Transplante de medula óssea: saiba como funciona. É Biologia Enem

Saiba o que é o transplante de medula óssea e para que serve este tratamento. Este post pode ajudar a salvar muitas vidas e também te ajudar no Enem!

Você já deve ter ouvido falar várias vezes dos transplantes de medula óssea. Provavelmente, no momento em que você lê este post deve estar relacionando este tipo de transplante ao tratamento da leucemia. Veja o conteúdo para o Enem, e também uma campanha de mobilização pela saúde do Rafinha.

E você está correto (a). Mas, não só a leucemia pode ser tratada com um transplante de medula óssea. Você sabe como o transplante funciona? Sabe como se tornar um(a) doador(a)? Não? Então, vem com a gente e saiba tudo sobre o assunto! Você pode ajudar a salvar uma vida e, de quebra, também aprender um pouquinho mais de biologia para arrebentar nas questões do Enem e dos vestibulares!

Você provavelmente já me conhece aqui do Blog do Enem – sou a professora Juliana Evelyn Santos, escritora dos conteúdos de Biologia do Blog do Enem. Inicio este post me apresentando, porque gostaria de te contar um pouquinho sobre a importância (e a grande motivação) deste post.

Acontece que, além de escrever conteúdos aqui no Blog, também atuo como professora de Ensino Fundamental e Médio em escolas da Grande Florianópolis. Em uma delas, em Biguaçu, atuo há quase dez anos. E, quando você é professora em uma mesma escola durante tanto tempo assim, você acaba criando relações de afeto com seus alunos. A gente os vê crescer, amadurecer e conquistarem seus objetivos. É quase uma relação maternal, afinal, às vezes nossos alunos passam mais tempo conosco do que com as próprias famílias.

Essa relação sempre me trouxe muitas alegrias e, claro, frustrações e preocupações. Especialmente quando sei que algum aluno meu está passando por problemas. E é exatamente isso que está ocorrendo agora: um dos meus alunos, do qual sou professora há três anos, está precisando urgentemente de um transplante de medula óssea. O Rafinha já luta contra o câncer há muito tempo, desde antes de ser meu aluno.

Apesar de toda a sua luta e dos efeitos gerados pela doença e pelos tratamentos, o Rafa sempre foi ótimo aluno e um colega querido por todos. No último mês o Rafa estava concluindo um longo tratamento quimioterápico, quando de repente, descobriu que sua leucemia havia voltado – e agressivamente. O seu único tratamento neste momento é um transplante de medula óssea. Para isso, ele precisa de um doador. Por isso escrevi este post.

Rafa, meu aluno querido que está precisando urgentemente de um transplante de medula óssea. #TodosPeloRafa
Rafa, meu aluno querido que está precisando urgentemente de um transplante de medula óssea. #TodosPeloRafa

Mas, o que é um transplante de medula e para que serve?

Na medula óssea (estrutura encontrada no interior de alguns ossos longos e chatos) há um tecido chamado de hematopoiético. É um tecido meio gelatinoso que chamamos popularmente de tutano. Este tecido é responsável pela produção dos elementos figurados do sangue – as plaquetas, as hemácias e os leucócitos.

Na medula, portanto, estão localizadas células que são capazes de se diferenciarem para formar diferentes estruturas sanguíneas e, por isso, são chamadas de células-tronco hematopoiéticas. São estas células que buscamos substituir em uma pessoa que precisa de transplante de medula óssea, tentando reconstituir uma nova medula saudável e retomar as funções normais das células sanguíneas.

Dica 1: Revise o sangue e suas estruturas: https://blogdoenem.com.br/biologia-enem-tecidos-conjuntivos/

Sendo assim, o transplante de medula óssea é indicado para pessoas que possuem alguma doença relacionada com a fabricação de células do sangue, problemas no sistema imunológico (uma vez que boa parte do nosso sistema imune é constituído pelas células brancas do sangue), problemas metabólicos, doenças autoimunes e vários tipos de tumores.

A leucemia é um exemplo desse tipo de doença. Neste caso, as células brancas são produzidas descontroladamente, gerando uma série de problemas no organismo. Mas, como disse acima, não só a leucemia é tratada com o transplante de medula. A epidermólise bolhosa, uma condição genética em que a pessoa não produz determinadas proteínas que mantém a pele ancorada ao corpo e gera feridas extremamente dolorosas pelo corpo, tem sido tratada experimentalmente com resultados bastante positivos.

Quais são os tipos de transplante de medula óssea?

Há dois tipos de transplante de medula óssea:  o alogênico e o autólogo. No autólogo, as células são provenientes do próprio indivíduo transplantado (receptor). Neste caso, o paciente não pode ter uma doença que afete diretamente sua medula, como em alguns tipos de linfoma, ou quando a doença não pode ser mais detectada na medula.

