Como fazer a Redação do Enem: veja o passo a passo completo

A Redação do Enem vale, sozinha, 1000 pontos. Ter um bom desempenho na elaboração do texto dissertativo-argumentativo pode ser o passaporte para você vencer as Notas de Corte do Sisu, do Prouni ou do Fies para realizar o seu sonho.

Veja nesta aula: o roteiro básico sobre a Estrutura do texto dissertativo-argumentativo; os Requisitos do Ministério da Educação; as dicas para o Ponto de Vista, a Argumentação, e a Proposta de Intervenção; os 7 passos da Redação do Enem; e um Modelo de texto aprovado com a nota 1000 na correção oficial do Exame.

Para ajudar na preparação dos candidatos o Ministério da Educação publicou um Guia com os principais aspectos da Redação do Exame Nacional do Ensino Médio. Basicamente a orientação oficial sobre como fazer a Redação do Enem envolve a produção de um texto de até 30 linhas que apresente em sua estrutura os seguintes componentes:

Como fazer a Redação do Enem

A partir do Tema da Redação proposto no Enunciado e  com as informações complementares fornecidas pelos organizadores da prova o candidato precisa estabelecer uma Tese, que contenha o seu Ponto de Vista sobre a problemática

Em seguida é preciso apresentar os Argumentos para dar sustentação à sua Tese. Valem argumentos de confirmação e também de contra-argumentação para dar consistência no desenvolvimento.

E, ao final, o candidato fecha o texto com uma Proposta de Intervenção que sugere um encaminhamento ou solução para o problema apresentado no Tema original.

A Estrutura do texto dissertativo-argumentativo

Os professores dos cursinhos adotam uma proposta de Estrutura sobre como fazer a Redação do Enem que ajuda muito os  candidatos. É o macete dos ‘três parágrafos’. Não é uma fórmula magica, mas ajuda. Na prática a dica é você pensar o texto em três grandes blocos: 1 – Introdução; 2 – Desenvolvimento; e, 3 – Conclusão.

O texto dissertativo é temático, pois trata de análises e interpretações. Nesse tipo de texto a expressão das ideias, valores, crenças são claras, evidentes, pois é um tipo de texto que propõe a reflexão, o debate de ideias.

Naturalmente você vai perceber que estes três blocos se alinham com as exigências do MEC para que você tenha uma Tese e o Ponto de Vista, os Argumentos, e a Proposta de Intervenção. Veja na imagem:

A Estrutura da Redação do Enem

A objetividade é um fator importante, pois dá ao texto um valor universal, por isso geralmente o enunciador não aparece porque o mais importante é o assunto em questão e não quem fala dele. (fonte: As Características do texto dissertativo-argumentativo). Veja a seguir as características para cada bloco de texto:

1 – A Introdução da Redação

Não é sem razão que este parágrafo é chamado de introdução. É nessa parte do texto que você vai expor (apresentar) as principais questões a serem abordadas no restante do texto.  No primeiro parágrafo, o leitor terá uma dimensão geral do assunto e vai entender as razões pelas quais a discussão do problema é relevante.

E nessa hora que você deve envolver o leitor e ser criativo o bastante para instigá-lo a continuar a leitura. Uma boa forma de fazer isso é relacionar o tema a aspectos pessoais e/ou sociais. Mostre como essa questão pode afetar a vida do leitor ou como ele está relacionado a ela.

2 – O Desenvolvimento

Essa parte da sua redação pode ser resumida em uma única palavra: argumentação. É aqui que as informações mais polêmicas devem aparecer. Nesse espaço, você também pode dar voz a visões opostas sobre o assunto.

Tudo o que foi levantado na introdução deve ser discutido aqui. Meu conselho é que você reserve ao menos dois parágrafos para que todos os dados e referências fiquem claras para o leitor.  Desenvolva uma ideia diferente para cada parágrafo.

