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Revolução Francesa (Parte 1) – História Enem

Neste post você estudará a situação da França no período anterior ao processo revolucionário e também saberá como foi o início desta importante revolução, que pôs fim ao absolutismo francês

A revolução francesa é um dos mais importantes marcos das relações políticas, a ponto de, na lógica do eurocentrismo, assinalar a mudança do que chamamos de História Moderna para História Contemporânea.

A Revolução Francesa eclodiu em 1789, colocando fim num longo periodo denominado Antigo Regime, em que o poder na França esteve organizado nos séculos XVI, XVII, e até praticamento o final do século XVIII, quando a ‘Queda da Bastilha’  no dia 14 de julho de 1789 demarcou a chegada dos novos tempos com a Revolução Francesa. O dito Antigo Regime determinou as relações sociais, políticas e econômicas a partir do ocaso da Idade Média, concentrando o poder nas mãos dos Reis Absolutistas e definindo as bases do mercantilismo, mantendo privilégios com origens feudais para as duas classes sociais de elite, clero e nobreza.

Por sua vez, a França do século XVIII era o país mais populoso da Europa, com cerca de 24 milhões de habitantes distribuídos entre os três estamentos sociais, onde o terceiro estado literalmente bancava através do pagamento de tributos as despesas e “boa vida” das elites, isentas de impostos. Veja na imagem acima a pintura “A liberdade guiando o Povo”, de Eugene Delacroix, uma representação da ruptura que foi a Revolução Francesa em relação ao Antigo Regime.

No plano filosófico o Iluminismo, doutrina filosófica baseada em valores burgueses, fazia duras críticas ao Antigo Regime (Absolutismo e Mercantilismo) e aos antigos privilégios feudais, tornava-se cada vez mais popular entre a burguesia francesa. Veja aqui uma aula sobre o Iluminismo, para você perceber como a força daquela geração de pensadores formulou ideias que ajudaram a mudar o mundo: Os IluministasO estado fiscal da França pré-revolucionária era precário, a balança comercial do país permanecia constantemente desfavorável, ou seja, as despesas eram superiores as receitas em até 100 milhões de libras esterlinas anualmente.

Além disso, invernos rigorosos seguidos de secas igualmente prejudiciais afetavam diretamente a produção de alimentos, gerando um ambiente de fome e miséria extremas para a população mais pobre. Soma-se a isso a derrota francesa frente aos ingleses na Guerra dos 7 anos, causando perda de territórios coloniais importantes para a “saúde” financeira da França.

Não bastasse isso, o governo Francês investiu recursos financeiros e humanos no processo de independência dos Estados Unidos da América, colaborando para o endividamento do país. Desta forma, o terceiro estado, que compunha a maioria da população francesa, uma vez que dos cerca de 24 milhões de franceses, apenas 120 mil pertenciam ao clero e por volta de 380 mil eram nobres, cada vez mais cobrava mudanças reais quanto ao sistema de tributação

. A nobreza e o clero possuíam o equivalente a 90% das terras, além de monopolizar a educação (clero), monopolizar os postos de oficiais do exército (nobres) e conservar outros privilégios sociais, como por exemplo a isenção de impostos. Veja na imagem acima o Terceiro Estado carregando o Segundo e o Primeiro nas costas.

Em resumo, a burguesia, classe social em ascendência desde o renascimento comercial tornava-se cada vez mais insatisfeita com a má distribuição dos recursos financeiros e o terceiro estado era também formado pelos demais trabalhadores, camponeses e classes populares em geral, flagelados pela fome e demais problemas sociais.

Esta situação de miséria extrema, injustiças sociais, influencia dos ideais iluministas e falência fiscal do país criou o ambiente propício para que o Terceiro Estado francês rompesse com as bases políticas e sociais através de um movimento revolucionário capaz de “implodir” o sistema político absolutista.

