Karl Marx: o materialismo dialético e o comunismo – Filosofia Enem

Veja como as ideias de Karl Marx influenciaram o pensamento nas áreas da Sociologia, Economia, Filosofia, História e Ciências Políticas. Confira aula gratuita sobre o materialismo dialético para o Enem e os vestibulares.

Karl Heinrich Marx nasceu no dia 5 de maio de 1818, em Tréveris, na Alemanha e morreu em 14 de março de 1883, em Londres, na Inglaterra. É conhecido por ser o fundador da doutrina econômico-social que deu origem ao comunismo.

Marx foi um estudioso que ingressou na Universidade de Bonn para estudar direito em 1835. Por influência de seu pai, acabou transferindo-se para a Universidade de Berlim, alguns anos mais tarde, onde teve contato com a obra do professor e filósofo Georg Wilhelm Friedrich Hegel.MarxInteressado nos fundamentos do pensamento dialético estruturado por Hegel, Marx voltou-se para a área da filosofia, onde mais tarde concluiu um doutorado. Junto com Friedrich Engels escreveu O Manifesto Comunista, publicado em 21 de fevereiro de 1848. Este livreto tornou-se a principal cartilha de adeptos do Socialismo e dos promotores do Comunismo em todo o mundo.

O Materialismo dialético

Você conhece o significado de dialética? Vamos primeiro entender esse conceito e também de materialismo para depois entender o que Karl Marx pensava sobre isso.

A palavra dialética vem do grego e significa “duas opiniões divergentes”. E, o materialismo é uma doutrina que tem por base a matéria como explicação de todos os fenômenos naturais, sociais e mentais.

Agora vamos entender o pensamento de Marx. O pensamento materialista de Marx se difere da concepção de que o ser humano podia ser pensando de forma abstrata, como Hegel pensava, por exemplo. Para Marx, o ser humano é formado a partir das relações sociais, por isso, sua concepção é materialista. Marx dizia que a maneira como o indivíduo se comporta, age e sente está diretamente ligada à forma como se dão as relações sociais.

Sendo que essas relações sociais são determinadas pela forma do modo de produção da vida material, isto é, pela maneira como os seres humanos trabalham e produzem os meios necessários para a sustentação.

A dialética marxista parte da dialética helegiana, mas, segundo o que o próprio Marx escreve no prefácio da segunda edição de O Capital, “meu método dialético não só difere do helegiano, mas é também a sua antítese direta”.

No pensamento de Marx, a dialética leva ao entendimento da possibilidade da negação dessa realidade. Podemos dizer esta frase da seguinte forma: a dialética de Marx permite compreender a história em seu movimento, em que cada etapa é vista não como algo estático, mas como algo transitório, que pode ser transformado pela ação humana.

Podemos resumir a dialética de Marx em dois pontos:

  1. Materialista: porque é na economia, na produção, e no trabalho do ser humano que se constrói a história;
  2. Histórica: porque é fruto a ação humana no decorrer dos séculos.

Na dialética marxista, portanto, a burguesia seria a tese – e o proletariado, sua antítese. A síntese seria a superação da sociedade de classes por uma sem classes, o comunismo. As crises do capitalismo, então, decorreriam dos conflitos entre burguesia e proletariado, e seria o prenúncio de uma superação dialética da economia política.

A experiência do comunismo na Rússia e na China

Dica do Blog: As ideias de Marx tornaram-se em bandeiras políticas com alto poder de mobilização em diversos países. Em Outubro de 1914 os revolucionários da Rússia chegaram ao poder carregando as ideias de Marx, liderados por Vladimir Lênin.

A implantação efetiva do comunismo aconteceu após disputas militares e políticas na Rússia. Com a morte de Lênin, em 1924, assume o poder Josef Stalin, que fortalece o estado comunista. Stalin participa da Segunda Guerra Mundial ao lado dos Estados Unidos e da Inglaterra, para enfrentarem juntos a Alemanha nazista de Hitler.