3 – A Conclusão

Se a palavra-chave do desenvolvimento é argumentação, no último parágrafo o termo que você deve ter em mente é solução. Você levantou uma determinada questão ao longo do texto, certo? Agora é a hora de apresentar as possíveis saídas para o problema. (fonte: Victor Toscano – https://goo.gl/PTXHMJ)

Aula Gratuita: Como fazer a Redacão do Enem

Veja agora com a professora Tharen Teixeira, do canal Curso Enem Gratuito, um resumo bem rápido e completo sobre a Estrutura da Redação do Enem. Em seguida veja os 7 passos do professor Vilson Rochenbach para uma Redação Nota 1000

Como fazer a Redação do Enem em 7 passos

O professor Wilson Rochenbach é um especialista na preparação de alunos para as provas de redação de concursos, de vestibulares e do Enem. Após muitos anos de experiência ele fez uma síntese em sete passos para você conseguir uma boa nota na elaboração do texto dissertativo argumentativo. 1) Planejamento – Depois de ler atentamente o texto-base e analisar o tema, planeje seu texto antes de qualquer coisa. Pense nas possibilidades de argumentos e só escolha aquele a respeito do qual você possa realmente discorrer. Às vezes, a ideia parece excelente, mas, só depois, você descobre que não consegue dissertar sobre aquilo. Não esqueça: a sua ideia tem que “dar pano para manga”.

2) O segredo da Introdução – Inicie sua redação elaborando a introdução. Nela, exponha sua tese (ponto de vista) e dois ou três argumentos que vão sustentá-la, apenas os apresente, não os desenvolva. A função da introdução é apresentar ao leitor as ideias principais que formam o seu texto.

3) Ponto de partida – A introdução é o ponto de partida. A tese apresentada na introdução e a ordem que você usou devem ser seguidas à risca no desenvolvimento. JAMAIS inicie o desenvolvimento sem que a introdução esteja concluída. Ela é a linha-mestra do seu raciocínio, ou seja, ela vai direcionar a sua abordagem.

4) Considere sempre o enunciado – Atenção ao que foi solicitado, você deve contemplar todos os aspectos referidos na proposta. Caso isso não aconteça, há a possibilidade de tangenciar o tema, ou seja, você abordar parcialmente o tema proposto. Isso pode causar um desconto de 50% do valor da sua nota final.

5) Desenvolvimento e Argumento – O primeiro parágrafo do desenvolvimento deve conter o primeiro argumento selecionado na introdução. Para ter certeza de que você não vai sair do assunto, apresente o tópico frasal que relaciona o argumento escolhido e o desenvolva.

Dica do Blog: Veja 10 exemplos de Redação Nota 1000. Textos aprovados com nota máxima no Enem.

Confita Textos Nota 1000
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6) Unidade e Consistência – O segundo parágrafo de desenvolvimento deve ser estruturado da mesma forma que o primeiro. Não se esqueça de que seus argumentos devem ser consistentes, a fim de conferir maior credibilidade à sua argumentação.

7) Conclusão e Posicionamento – Na conclusão, você deve retomar a tese para reforçar o seu posicionamento. Porém, se estivermos falando de ENEM, você tem que apresentar necessariamente uma proposta de intervenção. Isso significa que, se você não apresentar possíveis soluções, que devem ser plausíveis, para a problemática discutida ao longo do texto, será penalizado.

A Correção da Redação do Enem

Você tem um grande desafio na hora do rascunho e outro na hora de passar a limpo o seu texto dissertativo-argumentativo. Mas, na semana que antecede à prova, volte nesta aula, anote e coloque na parede os 7 passos sobre como fazer a redação do Enem, e observe se você contemplou todos eles nos seus rascunhos.

Na hora da correção oficial do Exame Nacional do Ensino Médio os avaliadores contratados pelo INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pequisas Educacionais), órgão do MEC que realiza o Enem eles vão avaliar estas cinco competências abaixo. Cada uma vale 200 pontos:

  1. Domínio da norma culta da Língua Portuguesa: Deixe de lado as gírias e abreviações.  Na Redação Enem será avaliada a sua capacidade de desenvolver o tema e o seu domínio da língua. Ou seja, fique atento à acentuação, pontuação e demais aspectos gramáticas.

