As Vozes Verbais na Redação e na Gramática do Enem e do Encceja

Hora de dar adeus às dúvidas em relação às vozes verbais. Veja como fazer a identificação e a transposição das vozes verbais: voz ativa e voz passiva. Depois desta aula você resolve estas questões "facinho, facinho".

Quando se fala de vozes verbais, a primeira coisa que se pensa é que é muito difícil. Quando se lê as alternativas que apresentam a transposição de voz, por exemplo, todas parecem corretas.

Fique tranquilo, porque vou lhe mostrar como é fácil identificar a frase correta da transposição de uma voz para outra. Primeiramente, você sabe o que é a voz do verbo?

Voz é a ação que ele indica: a ação de cantar, de encontrar, de estudar e por aí vai… Essa ação – a voz – tem que estar ligada diretamente a algo ou alguém que vai executar ou sofrer o que ela determina.

Certo? Esse algo ou alguém é o sujeito, é claro!  Bora ver as vozes verbais!!!Gramática Enem - Entenda o que são Vozes Verbais

  • A voz verbal se divide em:
  • Ativa – O sujeito é agente, pratica a ação expressa pelo verbo.
  • Passiva – O sujeito é paciente, sofre a ação do verbo.
  • Reflexiva – O sujeito é agente e paciente, executa e sofre a ação do verbo.

 

Esses conceitos relacionados às vozes verbais que apresentei acima são aqueles apresentados nas gramáticas, ou seja, não dão conta de todas as situações. Isso vai ficar bem claro mais adiante. É só você acompanhar o raciocínio.

Antes de ler mais sobre cada uma das vozes verbais, veja o vídeo da profa. Mercedes:

Muito boas estas dicas da Mercedes! Ela é do canal Curso Enem Gratuito. Vamos prosseguir:

Voz ativa

Na frase: Maria leu o bilhete.  A ação de ler foi exercida por Maria, que é o sujeito – nesse caso – quem age. O bilhete sofreu a ação de ser lido – nesse caso – o bilhete é que sofre – o “sofrenildo”. Ele é o objeto direto (OD).

O objeto direto será sempre o que sofre a ação, portanto para que se possa transpor para a voz passiva é necessário que haja OD. Observe:

Voz passiva

O bilhete foi lido por Maria.  Na voz passiva o sujeito sofre a ação, portanto é necessário o “sofrenildo” para atuar como sujeito: O bilhete. O tempo em que o verbo ler está deve ser mantido na transposição: pretérito perfeito.

O verbo ler assumiu a forma nominal do particípio – lido–  e o auxiliar apareceu – foi. É ele que carrega o tempo e modo; já que é o auxiliar, tem que “trabalhar”.

Aquele que executa a ação na voz ativa – o sujeito – continua executando, agindo, mas agora não mais como sujeito. Ele passou a ser o que age na voz passiva: o agente da passiva. O nome tem tudo a ver com a função. “Facinho”, não?!

A manutenção do tempo e do modo verbal é imprescindível para a transposição de voz verbal. Observe que na voz ativa havia um único verbo; ao passar para a voz passiva, há dois.

Atente para o macete: se é passivo, sempre “leva”, ou seja, recebe mais um verbo. Se na ativa houver dois verbos, na passiva haverá três. Observe:

  1. Voz ativa:  Maria havia lido o livro. (dois verbos)
  2. Voz passiva: O livro havia sido lido por Maria. (três verbos)

 

Dessa forma, houve a manutenção do tempo: pretérito mais que perfeito composto. A transposição da passiva para a ativa é o mesmo processo, mas de forma inversa. Vamos ver:

  1. Voz passiva:  O almoço será feito por mim.    x   O almoço havia sido feito por mim.
  2. Voz ativa:  Eu farei o almoço.    x   Eu havia feito o almoço.

 

  1. Na voz passiva, almoço é sujeito – “sofrenildo” – (sofre a ação de ser feito), e por mim é agente da passiva – (executa a ação, age na voz passiva).
  2. Na voz ativa, o “sofrenildo” passou a ser Objeto direto e o agente da passiva se transformou no sujeito eu. Facinho, não achou?

 

Agora vamos à observação que fiz sobre os conceitos não darem conta de todas as situações. Observe a frase abaixo:

  • O menino apanhou do pai.
  • Pergunto a você se é voz ativa ou passiva, e você me responde que é voz passiva já que o sujeito sofre a ação do verbo, não é?

 

Não é! É aquela velha história: aquilo que parece, mas não é. Observe que o verbo apanhar é transitivo indireto. É impossível transformar do pai em sujeito porque ele exerce a função de objeto indireto, não de agente da passiva.

Também não é possível transformar o menino em objeto direto uma vez que o verbo é transitivo indireto apenas. Quer tentar? Vamos lá!

Viu, não dá! Não foi este o resultado: “O pai foi apanhado do menino.” ?

Essa frase não tem sentido. Então, a conclusão a que se chega é que ela está na voz ativa; porém, nesse caso, o verbo é que tem sentido passivo.

Fique ligado! Frequentemente, os vestibulares apresentam questões sobre esse assunto. A partir de agora, tenho certeza de que você não vai ter mais dúvidas sobre as questões de identificação e transposição de vozes verbais.

Não deixe de ler o próximo post, que continuará tratando desse tema.

Dica 1 – Redação: Domine a grafia dos ‘porquês’ e melhore sua redação – https://blogdoenem.com.br/redacao-porque/

Dica 2 – Veja o emprego correto de “onde” e “aonde”. https://blogdoenem.com.br/portugues-enem-onde-aonde/

Wilson Redação
Este post foi elaborado pelo professor Wilson Rochenbach Nunes para o Blog do Enem. Wilson é formado em Letras pela Unilassale Canoas – RS e Mestre em Linguística Aplicada pela PUCRS. Dá aulas de Português para concursos em cursos da Grande Florianópolis e Grande Porto Alegre desde 2002.