Neste ano, o Enem passou por diversas mudanças significativas. Em meio a tantas novidades, é fácil se perder e até ficar preocupado com as alterações. Pensando nisso, convidamos o diretor da Arco Educação e especialista em Enem, Ademar Celedônio, para explicar as principais mudanças e como elas podem afetar os estudantes. Além disso, ele trouxe um panorama sobre os motivos dessas alterações e o que esperar do exame nos próximos anos.
Quem é Ademar Celedônio
Diretor de Ensino e Inovações Educacionais na Arco Educação. Com mais de três décadas de experiência, já passou pelas salas de aula, coordenações e direções escolares, sempre comprometido em transformar a educação. Especialista em ENEM e políticas públicas, leva às famílias, estudantes e educadores reflexões sobre inovação, inteligência artificial e futuro do trabalho, conectando conhecimento acadêmico com os desafios reais da vida.
Mudanças deste ano
Grande parte das mudanças foi anunciada neste ano. No entanto, algumas alterações já haviam sido testadas na edição anterior do exame, como é o caso dos testlets — modelo em que um único texto serve de base para várias questões.
As principais mudanças do Enem 2026 são:
- integração ao Saeb;
- inscrição automática;
- ampliação da inclusão e acessibilidade;
- utilização de testlets nas questões.
A seguir, vamos detalhar cada uma dessas mudanças para que você entenda melhor seus impactos para os estudantes e os objetivos do Inep e do MEC com essas alterações.
Integração ao Saeb
Apesar de a integração ao Saeb não ter um grande impacto direto na vida dos estudantes, ela é um dos pontos de partida para várias das mudanças anunciadas. Antes, existia uma grande dificuldade em garantir a participação dos alunos do ensino médio nas avaliações do Saeb.
Nesse sentido, foi decidido utilizar as notas do Enem como critério de avaliação, eliminando a necessidade de o estudante realizar duas provas em um curto espaço de tempo.
Para Celedônio, essa mudança deve aumentar a participação dos estudantes no Saeb, gerando dados mais concretos para avaliar a qualidade da educação básica. Além disso, a medida aproveita toda a estrutura já existente do Enem para realizar essas avaliações.
Inscrição automática
A inscrição automática para estudantes do terceiro ano do ensino médio da rede pública também é uma estratégia para ampliar o acesso ao exame. A mudança reforça o papel do Enem como uma das principais políticas educacionais do país, tanto na avaliação do ensino médio quanto como porta de entrada para o ensino superior.
Na prática, essa alteração deve aumentar o número de participantes, principalmente por reduzir casos de esquecimento ou perda dos prazos de inscrição.
Ampliação da inclusão e acessibilidade
Essa é uma das mudanças mais importantes em termos de democratização do exame. Muitas pessoas necessitam de adaptações, seja de estrutura física ou de suporte especializado, e garantir essas condições é essencial para tornar o Enem mais acessível para todos os brasileiros.
Celedônio destaca que essa ampliação possui relevância internacional e cita medidas como a possibilidade de uso de calculadora por candidatos com discalculia e o suporte emocional para determinados participantes. “Certamente o Enem é o exame mais inclusivo do mundo”, complementa.
Testlets nas questões
Conforme explica Celedônio, a tendência de ampliar o uso dos testlets deve continuar nos próximos anos. A proposta é que um único texto seja utilizado como base para cerca de cinco questões, reduzindo a quantidade de textos presentes na prova.
No entanto, isso não significa que a interpretação será menos importante. Pelo contrário, as questões continuam exigindo uma leitura atenta e aprofundada dos textos apresentados.
O que não mudou no Enem
Mesmo com as diversas alterações, a estrutura principal do Enem permanece a mesma desde a reformulação realizada em 2009. As mudanças atuais estão mais relacionadas à ampliação do acesso, inclusão e gestão do exame do que ao formato da prova em si.
Assim, o Enem 2026 continua com:
- 180 questões;
- quatro áreas do conhecimento;
- redação;
- aplicação em dois dias;
- mesma metodologia TRI.
Dicas para ir bem no Enem
Atualidades
Um dos maiores destaques da entrevista foram as orientações de Celedônio para os candidatos. Segundo ele, embora o Enem cobre temas atuais, dificilmente exige conhecimentos sobre acontecimentos muito recentes.
Na maioria dos casos, o exame trabalha temas que já vêm sendo debatidos pela sociedade há algum tempo.
Ainda assim, é fundamental acompanhar os principais debates da atualidade. Entre os temas que Celedônio considera importantes, estão:
- feminicídio;
- racismo;
- desigualdade salarial;
- mudanças climáticas;
- questões ambientais;
- envelhecimento populacional;
- conflitos geopolíticos;
- migrações;
- inclusão social.
Exatas e Matemática
Muitos candidatos encontram dificuldades nas ciências exatas e nos cálculos durante a prova. Por isso, entender quais conteúdos mais aparecem no exame pode fazer uma grande diferença na preparação.
Segundo Celedônio, cerca de dois terços da prova de Matemática são compostos por conteúdos do ensino fundamental. Dessa forma, dominar esses assuntos aumenta significativamente as chances de acertar mais questões e conquistar uma boa nota.
Entre os conteúdos mais recorrentes estão:
- razão e proporção;
- regra de três;
- porcentagem;
- juros;
- escalas;
- leitura de gráficos;
- tabelas;
- média, moda e mediana.
Além disso, muitos desses conteúdos servem de base para outros temas das ciências exatas. Portanto, dominá-los pode ajudar tanto na resolução de questões mais complexas quanto na eliminação de alternativas quando houver dúvidas.
Dica extra
Para o especialista, é importante lembrar que a nota do Enem está muito mais relacionada ao acerto das questões consideradas fáceis do que das mais difíceis.
Ou seja, conhecer conteúdos avançados é importante, mas o que realmente faz diferença na nota final é dominar os conteúdos básicos e garantir o acerto das questões de menor complexidade.
Vale lembrar que o Enem é conhecido por ser uma prova longa e cansativa, principalmente pela quantidade de questões e pela multidisciplinaridade dos conteúdos. Por isso, construir uma base sólida nos assuntos fundamentais pode tornar a resolução da prova muito mais tranquila e eficiente.