  2. Compreensão da proposta de redação: Desenvolva a sua Redação Enem dentro do padrão dissertativo-argumentativo. Utilize o seu conhecimento sobre outras disciplinas e aproveite para expor também seu conhecimento de mundo, tudo o que você captou dos livros, músicas, filmes, noticiários entre outros.

  3. Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista: Além de observar seu conhecimento sobre o tema proposto na Redação Enem, a relevância dos seus argumentos e como você os desenvolveu vão ser levados em conta.

  4. Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários à construção da argumentação: O seu texto precisa demonstrar coesão e coerência. Será avaliado se o texto está bem estruturado, se um parágrafo não contradiz o outro, se as referências estão bem empregadas (por exemplo, a substituição de termos com a colocação de pronome, evitando a repetição excessiva de uma palavra.).

  5. Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos: Propor uma solução ao problema é uma boa opção para o desfecho do texto, ou seja, para a conclusão. Você demonstra que não somente visualiza o problema, mas que pensou em modos de resolvê-lo.

Então, você agora já tem os fundamentos sobre como fazer a Redação do Enem, e também já domina as cinco competências que serão observadas na hora a correção do seu texto dissertativo-argumentativo.

Modelos de Redação Enem Nota 1000

Exemplos de Redação Enem nota 1000

Para concluir, leia abaixo dois Modelos de Redação Nota 1000, ambos aprovados pelo MEC com a nota máxima na correção oficial do Enem 2017, que teve como tema  os Desafios para a formação de surdos no Brasil. Veja dois textos premiados:

Maria Juliana Bezerra da Costa – Aluna SAS

Em razão de seu caráter excessivamente militarizado, a sociedade que constituía a cidade de Esparta, na Grécia Antiga, mostrou-se extremamente intolerante com deficiências corpóreas ao longo da história, tornando constante inclusive o assassinato de bebês que as apresentassem, por exemplo.

Passados mais de dois mil anos desta prática tenebrosa, ainda é deploravelmente perceptível, sobretudo em países subdesenvolvidos como o Brasil, a existência de atos preconceituosos perpetrados contra essa parcela da sociedade, que são o motivo primordial para que se perpetue como difícil a escolarização plena de deficientes auditivos.

Esse panorama nefasto suscita ações mais efetivas tanto do Poder Público quanto de instituições formadoras de opinião, com o escopo de mitigar os diversos empecilhos postos frente à educação desta parcela social.

É indubitável, de fato, que muitos avanços já foram conquistados no que tange à efetivação dos direitos constitucionais garantidos aos surdos brasileiros.

 Pode- se mencionar, por exemplo, a classificação da Libras – Língua Brasileira de Sinais como segundo idioma oficial da nação em 2002, a existência de escolas especiais para surdos no território no Brasil e as iniciativas privadas que incluem esses cidadãos como partícipes de eventos – como no caso da plataforma do Youtube Educação, cujas aulas sempre apresentam um profissional que traduz a fala de um professor para a língua de sinais.

Apenas medidas flagrantemente pontuais como essas, contudo, são incapazes de tornar a educação de surdos efetiva e acessível a todos que necessitam dela, visto que não só a maioria dos centros educacionais está mal distribuída no país, mas também a disponibilidades de professores específicos ainda é escassa, além de a linguagem de sinais ainda ser desconhecida por grande parte dos brasileiros.

No que tange à sociedade civil, nota-se a existência de comportamentos e de ideologias altamente preconceituosos contra os surdos brasileiros.

A título de ilustração, é comum que pais de estudantes ditos “normais” dificultem o ingresso de alunos portadores de deficiência auditiva em classes não específicas a eles, alegando que tal parcela tornará o “ritmo” da aula mais lento; que colegas de sala difundam piadas e atitudes maldosas e que empresas os considerem inaptos à comunicação com outros funcionários.

