Adjunto Adverbial, Adjunto Nominal e Vocativo: Termos acessórios da oração.

Veja as diferenças entre Aposto e Vocativo, e entre Adjunto Nominal e Adjunto Adverbial. Revisão completa sobre os Termos Acessórios da Oração. Estude com esta revisão de Português para o Enem, Concursos e Vestibulares!

Você sabe quais são os termos dispensáveis na oração? Eles não são nem essenciais como o sujeito ou o predicado, e nem integrantes como os complementos, objetos direto e indireto. Os termos acessórios são  o Adjunto Adnominal, o Adjunto Adverbial e o Aposto.

O vocativo, fora dessa categoria e por não fazer parte nem do sujeito e do predicado, é conhecido como termo isolado da oração. Hoje vamos aprender a reconhecer esses termos na oração e fazer alguns exercícios.termos-acessorios

O adjunto adnominal

O Adjunto adnominal é o termo da oração que se refere a um substantivo, com a função de determiná-lo ou caracterizá-lo, que é a função típica dos adjetivos. Uma dica: as palavras que funcionam como adjunto adnominal sempre vão combinar em gênero e número com o substantivo a que se referem.  Se formos tentar compreender a formação da palavra adjunto adnominal (ad/junto ad-), indica que é um termo que vem ao lado, junto do nome.

  • Veja os exemplos de Adjuntos Adnominais:
  • Comprei o material de um site famoso.
  • A atitude do professor foi correta.
  • A resposta do aluno foi satisfatória

Classes de palavras que podem funcionar como adjunto adnominal:

  • Pronomes > Aqueles meninos chegaram.
  • Locuções adjetivas > Meninos do interior chegaram.
  • Adjetivos > Meninos tristes chegaram.
  • Numerais > Dois meninos chegaram.
  • Artigos > O menino chegou.

Diferença entre adjunto adnominal e complemento nominal

Nas provas de concursos e de vestibulares caem questões sobre a diferença entre esses termos. A grande dificuldade em reconhecer cada termo acontece quando o adjunto adnominal é representado por locução adjetiva e fica muito parecido com o complemento nominal. Mas, saiba antes de qualquer coisa, que só vai acontecer isso quando o termo preposicionado pela preposição de estiver ligado a um substantivo abstrato. Vamos às dicas!

  • 1ª – Será sempre complemento nominal a expressão ligada a substantivo abstrato antecedida de qualquer preposição, exceto a preposição de.
  • Ex.: Tenho amor pela minha filha.
  • 2ª – Será sempre adjunto adnominal se a expressão preposicionada estiver ligada a um substantivo concreto.
  • Ex.: Comprei o material de um site famoso.
  • 3ª – Geralmente o adjunto adnominal mantém relação de posse com o substantivo.
  • Ex.: A atitude do professor foi certa. (a atitude pertence ao professor, há posse).
  • 4ª – Será sempre adjunto adnominal quando o termo, introduzido pela preposição estiver ligado a substantivo, tiver sentido ativo, ou seja, agente. E será sempre complemento nominal quando tiver sentido passivo.
  • Ex.: A resposta do aluno foi satisfatória. (O aluno deu a resposta: sentido ativo).
    A resposta ao aluno foi satisfatória. (O aluno recebeu a resposta: sentido passivo).

Termos acessórios: adjunto adverbial

Adjunto Adverbial é o termo da oração que se liga a um verbo com ou sem preposição, a fim de indicar uma circunstância qualquer ou intensificar o sentido do verbo. O adjunto adverbial pode também estar ligado a adjetivos ou advérbios, intensificando o sentido de ambos.

Ex.: O aluno comportou-se bem. (verbo: comportou-se; adj.adverbial: bem).
Os viajantes chegarão a São Paulo. (verbo: chegarão; adj.adverbial: a São Paulo).

Os adjuntos adverbiais também podem intensificar um adjetivo ou um advérbio

Ex.: Marina é muito estudiosa. (adj.adverbial: muito; adjetivo: estudiosa).
Sofia fala muito bem. (adj.adverbial: muito; advérbio: bem).

