Sujeito Indeterminado: o que é e como identificá-lo

Diferente do que se pensa, o sujeito indeterminado não está na frase (nem expresso, nem oculto). Entenda mais na aula de Gramática.

O sujeito indeterminado frequentemente confunde os alunos, por conta de outro tipo de sujeito: o oculto. Dessa forma, devemos entender em primeiro lugar o que é um sujeito e as diferenças entre eles. Depois, vamos entender a diferença entre sujeito oculto e indeterminado.

O que é sujeito?

Desde já, vamos entender que o sujeito é a palavra que age no verbo. Ou seja, ela dá um formato a ele. Por exemplo: eu falo, nós falamos.

Esses verbos mudaram de forma porque os pronomes eu e nós agem neles, ou seja, são o sujeito. Não se esqueça de que o sujeito pode executar a ação ou sofrê-la. Nesse sentido são conhecidos, respectivamente, como sujeito agente e sujeito paciente.

Temos alguns tipos de sujeitos, como por exemplo o simples, o composto, o oculto, entre outros.

O que é sujeito indeterminado?

O maior problema em relação ao sujeito indeterminado é quando achamos que não é possível saber exatamente o que ou quem ele é.

Nota-se esse fato quando se analisa a frase “Alguém bateu à porta”. Afinal, não se sabe quem bateu à porta, não é possível determinar quem fez, por isso deduz-se que o sujeito é indeterminado.  Contudo, nesse caso, o sujeito é determinado.

A palavra que está agindo no verbo, que o deixa na 3ª pessoa do singular, é o pronome indefinido “alguém”. Portanto ele é sujeito determinado.

Sujeito indeterminado e oculto

Preste atenção ao que vou dizer agora: sujeito indeterminado não está na frase – nem expresso, nem oculto. A indeterminação do sujeito ocorre quando não se sabe se ele é singular ou plural. Mesmo que o verbo esteja conjugado em uma dessas formas: 3ª pessoa do singular ou do plural.

A indeterminação do sujeito pode se apresentar de duas formas: com verbos na 3ª pessoa do plural e com verbos na 3ª pessoa do singular mais o pronome ‘se’.

Veja os 2 exemplos de sujeito indeterminado:

A)  “Telefonaram para você.”

B)  “Trabalhase de dia, descansase à noite.”

Veja que em A o verbo está conjugado na 3ª pessoa do plural (eles) sem que apareça o pronome. No entanto, não se pode afirmar que o sujeito é oculto.

Isso ocorre porque não há como ter certeza de que foi mais de uma pessoa que telefonou. A mesma frase pode ser usada para a representação de que apenas uma pessoa ligou ou de que várias ligaram.

Em B, os verbos trabalhar e descansar estão conjugados na 3ª pessoa do singular acompanhados do pronome se, que nesse caso se chama índice de indeterminação do sujeito. É exatamente ele que transforma essas orações em sujeito indeterminado. Nesse caso, é necessário que o verbo seja intransitivo, transitivo indireto ou de ligação.

Se nós retirarmos o pronome se, teremos orações com sujeito oculto (ele): “Trabalha de dia, descansa à noite.”

Frases com sujeito indeterminado

Definitivamente, você só vai conseguir assimilar o que é sujeito indeterminado treinando. Por isso, confira mais algumas frases com sujeito indeterminado para treinar:

  • “Estão batendo à porta.”  “Assaltaram a vizinha.”  “Deixaram este envelope para você.”
  • Precisa-se de secretárias.” “Vive-se bem aqui” Era-se feliz naquela época.”
                       VTI                                   VI                                  VL

Em todas essas situações, nós podemos considerar que uma ou que muitas pessoas “executaram” a ação: “Estão batendo” pode ser uma pessoa a bater ou mais; “Era-se feliz” uma pessoa ou, provavelmente, muitas pessoas eram felizes. Isso é indeterminação do sujeito.

Assim, também resolvemos a dúvida se sujeito indeterminado é inexistente.

Por fim, veja uma videoaula sobre o sujeito indeterminado:

Fique ligado! Frequentemente, os vestibulares apresentam questões sobre esse assunto. A partir de agora, tenho certeza de que você não vai ter mais dúvidas sobre as questões de identificação de sujeito indeterminado.