Após a vitória dos Aliados, a metade Leste da Alemanha e diversos países do Leste Europeu ficam sob domínio dos Russos, que implantam a URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

O Regime Comunista ampliado  enquanto URSS  estabeleceu uma disputa de força militar, de corrida especial e de potência nuclear com as Democracias Liberais da parte Oeste da Europa e com os Estados Unidos, num período conhecido como Guerra Fria.

A experiência comunista da Rússia e da URSS foi perdendo coesão e capacidade industrial a partir do final dos anos 70, e chegou ao colapso na década seguinte. O final da URSS entrou para a história com a Queda do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989, quando a população dos dois lados colocou-se pacificamente a destruir o muro, sem que houvesse reação militar do exército do lado comunista, já em declínio.

Além da Rússia, que liderou a experiência do comunismo real, a China também adotou o regime comunista a partir de 1949. Porém, na década de 1980 mudou a sua orientação econômica para o capitalismo de estado. Estas foram as duas maiores experiências comunistas.

Cuba, na América Central, também adotou o comunismo, mas ficou sempre em posição de dependência militar, política e econômica de países de maior expressão econômica que lhe davam amparo para manter o comunismo.

Resumo sobre  Marx e o Materialismo Dialético

Marx elaborou a partir da dialética de Hegel uma dialética materialista, ou seja, o ser humano seria formado a partir do meio social e o modo de produção influência nessa formação, por isso, sua dialética parte de uma luta de classes entre proletariados e burgueses tendo como fim a formação de uma sociedade sem classes.

Dica 2: Aprofunde seu estudo sobre este tema entendo a dialética helegiana acessando essa aula gratuita sobre o pensamento de Hegel:

Hegel e o idealismo dialético – Filosofia Enem

Referência

COTRIM, Gilberto; FERNANDES, Mirta. Fundamentos de Filosofia. 1 ed. – São Paulo: Saraiva: 2010.
GARCIA, José Roberto; VELOSO, Valdecir da Conceição. Eureka: construíndo cidadãos reflexivos. Florianópolis: Sophos, 2011.

Chegou a sua vez. Resolva essas questões de vestibulares e se prepare para o Enem:

1. (UEG 2008) Classe média

Sou classe média/ Papagaio de todo telejornal/ Eu acredito/ Na imparcialidade da revista semanal Sou classe média/ Compro roupa e gasolina no cartão/ Odeio “coletivos”/ E vou de carro que comprei a prestação Só pago impostos,/ Estou sempre no limite/ do meu cheque especial/ Eu viajo pouco, no máximo/ um pacote CVC tri-anual Mais eu “tô nem aí”/ Se o traficante é quem manda na favela/ Eu não “tô nem aqui”/ Se morre gente ou tem enchente em Itaquera/ Eu quero é que se exploda/ a periferia toda/ Mas fico indignado/ com o estado/ quando sou incomodado/ Pelo pedinte esfomeado/ que me estende a mão O para-brisa ensaboado/ É camelo, biju com bala/ E as peripécias do artista malabarista do farol Mas se o assalto é em Moema/ O assassinato é no “Jardins”/ A filha do executivo é estuprada até o fim Aí a mídia manifesta/ a sua opinião regressa/ De implantar pena de morte,/ ou reduzir a idade penal E eu que sou bem informado/ concordo e faço passeata/ Enquanto aumenta a audiência/ e a tiragem do jornal Porque eu não “tô nem aí”/ Se o traficante é quem manda na favela/ Eu não “tô nem aqui”/ Se morre gente ou tem enchente em Itaquera/ Eu quero é que se exploda a periferia toda/ Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta

Disponível em:< www.maxgonzaga.com.br/Cindex.htm> Acesso em: 10 set 2007.

A letra da canção acima, de Max Gonzaga, traz vários elementos comuns tanto para a reflexão sociológica quanto filosófica, entre outras conexões com várias disciplinas. Temas sociológicos, como violência, classe social, consciência, meios de comunicação, e filosóficos, como ética, consciência, projeto e responsabilidade, estão presentes no texto.

