Faltam:
para o ENEM

Revolução Francesa (Parte 3) – História Enem

Estude sobre a fase do diretório da Revolução Francesa, período em que os Girondinos recuperaram o poder no Estado Francês.

Nesta postagem você encontrará um breve resumo sobre a fase do Diretório e Consulado do longo processo revolucionário francês, iniciado em 1789.

O diretório representa a retomada do poder por parte da alta burguesia após o Período do Terror jacobino. Todavia, poderemos verificar que esta nova fase esteve longe de garantir a estabilidade na nova política francesa visto que as ameaças de invasão externas permaneciam, enquanto internamente a revolução dava muitas mostras de que a coesão que permitiu a tomada do poder e queda da monarquia já não mais existiam.

Além disso, as lutas em defesa do território nacional tornaria famoso um jovem general Francês, que em breve passaria a atuar no cenário político, tornando-se inicialmente Consul e posteriormente Imperador da França, Napoleão Bonaparte.

Sabemos que o processo revolucionário francês foi deflagrado após o país ser mergulhado em uma crise fiscal e social sem precedentes, forçando a reação do chamado terceiro estado, cansado de bancar a boa vida que membros da nobreza e do clero, isentos de impostos, levavam a partir da manutenção de privilégios sociais com origem ainda no mundo feudal.

Igualmente sabemos que durante os primeiros anos da revolução a Assembleia Nacional representou mais os interesses da alta burguesia do que das classes populares, visto que a Declaração dos Direitos do Homem e Cidadão não ampliou o direito a participação política a todos os cidadãos e embora igualasse a todos perante as novas leis, os mais pobres ficavam a margem das decisões.

Assim sendo, ao longo de dois anos a falta de coesão entre os pensamentos de Girondinos (alta burguesia) e Jacobinos resultou na tomada do poder destes últimos, mais radicais, representantes dos interesses das classes populares.

Todavia, o terror imposto pelo Comitê de Salvação Pública e seus Tribunais Revolucionários resultaria na morte de milhares de cidadãos franceses, acusados de traírem o processo revolucionário. Desta maneira, as medidas populares implementadas pelos jacobinos tiveram curta duração, uma vez que em 1794 os Girondinos, novamente organizados deram inicio a chamada reação Termidoriana, eliminando Robespierre e os mais exaltados, e reinstituindo o voto censitário e outras deliberações que atendiam apenas aos interesses da alta Burguesia.

O novo regime de domínio dos Girondinos foi colocado em prática no ano de 1795 a partir da criação do Diretório e publicação da terceira constituição Francesa do período revolucionário. Aliada aos interesses da alta burguesia, como sabemos, essa nova constituição revogou a lei do preço máximo dos grãos, reintroduziu a escravidão nas colônias francesas e implementou novamente o voto censitário, excluindo novamente os menos favorecidos.

Entretanto, a situação fiscal francesa não era boa, sobremaneira porque além dos problemas internos, a manutenção das forças militares para manter a segurança do território, castigado pelas tentativas de invasão das demais monarquias europeias, encarecia o orçamento estatal, também muito prejudicado pela corrupção interna e apropriação de bens públicos por parte de particulares.

Além disso, embora enfraquecidos, jacobinos, sans-cullotes e monarquistas, cada qual a sua maneira, permaneciam protestando e tentando derrubar quem estivesse no poder. Desta forma, um jovem general Francês de origem burguesa tornava-se cada vez mais famoso por seus feitos militares na defesa do território. Seu nome era Napoleão Bonaparte e em 1795 ele era responsável por defender todo o território Francês.

A fama e, principalmente, o sucesso desse gênio militar fez com que o mesmo fosse convidado para integrar o poder executivo em 1799. No entanto, a situação de instabilidade política resultou em um golpe de Estado liderado pelo próprio Bonaparte em novembro do mesmo ano.

O diretório foi abolido, assim como todo o Parlamento da França. O Golpe de 18 de Brumário, para muitos historiadores significa o fim do processo revolucionário, sobremaneira porque o Consulado, novo regime de governo seria em breve substituído pelo próprio Napoleão Bonaparte, que auto intitulou-se Imperador da França.

Napoleão Bonaparte - Revolução Francesa
Napoleão Bonaparte no Golpe de 18 de Brumário. Pintura de François Bouchot

Inicialmente Bonaparte fragmentou o poder entre três cônsules, sendo ele mesmo o primeiro Consul Francês, visando solucionar a grave crise institucional que o país vivia devido a sua situação fiscal e algumas derrotas militares externas.

Tanto jacobinos, quanto monarquistas culpavam o Diretório pelos fracassos de ordem social, econômica, política e militar. Ao alterar a forma de governo, concentrando o poder, Napoleão Bonaparte lançou uma série de novas reformas com o intuito de recuperar a economia e a estabilidade social.

Entre as principais resoluções do Consulado estão o incentivo a industrialização, criação de postos de trabalho e infraestruturas públicas, retomada das relações com a igreja católica, reforma monetária, fiscal e educacional. Três anos depois um plebiscito tornou seu cargo de primeiro Consul vitalício e em 1804 uma nova consulta o transformaria em Imperador dos Franceses.

Para finalizar sua revisão, veja esta videoaula sobre o Diretório e Golpe de 18 de Brumário:


Exercício:

No contexto histórico da Revolução Francesa, o episódio denominado “O Golpe do 18 Brumário”, aconteceu

a) quando se inicia o regime do Diretório, período que se caracterizou pelos desmandos políticos.
b) no momento em que a Conjura dos Iguais propõe a tomada do poder à força e o fim da propriedade privada.
c) quando Napoleão, apoiado pelo Exército e pela alta burguesia, derruba o Diretório e chega ao poder.
d) no momento em que os monarquistas tentam voltar ao poder através de golpe, que foi sufocado por Napoleão Bonaparte.
e) quando Robespierre, Saint Just e seus companheiros do Comitê de Salvação Pública são mortos na guilhotina, pondo fim ao Terror.

Resposta: C

Bruno História
Os textos e exemplos acima foram preparados pelo professor Bruno Anderson para o Blog do Enem. Bruno é historiador formado pela Universidade Federal de Santa Catarina. Dá aulas de história em escolas da Grande Florianópolis desde 2012. Facebook e Twitter.