As Vozes Verbais na Gramática do Enem e do Encceja

Acompanhe as dicas do Professor Wilson Rochenbach e dê adeus às dúvidas em relação às vozes verbais. As perguntas frequentes entre os candidatos são sobre a identificação e a transposição das vozes verbais: voz ativa e voz passiva. Neste post vou tratar especificamente delas, por isso fique tranquilo, que, depois de lê-lo, isso vai ficar “facinho, facinho”.

Quando se fala de vozes verbais, a primeira coisa que se pensa é que é muito difícil. Quando se lê as alternativas que apresentam a transposição de voz, por exemplo, todas parecem corretas. Fique tranquilo, porque vou lhe mostrar como é fácil identificar a frase correta da transposição de uma voz para outra.

Primeiramente, você sabe o que é a voz do verbo? Voz é a ação que ele indica: a ação de cantar, de encontrar, de estudar e por aí vai… Essa ação – a voz – tem que estar ligada diretamente a algo ou alguém que vai executar ou sofrer o que ela determina.

Certo? Esse algo ou alguém é o sujeito, é claro!  Bora ver!!!Gramática Enem - Entenda o que são Vozes Verbais

  • A voz verbal se divide em:
  • Ativa – O sujeito é agente, pratica a ação expressa pelo verbo.
  • Passiva – O sujeito é paciente, sofre a ação do verbo.
  • Reflexiva – O sujeito é agente e paciente, executa e sofre a ação do verbo.

Esses conceitos que apresentei acima são aqueles apresentados nas gramáticas, ou seja, não dão conta de todas as situações. Isso vai ficar bem claro mais adiante. É só você acompanhar o raciocínio.

Voz ativa

Na frase: Maria leu o bilhete.  A ação de ler foi exercida por Maria, que é o sujeito – nesse caso – quem age. O bilhete sofreu a ação de ser lido – nesse caso – o bilhete é que sofre – o “sofrenildo”. Ele é o objeto direto (OD).

O objeto direto será sempre o que sofre a ação, portanto para que se possa transpor para a voz passiva é necessário que haja OD. Observe:

Voz passiva

O bilhete foi lido por Maria.  Na voz passiva o sujeito sofre a ação, portanto é necessário o “sofrenildo” para atuar como sujeito: O bilhete. O tempo em que o verbo ler está deve ser mantido na transposição: pretérito perfeito.

O verbo ler assumiu a forma nominal do particípio – lido–  e o auxiliar apareceu – foi. É ele que carrega o tempo e modo; já que é o auxiliar, tem que “trabalhar”.

Aquele que executa a ação na voz ativa – o sujeito – continua executando, agindo, mas agora não mais como sujeito. Ele passou a ser o que age na voz passiva: o agente da passiva. O nome tem tudo a ver com a função. “Facinho”, não?!

A manutenção do tempo e do modo verbal é imprescindível para a transposição de voz verbal. Observe que na voz ativa havia um único verbo; ao passar para a voz passiva, há dois.

Atente para o macete: se é passivo, sempre “leva”, ou seja, recebe mais um verbo. Se na ativa houver dois verbos, na passiva haverá três. Observe:

  1. Voz ativa:  Maria havia lido o livro. (dois verbos)
  2. Voz passiva: O livro havia sido lido por Maria. (três verbos)

Dessa forma, houve a manutenção do tempo: pretérito mais que perfeito composto. A transposição da passiva para a ativa é o mesmo processo, mas de forma inversa. Vamos ver:

  1. Voz passiva:  O almoço será feito por mim.    x   O almoço havia sido feito por mim.
  2. Voz ativa:  Eu farei o almoço.    x   Eu havia feito o almoço.

Na voz passiva, almoço é sujeito – “sofrenildo” – (sofre a ação de ser feito), e por mim é agente da passiva – (executa a ação, age na voz passiva).

Na voz ativa, o “sofrenildo” passou a ser Objeto direto e o agente da passiva se transformou no sujeito eu. Facinho, não achou?

Agora vamos à observação que fiz sobre os conceitos não darem conta de todas as situações. Observe a frase abaixo:

  • O menino apanhou do pai.
  • Pergunto a você se é voz ativa ou passiva, e você me responde que é voz passiva já que o sujeito sofre a ação do verbo, não é?

Não é! É aquela velha história: aquilo que parece, mas não é. Observe que o verbo apanhar é transitivo indireto. É impossível transformar do pai em sujeito porque ele exerce a função de objeto indireto, não de agente da passiva.

Também não é possível transformar o menino em objeto direto uma vez que o verbo é transitivo indireto apenas. Quer tentar? Vamos lá!

Viu, não dá! Não foi este o resultado: “O pai foi apanhado do menino.” ?

Essa frase não tem sentido. Então, a conclusão a que se chega é que ela está na voz ativa; porém, nesse caso, o verbo é que tem sentido passivo.

Fique ligado! Frequentemente, os vestibulares apresentam questões sobre esse assunto. A partir de agora, tenho certeza de que você não vai ter mais dúvidas sobre as questões de identificação e transposição de vozes verbais.

Não deixe de ler o próximo post, que continuará tratando desse tema.

Dica 1 – Redação: Domine a grafia dos ‘porquês’ e melhore sua redação – https://blogdoenem.com.br/redacao-porque/

Dica 2 – Veja o emprego correto de “onde” e “aonde”. https://blogdoenem.com.br/portugues-enem-onde-aonde/

Wilson Redação
Este post foi elaborado pelo professor Wilson Rochenbach Nunes para o Blog do Enem. Wilson é formado em Letras pela Unilassale Canoas – RS e Mestre em Linguística Aplicada pela PUCRS. Dá aulas de Português para concursos em cursos da Grande Florianópolis e Grande Porto Alegre desde 2002.