Você, que é um estudante aqui na Rede Enem, provavelmente já conhece a diferença entre surto, epidemia e pandemia. Embora esses conceitos representem diferentes escalas de disseminação – um surto pode evoluir para uma epidemia e, em situações específicas, alcançar proporções globais e se tornar uma pandemia.
Recentemente os noticiários foram tomados pelos avisos de emergência global sobre um novo surto de Ebola em países africanos.
Como está a situação hoje?
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram notificados na República Democrática do Congo 906 casos suspeitos da doença, com 223 mortes registradas. Até o momento, foram confirmados 134 casos e 18 óbitos. Nove dos casos confirmados ocorreram em Uganda.
Apesar de a OMS ter classificado o surto como uma emergência de saúde pública, especialistas avaliam que o risco de uma pandemia de Ebola permanece baixo.
Entre os fatores que reduzem a possibilidade de disseminação global da doença estão:
- a ausência histórica de transmissão autóctone na América do Sul;
- a inexistência de voos diretos entre a região afetada e países sul-americanos;
- o modo de transmissão do Ebola, que exige contato direto com sangue, secreções, fluidos corporais ou tecidos de pessoas infectadas.
No Brasil, existem dois casos suspeitos: um no Rio de Janeiro e outro em São Paulo. Ambos os pacientes seguem isolados e monitorados, assim como parentes e pessoas que tiveram contato direto com eles Ambos viajaram recentemente para áreas com registro da doença.
Mesmo ocorrendo a milhares de quilômetros do Brasil, o surto merece atenção. Grande parte das doenças virais emergentes têm origem em zoonoses, ou seja, enfermidades transmitidas entre animais e seres humanos. Por isso, cada novo surto serve de alerta para os impactos das mudanças climáticas, da destruição de habitats naturais e da crescente proximidade entre seres humanos e animais silvestres.
O Ebola foi identificado pela primeira vez em 1976, na África Central, em regiões que atualmente pertencem à República Democrática do Congo e ao Sudão. Desde então, diferentes surtos foram registrados em vários países e de diferentes regiões do continente africano.
O agente causador da doença é um vírus da família Filoviridae, do gênero Ebolavirus. O nome Ebola faz referência ao rio localizado próximo à região onde os primeiros casos foram detectados.
Como o Brasil está se prevenindo?
O Ministério da Saúde ativou o Plano de Contingência Nacional para Febres Hemorrágicas Virais, medida que busca evitar a entrada e a disseminação da doença no país. Atualizado pela última vez em 2024, o documento não prevê fechamento de fronteiras nem restrições a viagens ou atividades comerciais.
Entre as principais ações previstas estão:
- intensificação da vigilância de pessoas que viajaram para países com surtos recentes, como a República Democrática do Congo;
- identificação rápida de casos suspeitos;
- isolamento de pacientes;
- monitoramento das redes de contato dos infectados.
Nos casos suspeitos, mesmo quando o primeiro teste apresenta resultado negativo, uma nova coleta de sangue deve ser realizada 48 horas depois para confirmação diagnóstica.
Como o vírus se prolifera
Estudos apontam que os morcegos frugívoros da família Pteropodidae são os principais hospedeiros do vírus Ebola.
A doença também pode afetar primatas não humanos, como macacos, gorilas e chimpanzés. Essa característica aumenta o risco de transmissão para seres humanos, especialmente em regiões onde há contato frequente com esses animais.
A transmissão ocorre por contato direto com sangue, fluidos corporais ou tecidos de pessoas e animais infectados. O contágio também pode acontecer durante o manuseio de corpos de vítimas da doença em rituais funerários.
Cepa do surto atual não possui vacina
Assim como acontece com muitos vírus, o Ebola possui diferentes subespécies já identificadas:
- Zaire Ebolavirus;
- Sudan Ebolavirus;
- Taï Forest Ebolavirus;
- Bundibugyo Ebolavirus;
- Reston Ebolavirus (afeta apenas animais).
O Zaire Ebolavirus é considerado o mais letal entre as variantes conhecidas e é também o único que possui vacina aprovada para uso em larga escala.
Já a variante predominante no surto atual é a Bundibugyo Ebolavirus. Ela preocupa especialistas por ainda não contar com vacina aprovada nem tratamentos amplamente disponíveis e ainda ter uma taxa de letalidade alta.
O último grande surto de Ebola ocorreu em 2014 e 2015, causando mais de 11 mil mortes na África Ocidental.
Segundo a OMS, um dos principais desafios para conter novos surtos é a fragilidade dos sistemas de saúde em diversas regiões afetadas. Dentre os maiores obstáculos estão a falta de infraestrutura hospitalar, especialmente em áreas rurais, conflitos políticos e étnicos e a redução de recursos destinados à ajuda humanitária internacional.
Por isso, a situação também reacende debates sobre a capacidade de resposta a doenças contagiosas de países que enfrentam pobreza, insegurança alimentar e acesso limitado a serviços básicos de saúde e ainda vivem conflitos políticos internos.
Outro fator importante é o acesso à água potável. Já que o Ebola provoca sintomas como vômitos e diarreia intensa, a hidratação adequada é imprescindível para aumentar as chances de recuperação dos pacientes.
Os surtos recorrentes de Ebola evidenciam desafios que vão além da saúde pública. A doença expõe desigualdades no acesso a tratamentos, vacinas, exames e infraestrutura médica, além de levantar debates importantes sobre a falta de atenção internacional dedicada a países africanos. Muitas vezes, esses países dependem de contribuições e fundos internacionais para conseguirem conter essas doenças e salvar vidas.
Sintomas do Ebola
A infecção pelo vírus Ebola pode causar:
- febre;
- dor de cabeça;
- fraqueza intensa;
- diarreia;
- vômitos;
- dor abdominal;
- perda de apetite;
- dor de garganta;
- manifestações hemorrágicas.
O período de incubação varia entre dois e 21 dias, sendo mais comum que os sintomas apareçam entre cinco e dez dias após a infecção.
Porém, os pacientes tornam-se contagiosos apenas quando apresentam sintomas. A confirmação da doença é realizada por meio de exames laboratoriais específicos.