Essas atitudes deploravelmente constantes no Brasil ratificam a máxima atribuída ao filósofo Voltaire: “Os preconceitos são a razão dos imbecis”.

Urge, pois, a fim de tornar atitudes intolerantes restritas à história de Esparta, que o Estado construa mais escolas para deficientes auditivos em municípios mais afastados de grandes centros e promova cursos de Libras a professores da rede pública – por meio da ampliação de verbas destinadas ao Ministério da Educação e da realização de palestras com especialistas na educação de surdos –, em prol de tornar a formação educacional deles mais fácil e mais inclusiva.

Outrossim, é mister que instituições formadoras de opinião – como escolas, universidades e famílias socialmente engajadas – promovam debates amplos e constantes acerca da importância de garantir o respeito e a igualdade de oportunidades a essa parcela social, a partir de diálogo nos lares, de seminários e de feiras culturais em ambientes educacionais.

Assim, reduzir-se-ão os empecilhos existentes hoje em relação à educação de surdos na Nação, e formar-se-ão cidadãos mais aptos a compreender a necessidade de respeito a eles, afinal, segundo o filósofo Immanuel Kant: “O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”.

Então, você percebeu a qualidade da Redação da Maria Juliana?

Mandar bem para obter uma Redação Enem nota mil exige dedicação. Mas, dá sim para chegar lá. Veja as dicas do Blog do Enem para você buscar este objetivo:

Quatro passos para a Redação Enem Nota 1000. Veja!

1A Estrutura da Redação
2Como fazer a Introdução da Redação
3Como defender um ponto de vista
4Três técnicas para fazer uma boa Conclusão

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Ana Beatriz Vasconcelos Coelho – Redação Enem nota mil –  Aluna SAS

No atual contexto social brasileiro, a inclusão de surdos nas instituições de ensino é um verdadeiro desafio que, muitas vezes, não é realizado de forma efetiva, gerando implicações negativas para toda a população. Essa situação fomenta uma atuação mais empenhada por parte do Poder Público e da sociedade em geral no sentido de evidenciar causas e de buscar soluções conjuntas para mudar a referida realidade.

Acerca dessa discussão, é válido ressaltar que, apesar da criação do Estatuto da Pessoa com deficiência, no ano de 2016, o qual garante um sistema inclusivo em todos os níveis de ensino para os indivíduos portadores de deficiência, o país ainda carece de escolas preparadas para acolher esses estudantes.

A referida precariedade tem como uma de suas causas a falta de preocupação das autoridades públicas em formar professores capacitados a oferecer aulas em libras, pois, apesar dessa forma de comunicação já ser reconhecida como a segunda língua oficial do país, ela ainda é pouco difundida.

Com isso, é possível inferir que, ao negligenciar o aprimoramento da formação educacional de surdos, o Estado não está agindo de acordo com o pensamento do economista Arthur Leuris, o qual afirma que, gastos com educação são investimentos com retorno garantido.

Ademais, outra grande dificuldade ao oferecer uma educação de qualidade para os surdos é o preconceito que eles podem sofrer. Segundo dados publicados no jornal Estadão, cerca de 77% dos deficientes já foram vítimas de alguma forma de agressão, como o preconceito.

Tal circunstância pode ser extremamente prejudicial para esses alunos, já que, o sentimento de inferioridade causado pode ser determinante para que haja a evasão escolar.

Portanto, cabe ao Estado voltar mais recursos para a criação de cursos que ofereçam aulas de libras para professores que desejam atuar no ensino de alunos surdos, isso pode ser alcançado por meio de uma administração de gastos mais responsável, visando a capacitação de mais profissionais aptos para exercer essa profissão.

Além disso, é dever da comunidade escolar realizar campanhas educativas sobre o respeito que todos devem ter pelos portadores de necessidades especiais, tais ações devem ser feitas por meio de “banners” e palestras com profissionais especializados no assunto, com o fito de diminuir a evasão escolar desses indivíduos e os casos de preconceito que eles sofrem.

Fonte dos textos: https://blogdoenem.com.br/redacao-enem-nota-mil-dicas/