Já no transplante alogênico (caso do Rafa), as células-tronco são provenientes de um outro indivíduo que tenha compatibilidade com o receptor. Em geral, há maiores chances de encontrarmos compatibilidade entre indivíduos da família do receptor, principalmente entre irmãos. Caso não se encontre um doador familiar, começa a busca por doadores na população.

Dica 2: Revise o sistema imunológico com este super post: https://blogdoenem.com.br/sistema-imunologico-biologia-enem/

Como são obtidas as células-tronco para um transplante de medula óssea?

Muitas pessoas não se tornam doadores de medula óssea por medo de passar por procedimentos extremamente dolorosos na coluna vertebral. Isso não procede. Esse mito vem, provavelmente de uma confusão de nomes – por dentro da coluna vertebral passa a medula espinal, estrutura pertencente ao sistema nervoso que não possui relação direta com a medula óssea. A medula óssea, como o próprio nome já diz, é uma estrutura localizada na parte interna dos ossos. Para coletá-la de um doador há dois métodos:

Método  cirúrgico: Neste caso, o doador recebe anestesia geral e passa por uma pequena cirurgia. Durante o procedimento, são realizadas punções com agulhas nos ossos da bacia para a retirada de tecido. São puncionados aproximadamente 15 ml de tecido para cada quilo do doador. No dia seguinte ao procedimento o doador recebe alta.

Procedimento cirúrgico para retirada de medula óssea. Fonte: http://redome.inca.gov.br/medula-ossea/como-sao-obtidas-as-celulas-para-o-transplante/
Procedimento cirúrgico para retirada de medula óssea. Fonte: http://redome.inca.gov.br/medula-ossea/como-sao-obtidas-as-celulas-para-o-transplante/

Por aférese: Neste caso, o doador recebe medicamentos por cinco dias. Estes medicamentos irão estimular a proliferação de células-tronco hematopoiéticas circulantes no sangue. Assim, após este período, uma máquina de aférese (semelhante a utilizada na doação de plaquetas) colhe o sangue do doador, separa as células-tronco e em seguida devolve o sangue ao doador, sem prejuízo da sua saúde. Neste caso, não há necessidade de internação ou anestesia.

Há ainda uma terceira alternativa: as células-tronco de cordão umbilical. Neste caso, o sangue que fica dentro do cordão umbilical e da placenta, após terem sido separados do recém-nascido, é coletado. No hemocentro, as células-tronco serão separadas, congeladas e armazenadas. Hoje existem vários bancos públicos de células-tronco de cordão umbilical no país.

Eu, por exemplo, doei o cordão umbilical e a placenta do meu filho, há cinco anos atrás, para o hemocentro de Santa Catarina – o Hemosc. O procedimento foi muito simples: havia uma técnica do Hemosc na sala de parto que coletou o material e pediu minha autorização. Há também a opção de bancos particulares de células-tronco umbilical que cobram um valor considerável para coletar e armazenar este tipo de material.

Dica 3: Saiba mais sobre células-tronco com este super post: https://blogdoenem.com.br/biologia-enem-trangenico-clonagem/

Como você pode se tornar um(a) doador(a) de medula óssea?

O procedimento é muito simples e rápido. Eu mesma fiz o procedimento assim que completei 18 anos. Você só precisa ir até o hemocentro da sua região. Lá será coletada uma pequena quantidade de sangue que posteriormente será analisado. Após a analise desse material, seus dados passam a fazer parte do REDOME (Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea).

Esse banco de doadores pode ser acessado tanto nacionalmente, como também por outros países parceiros. Caso você seja compatível com alguém, você será contatado (a) e consultado(a) para saber se continua querendo doar sua medula. Caso queira, você passará por alguns exames para confirmação de compatibilidade e avaliação de sua saúde. Muito simples, não? É importante ressaltar que o banco precisa ser informado e atualizado sempre que seus contatos e endereços mudarem. Assim, o hemocentro poderá te encontrar quando houver necessidade.

Que tal se tornar um(a) doador(a)?

Agora que você já sabe como é feita a doação e como se tornar um(a) doador(a) de medula óssea, que tal se cadastrar no REDOME? O Rafa, assim como tantas outras pessoas neste momento estão dependendo desse gesto de solidariedade para seguirem em frente com suas vidas. Já pensou que coisa incrível você ter a oportunidade de salvar uma vida?

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Se este post te motivou a se tornar um(a) doador(a), poste uma foto sua fazendo seu cadastro no REDOME nas redes sociais com a hashtag #TodosPeloRafa. Esta atitude dará mais esperança ao Rafinha e à sua família.

Juliana Biologia Enem
Os textos e exemplos acima foram preparados pela professora Juliana Santos para o Blog do Enem. Juliana é formada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Santa Catarina. Dá aulas de Ciências e Biologia em escolas da Grande Florianópolis desde 2007. Facebook: https://www.facebook.com/juliana.evelyndossantos.