzem a possibilidade de disseminação global da doença estão:

  • a ausência histórica de transmissão autóctone na América do Sul;
  • a inexistência de voos diretos entre a região afetada e países sul-americanos;
  • o modo de transmissão do Ebola, que exige contato direto com sangue, secreções, fluidos corporais ou tecidos de pessoas infectadas.

No Brasil, existem dois casos suspeitos: um no Rio de Janeiro e outro em São Paulo. Ambos os pacientes seguem isolados e monitorados, assim como parentes e pessoas que tiveram contato direto com eles Ambos viajaram recentemente para áreas com registro da doença.

Mesmo ocorrendo a milhares de quilômetros do Brasil, o surto merece atenção. Grande parte das doenças virais emergentes têm origem em zoonoses, ou seja, enfermidades transmitidas entre animais e seres humanos. Por isso, cada novo surto serve de alerta para os impactos das mudanças climáticas, da destruição de habitats naturais e da crescente proximidade entre seres humanos e animais silvestres.

O Ebola foi identificado pela primeira vez em 1976, na África Central, em regiões que atualmente pertencem à República Democrática do Congo e ao Sudão. Desde então, diferentes surtos foram registrados em vários países e de diferentes regiões do continente africano.

O agente causador da doença é um vírus da família Filoviridae, do gênero Ebolavirus. O nome Ebola faz referência ao rio localizado próximo à região onde os primeiros casos foram detectados.

Como o Brasil está se prevenindo?

O Ministério da Saúde ativou o Plano de Contingência Nacional para Febres Hemorrágicas Virais, medida que busca evitar a entrada e a disseminação da doença no país. Atualizado pela última vez em 2024, o documento não prevê fechamento de fronteiras nem restrições a viagens ou atividades comerciais.

Entre as principais ações previstas estão:

  • intensificação da vigilância de pessoas que viajaram para países com surtos recentes, como a República Democrática do Congo;
  • identificação rápida de casos suspeitos;
  • isolamento de pacientes;
  • monitoramento das redes de contato dos infectados.

Nos casos suspeitos, mesmo quando o primeiro teste apresenta resultado negativo, uma nova coleta de sangue deve ser realizada 48 horas depois para confirmação diagnóstica.

Como o vírus se prolifera

Estudos apontam que os morcegos frugívoros da família Pteropodidae são os principais hospedeiros do vírus Ebola.

A doença também pode afetar primatas não humanos, como macacos, gorilas e chimpanzés. Essa característica aumenta o risco de transmissão para seres humanos, especialmente em regiões onde há contato frequente com esses animais.

A transmissão ocorre por contato direto com sangue, fluidos corporais ou tecidos de pessoas e animais infectados. O contágio também pode acontecer durante o manuseio de corpos de vítimas da doença em rituais funerários.

Cepa do surto atual não possui vacina

Assim como acontece com muitos vírus, o Ebola possui diferentes subespécies já identificadas:

  • Zaire Ebolavirus;
  • Sudan Ebolavirus;
  • Taï Forest Ebolavirus;
  • Bundibugyo Ebolavirus;
  • Reston Ebolavirus (afeta apenas animais). 

O Zaire Ebolavirus é considerado o mais letal entre as variantes conhecidas e é também o único que possui vacina aprovada para uso em larga escala.

Já a variante predominante no surto atual é a Bundibugyo Ebolavirus. Ela preocupa especialistas por ainda não contar com vacina aprovada nem tratamentos amplamente disponíveis e ainda ter uma taxa de letalidade alta. 

Questão social

O último grande surto de Ebola ocorreu em 2014 e 2015, causando mais de 11 mil mortes na África Ocidental.

Segundo a OMS, um dos principais desafios para conter novos surtos é a fragilidade dos sistemas de saúde em diversas regiões afetadas. Dentre os maiores obstáculos estão a falta de infraestrutura hospitalar, especialmente em áreas rurais, conflitos políticos e étnicos e a redução de recursos destinados à ajuda humanitária internacional.

Por isso, a situação também reacende debates sobre a capacidade de resposta a doenças contagiosas de países que enfrentam pobreza, insegurança alimentar e acesso limitado a serviços básicos de saúde e ainda vivem conflitos políticos internos. 

Outro fator importante é o acesso à água potável. Já que o Ebola provoca sintomas como vômitos e diarreia intensa, a hidratação adequada é imprescindível para aumentar as chances de recuperação dos pacientes.

Os surtos recorrentes de Ebola evidenciam desafios que vão além da saúde pública. A doença expõe desigualdades no acesso a tratamentos, vacinas, exames e infraestrutura médica, além de levantar debates importantes sobre a falta de atenção internacional dedicada a países africanos. Muitas vezes, esses países dependem de contribuições e fundos internacionais para conseguirem conter essas doenças e salvar vidas. 

Sintomas do Ebola

A infecção pelo vírus Ebola pode causar:

  • febre;
  • dor de cabeça;
  • fraqueza intensa;
  • diarreia;
  • vômitos;
  • dor abdominal;
  • perda de apetite;
  • dor de garganta;
  • manifestações hemorrágicas.

O período de incubação varia entre dois e 21 dias, sendo mais comum que os sintomas apareçam entre cinco e dez dias após a infecção.

Porém, os pacientes tornam-se contagiosos apenas quando apresentam sintomas. A confirmação da doença é realizada por meio de exames laboratoriais específicos.

Jaqueline Padilha

Jornalista formada pela UFSC e Redatora da Rede Enem.

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