Exercícios sobre sujeito indeterminado

TEXTO: 1 – Comum à questão: 1    

1 Mito, na acepção aqui empregada, não significa mentira, 2 falsidade ou mistificação. Tomo de empréstimo a formulação 3 de Hans Blumenberg do mito político como um processo 4 contínuo de trabalho de uma narrativa que responde a uma 5 necessidade prática de uma sociedade em determinado 6 período. Narrativa simbólica que é, o mito político coloca em 7 suspenso o problema da verdade. Seu discurso não pretende ter 8 validade factual, mas também não pode ser percebido como 9 mentira (do contrário, não seria mito). O mito político confere 10 um sentido às circunstâncias que envolvem os indivíduos: ao 11 fazê-los ver sua condição presente como parte de uma história 12 em curso, ajuda a compreender e suportar o mundo em que 13 vivem.

ENGELKE, Antonio. O anjo redentor. Piauí, ago. 2018, ed. 143, p. 24.

Questão 01 – (FUVEST SP/2019)

De acordo com o texto, o sujeito da oração “em que vivem” (Ref. 12-13), é:

a) Expressa indeterminação, cabendo ao leitor deduzir a quem se refere a ação verbal.

b) Está oculto e visa evitar a repetição da palavra “circunstâncias” (Ref. 10).

c) É uma função sintática preenchida pelo pronome “que” (Ref. 12).

d) É indeterminado, tendo em vista que não é possível identificar a quem se refere a ação verbal.

e) Está oculto e seu referente é o mesmo do pronome “os” em “fazê-los” (Ref. 11).

Gab: E

TEXTO: 2 – Comum à questão: 2    

A enzima comedora de plástico que pode revolucionar processo de reciclagem

Cientistas britânicos aperfeiçoaram uma enzima natural que pode digerir alguns dos plásticos mais poluentes do mundo

O tipo PET, mais comum em garrafas plásticas, leva centenas de anos para se decompor no meio ambiente.

A enzima modificada, conhecida como PETase, pode começar a desintegrar o mesmo material em apenas alguns dias.

Isso poderia revolucionar o processo de reciclagem, permitindo que os plásticos sejam reutilizados de forma mais eficaz.

O Reino Unido usa cerca de 13 bilhões de garrafas plásticas por ano, das quais três bilhões não são recicladas.

Originalmente descoberta no Japão, a enzima é produzida por uma bactéria que come o PET.

Ideonella sakaiensis

A Ideonella sakaiensis usa o plástico como sua principal fonte de energia.

Pesquisadores relataram em 2016 que encontraram a cepa vivendo em sedimentos em um local de reciclagem de garrafas na cidade portuária de Sakai, no sul do Japão.

“O PET passou a existir em grandes quantidades nos últimos 50 anos, então não se trata de uma escala de tempo muito longa para uma bactéria evoluir para comer algo criado pelo homem”, diz o professor John McGeehan, da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, que participou do estudo.

Poliésteres, o grupo de plásticos a que o PET (também chamado polietileno tereftalato) pertence, existem na natureza.

“Eles protegem as folhas das plantas”, explica McGeehan. “As bactérias estão evoluindo há milhões de anos para comê-los”.

Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/2018/04/a-enzima-comedora-de-plastico-que-pode-revolucionar-processo- de-reciclagem.shtml>.

Questão 02 – (USF SP/2018)

Sobre a estrutura sintática do texto, assinale a alternativa correta.

a) Em “a enzima é produzida por uma bactéria”, o termo “por uma bactéria” é o agente da ação verbal de “produzir”, portanto é classificado como sujeito simples.

b) Em “Poliésteres, o grupo de plásticos a que o PET pertence, existem na natureza”, a forma verbal “existem” tem sujeito inexistente, por isso se mantém na 3.º pessoa do plural.

c) Em “então não se trata de uma escala de tempo muito longa”, o sujeito de “trata” é indeterminado, já que o vocábulo “se” é um índice de indeterminação do sujeito.

d) Em “permitindo que os plásticos sejam reutilizados de forma mais eficaz”, “de forma mais eficaz” é um adjunto adverbial que expressa ideia de intensidade.

e) Em “na cidade portuária de Sakai”, a sequência “de Sakai” especifica de que cidade o autor trata, ou seja, é um aposto restritivo, razão pela qual deveria ser antecedida por uma vírgula.

Gab: C