O adjunto adverbial pode exprimir inúmeras circunstâncias, basta lembrarmos dos tipos de advérbios ou lembrar da significação de algumas palavras no contexto da frase. Vejamos alguns adjuntos adverbiais mais cobrados em exames vestibulares:

Afirmação: Certamente passarei na prova.
Negação: Não vou desistir de meus sonhos.
Modo: Nadava bem.
Tempo: Cheguei cedo.
Lugar: Moro em São Paulo. Obs.: O adjunto adverbial de lugar também pode ser um local imaginário: “Cheguei à sala na hora certa, mas entrei atrasado no assunto”. Ou também pode indicar lugar e tempo: “Encontrei meu namorado numa festa”.
Dúvida: A velhice talvez tenha cura.
Intensidade: Ficou absolutamente realizado.
Causa: Morreu de tuberculose.
Concessão: A despeito dos problemas tivemos êxito.
Conformidade: Faça tudo conforme o combinado.
Finalidade: Estudou para a prova.
Instrumento: Cortou-se com a faca.
Condição: Sem educação, não há progresso.
Meio: Prefiro ir de ônibus a pegar avião.
Assunto: Falavam sobre política.

Fique ligado nas diferenças:

1 – Entre adjunto adverbial e adjunto adnominal: o adjunto adverbial vai sempre modificar um verbo, um adjetivo ou outro advérbio, já o adjunto adnominal modifica um substantivo.
2 – O adjunto adverbial pode ser confundido com objeto indireto por vir introduzido por uma preposição. Mas, a diferença está: o objeto direto apenas complementa o sentido do verbo transitivo indireto. (Ex.: objeto indireto: Não gosto de trem; adjunto adverbial: Viajei de trem (adjunto adverbial de meio)).
3 – A diferença entre adjunto adverbial e predicativo do sujeito é que esse último modifica um termo de valor substantivo. Ex.: O aluno continua sério. (predicativo do sujeito); O aluno falou sério com o professor. (adjunto adverbial de modo, modifica o sentido do verbo).

Termos acessórios: Aposto

Aposto é um termo da oração que se liga a um substantivo ou palavra com valor substantivo com a função de explicar, esclarecer, resumir ou desenvolver esses outros termos.

Ex.: Lúcia, aluna do oitavo ano, foi bem na prova.
Desejo-lhe uma coisa: felicidade. (está resumindo a palavra coisa).
Roubaram tudo: quadros, joias, dinheiro, documentos.

Existe um tipo de aposto que normalmente não vem separado por sinais de pontuação. É conhecido como aposto de especificação, como nos exemplos a seguir:

Ex.: A cidade de São Paulo sofre com as enchentes.
Ela morava na rua Itacema.
Navegavam pelo rio Amazonas.

Há seis tipos de aposto, vamos conhecê-los:

1) Explicativo: Machado de Assis, como grande romancista brasileiro, nunca foi superado.
2) Especificativo: Dona Carlota Joaquina causou muita polêmica ao vir para o Brasil.
3) Distributivo: Mussoline e Hitler foram dois cruéis ditadores, aquele com o sistema fascista este com o sistema nazista.
4) Enumerativo: Apenas três coisas me tiravam do sério, a saber, preconceito, antipatia e arrogância.
5) Resumitivo: Irei a Macau, Cabo Verde, Angola e Timor-Leste, lugares onde se fala português.
6) De uma oração: Pode se referir a uma oração inteira por meio de palavras sinal, coisa, fato, motivo, razão. Ex.: O noticiário disse que amanhã fará muito calor – ideia que muito me agrada.