Dica 1: Video Aula sobre os antecedentes da revolução francesa:

Os Estados Gerais:

Na tentativa de solucionar a crise financeira o ministro das finanças francesas propôs que nobres e clérigos passassem a pagar impostos, entretanto, como era de se esperar, os membros do clero e da nobreza posicionaram-se contra. Em difícil situação, o Rei Luís XVI convocou uma reunião dos Estados Gerais, corpo de representantes dos estamentos sociais que não se reunia a pelo menos 175 anos, para que se votasse a proposta de cobrança de impostos as elites.

Todavia, a conformação dos votos não era favorável ao terceiro estado, maior interessado nas mudanças, uma vez que embora cada grupo possuísse 200 deputados cada, o voto era em bloco, ou seja, único para cada estamento. Assim sendo o clero e a nobreza votavam em conjunto, e o placar das votações costumava ser 2 contra 1. Por sua vez, o terceiro estado julgava que deveria possuir um numero maior de representantes, visto que compunham a maioria da população, ou que pelo menos o voto fosse individual e não em bloco, conforme explicitado acima.

Cada vez mais insatisfeitos, os representantes do terceiro estado separaram-se do grupo e se autoproclamaram como a Assembleia Nacional da França, e se antes o objetivo era estender a cobrança de impostos as demais classes, agora uma série de novas propostas que visavam a eliminação dos privilégios feudais e o próprio controle das ações reais através de uma constituição entraram na pauta. Dias depois, com a adesão de nobres e clérigos a Assembleia ganhava ares de constituinte.

A Queda da Bastilha

Todavia, embora Luís XVI vendesse a ideia de que apoiava os trabalhos da Assembleia, no intimo buscou criar dificuldades para que a constituinte saísse do papel. Dias depois o Rei ordenou que o exército dissolvesse a constituinte, o que foi suficiente para mobilizar as classes populares parisienses, que por sua vez partiram para o enfrentamento no dia 14 de julho, marco inicial da revolução, quando a Bastilha foi tomada pela população inflamada e agora armada, após saquearem os arsenais de Paris. Veja na imagem uma representação da Tomada da Bastilha: 

A Bastilha em si era um dos maiores símbolos do Absolutismo francês, pois a fortaleza sediava uma das prisões onde os inimigos do rei e da monarquia eram presos e torturados. No entanto, o objetivo ao tomar a fortaleza era saquear os estoques de pólvora para municiar os mosquetes e demais armamentos.

A queda da Bastilha ocorreu no dia 14 de julho de 1789 e é comemorada até os dias atuais naquele país. Além disso, durante a tomada da Bastilha os revolucionários inauguraram outra tradição que viria a se tornar uma das marcas do processo revolucionário quando o Governador da fortaleza foi decapitado pelos revoltosos.

A notícia da queda da Bastilha espalhou-se rapidamente por toda a França, levando a população das demais cidades de do campo a aderirem a revolução. Os cidadãos armados passaram a compor a chamada Guarda Nacional que tinha como objetivo salvaguardar a Assembleia Nacional Constituinte.

Exercícios:

1- Podemos apontar como uma das principais causas da Revolução Francesa:

A – As guerras de conquistas promovidas e comandadas por Napoleão Bonaparte.
B – A grande influência da burguesia e dos trabalhadores urbanos no sistema político da França.
C – As fraudes eleitorais que existiam na França durante as eleições para monarca e ministros.
D – A revolta de grande parte da população francesa (burguesia, camponeses e trabalhadores urbanos) gerada pelas injustiças sociais promovidas pela monarquia absolutista.

Resposta: D

2- Sobre o contexto histórico da França pré-revolução, é verdadeiro afirmar que:

A – O clero e a nobreza possuíam muitos privilégios, entre eles a isenção tributária (não pagavam impostos).
B – A estrutura social da população francesa não era estratificada.
C – Havia igualdade de direitos, sendo que não havia camadas sociais privilegiadas.
D – Não havia pobreza, nem miséria, pois existia uma justa distribuição de renda.

Resposta: A

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Bruno História
Os textos e exemplos acima foram preparados pelo professor Bruno Anderson para o Blog do Enem. Bruno é historiador formado pela Universidade Federal de Santa Catarina. Dá aulas de história em escolas da Grande Florianópolis desde 2012. Facebook e Twitter.