A concepção do texto sobre consciência corresponde à seguinte proposição:

a) A teoria da consciência de Karl Marx, segundo a qual não é a consciência que determina a vida, mas, ao contrário, é a vida que determina a consciência. Assim, o ser social, tal como a situação de classe, determina a consciência dos indivíduos, que é uma consciência de classe.
b) A teoria das representações coletivas de Durkheim, que são compartilhadas por todos os indivíduos de uma sociedade e expressam a supremacia da sociedade sobre o indivíduo.
c) A abordagem fenomenológica do filósofo Husserl, para quem existem proposições universais e necessárias, derivadas da experiência de classe.
d) A teoria do pensador Descartes, que dá início ao movimento político que mais tarde vai se chamar de “liberalismo”, no qual se depositava no Estado o poder de defesa dos interesses dos indivíduos.

2. (NUCEPE 2015) O materialismo histórico dialético é o método de análise da sociedade criado por Karl Marx, um dos clássicos da Sociologia. A respeito desse método, é possível afirmar que

a) o materialismo explica que as condições materiais de existência não são fatores determinantes para o modo de ser e pensar de cada um.
b) a sociedade e a política surgem da ação da natureza e não da ação concreta dos seres humanos no tempo.
c) o materialismo explica que são as relações sociais de produção que determinam o modo de ser e pensar de cada indivíduo. É um modo histórico, já que a sociedade e a política surgem da ação concreta dos seres humanos no tempo.
d) a História é um processo contínuo e linear, logo a realidade é estática e o movimento da história possui uma base material e econômica, mas não obedece a um movimento dialético.
e) a base material ou econômica constitui a “superestrutura” da sociedade, que exerce influência direta na “infraestrutura” da sociedade, ou seja, nas instituições jurídicas, políticas e ideológicas.

3. (UFSJ) Para Caio Prado Jr., A observação de Engels: “O núcleo que encerra as verdadeiras descobertas de Hegel… o método dialético na sua forma simples em que é a única forma justa do desenvolvimento do pensamento”, revela

A) a herança da dialética hegeliana assumida por Karl Marx.
B) a filosofia de Marx com sua herança escolástica partilhada por Hegel.
C) a perspectiva dialética do Homem, que permite considerá-lo capaz de conceituar termos científicos no aspecto ou feição do Universo.
D) o tema central da filosofia, a saber, o desenvolvimento da dialética do ser humano, fator determinante do existencialismo contemporâneo.

4. (ENEM 2013) Na produção social que os homens realizam, eles entram em determinadas relações indispensáveis e independentes de sua vontade; tais relações de produção correspondem a um estágio definido de desenvolvimento das suas forças materiais de produção. A totalidade dessas relações constitui a estrutura econômica da sociedade – fundamento real, sobre o qual se erguem as superestruturas política e jurídica, e ao qual correspondem determinadas formas de consciência social.

MARX, K. Prefácio à Crítica da economia política. In. MARX, K. ENGELS F. Textos 3. São Paulo. Edições Sociais, 1977 (adaptado).

Para o autor, a relação entre economia e política estabelecida no sistema capitalista faz com que

A) o proletariado seja contemplado pelo processo de mais-valia.
B) o trabalho se constitua como o fundamento real da produção material.
C) a consolidação das forças produtivas seja compatível com o progresso humano.
D) a autonomia da sociedade civil seja proporcional ao desenvolvimento econômico.
E) a burguesia revolucione o processo social de formação da consciência de classe.

Respostas:

1: a; 2: c; 3: A; 4: B

Post escrito por Gilson Luiz Corrêa. Gilson é bacharel em Filosofia pela UNISUL, possui Licenciatura em Filosofia pela UFSC e em Psicopedagogia pela FMP. É professor do Colégio Catarinense. Facebook: https://www.facebook.com/gilsonluiz.correa