Fique ligado nas diferenças:

1 – Aposto e adjunto adnominal: apesar de ambos se referirem a significação de substantivo, o aposto tem apenas correspondência semântica ao termo a que se refere, já o adjunto não tem e se retirarmos a preposição a qual acompanha o adjunto adnominal, a estrutura ficará com problemas de compreensão. Ex: A cidade de Manaus é muito quente. (se retirarmos a preposição “de” não afetará a compreensão da frase, mas se a frase fosse “O clima de Manaus é quente”, se retirarmos a preposição a frase ficaria incompleta e num contexto errado).
2 – O aposto não pode ser um adjetivo nem ter núcleo adjetivo, por isso não deve ser confundido como predicativo do sujeito. Ex.: Muito desesperado, João perdeu o controle. (predicativo do sujeito; o núcleo é desesperado e esse é um adjetivo); Homem desesperado, João sempre perde o controle. (aposto; núcleo: homem, que é um substantivo).

Termos acessórios: vocativo

Vocativo é um termo isolado dentro da oração (não pertence nem ao sujeito nem ao predicado), e serve para invocar, chamar, interpelar um interlocutor real ou não. O vocativo pode vir no começo de uma frase, no meio ou no fim dela. Normalmente é demarcado por sinais de pontuação, e representa um substantivo ou pronome substantivo.

Ex.: “Colombo, fecha a porta de teus mares!” (Castro Alves)
“Se oriente, rapaz, pela constelação do Cruzeiro do Sul”. (Gilberto Gil)
“Quando você me deixou, meu bem, me disse para ser feliz e passar bem.” (Chico Buarque)
“Ó, minha amada, que olhos os teus”. (Vinicius de Moraes).

Aposto e Vocativo: veja as diferenças!

O vocativo não mantém relação sintática com nenhum termo de uma oração, diferente do aposto que mantém. Isso quer dizer que o aposto dá sentido a algum termo na frase. Às vezes, o uso da vírgula faz toda a diferença para diferenciar esses termos.

Ex.: Solte os rapazes, senhor, urgentemente. (vocativo)
Os rapazes, amigos entre si, são honestos. (aposto)
Marcos, o professor de História chegou. (vocativo).
Marcos, o professor de História, chegou. (aposto, o professor de História tornou-se aposto de Marcos ou vice-versa).

Confira abaixo alguns exercícios sobre os termos acessórios das orações. Vamos praticar?

1 – (PUC – SP) “Um dia deu-me sono como a qualquer criança”. (Fernando Pessoa)

As palavras em destaque são, respectivamente:

a) adjunto adverbial – adjunto adverbial.

b) objeto indireto – sujeito.

c) objeto indireto – objeto indireto.

d) objeto indireto – objeto direto preposicionado.

e) objeto direto – objeto direto.

2 – (UFSC) Observe os períodos abaixo e assinale a alternativa em que o lhe funciona como adjunto adnominal:

a) “… anunciou-lhe: Filho, amanhã vais comigo.”

b) O peixe cai-lhe na rede.

c) Ao traidor, não lhe perdoaremos jamais.

d) Comuniquei-lhe o fato ontem pela manhã.

e) Sim, alguém lhe propôs emprego.

3 – Na oração: “Cláudia, uma mulher simplesmente notável, é a melhor mãe que uma criança poderia ter”, o termo destacado exerce a função sintática de:

a) complemento nominal

b) aposto explicativo

c) vocativo

d) aposto especificativo

e) adjunto adnominal

4 – (ENEM-2009) A figura a seguir trata da “taxa de desocupação” no Brasil, ou seja, a proporção de pessoas desocupadas em relação à população economicamente ativa de uma determinada região em um recorte de tempo.

Disponível em: http://www.ibge.gov.br. Acesso em: abr. 2009 (adaptado)
Disponível em: http://www.ibge.gov.br. Acesso em: abr. 2009 (adaptado)

A norma padrão da língua portuguesa está respeitada, na interpretação do gráfico, em:

(A) Durante o ano de 2008, foi em geral decrescente a taxa de desocupação no Brasil.

(B) Nos primeiros meses de 2009, houveram acréscimos na taxa de desocupação.

(C) Em 12/2008, por ocasião das festas, a taxa de desempregados foram reduzidos.

(D) A taxa de pessoas desempregadas em 04/08 e 02/09 é estatisticamente igual: 8,5.

(E) Em março de 2009 as taxas tenderam à piorar: 9 entre 100 pessoas desempregadas.

5 – (ENEM-2008) Assinale o trecho do diálogo que apresenta um registro informal, ou coloquial, da linguagem.

a) “Tá legal, espertinho! Onde é que você esteve?!”

b) “E lembre-se: se você disser uma mentira, os seus chifres cairão!”

c) “Estou atrasado porque ajudei uma velhinha a atravessar a rua…”

d) “…e ela me deu um anel mágico que me levou a um tesouro”

e) “mas bandidos o roubaram e os persegui até a Etiópia, onde um dragão…”

6 – (ENEM-2009) História em quadrinhos

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(Foto: Reprodução/ENEM)

Quanto às variantes linguísticas presentes no texto, a norma padrão da língua portuguesa é rigorosamente obedecida por meio

A) do emprego do pronome demonstrativo “esse” em “Por que o senhor publicou esse livro?”.

B) do emprego do pronome pessoal oblíquo em “Meu filho, um escritor publica um livro para parar de escrevê-lo!”

C) do emprego do pronome possessivo “sua” em “Qual foi sua maior motivação?”.

D) do emprego do vocativo “Meu filho”, que confere à fala distanciamento do interlocutor.

E) da necessária repetição do conectivo no último quadrinho.

7 – (ENEM-2009)

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Diante dos recursos argumentativos utilizados, depreende- se que o texto apresentado

A) se dirige aos líderes comunitários para tomarem a iniciativa de combater a dengue.

B) conclama toda a população a participar das estratégias de combate ao mosquito da dengue.

C) se dirige aos prefeitos, conclamando-os a organizarem iniciativas de combate à dengue.

D) tem como objetivo ensinar os procedimentos técnicos necessários para o combate ao mosquito da dengue.

E) apela ao governo federal, para que dê apoio aos governos estaduais e municipais no combate ao mosquito da dengue.

Gabarito:

1 – Alternativa C

2 – Alternativa B

3 – Alternativa C

4 – Alternativa A. A questão aborda diferentes aspectos gramaticais associados à norma padrão. Assim, a alternativa (B) apresenta a concordância inadequada do verbo haver (quando é impessoal, ele não vai para o plural); a alternativa (C) também apresenta uma concordância inadequada (a taxa de desempregados foi reduzida); a alternativa (D) apresenta um problema de pontuação (o adjunto adverbial está intercalado e, portanto, deveria vir entre vírgulas, de modo que o sujeito não fique separado do predicado: A taxa de pessoas desempregadas, em 04/08 e 02/09, é estatisticamente igual: 8,5); por fim, a alternativa (E) apresenta dois problemas: um caso de pontuação do adjunto adverbial deslocado e o uso do acento indicativo de crase (Em março de 2009, as taxas tenderam a piorar: 9 entre 100 pessoas desempregadas).

5 – Alternativa A. O trecho do diálogo que apresenta um registro informal, ou coloquial, da linguagem é o da alternativa A, pois o termo “tá legal” significaria “está bem” ou “tudo bem”. O mesmo pode ser encontrado no vocativo “espertinho”.

6 – ANULADA, já que duas alternativas respondem à questão: B e C.

7 – Alternativa C. A publicidade oficial utilizada faz-se extensiva não só aos governantes como a todos os cidadãos brasileiros. Contudo, é aos prefeitos que o texto é dirigido de maneira direta, como se pode ver pelo uso do vocativo “Sr. Prefeito” e pelo verbo em pessoa que indica um sujeito para as ações imperativas:  “organize mutirões, envolvendo líderes comunitários de sua cidade, para lutar contra a dengue” que, por imposição da concordância, deve ser preenchido por “O senhor”, “você”, “Vossa Senhoria”.

Os textos e exemplos acima foram preparados pela professora Su, com base em manuais gramaticais. A professora é Licenciada Plena em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Pará (UFPA).