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Hantavírus: entenda o surto no navio, sintomas, transmissão e risco de pandemia 

Jaqueline Padilha 12 maio, 2026 Atualizado em 12 maio, 2026 Avaliação:

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Depois da Covid-19 o mundo passou a olhar com mais atenção para novos surtos e possíveis epidemias. O medo de reviver uma nova pandemia se tornou parte da realidade de muitas pessoas. Por isso,...

Hantavírus: entenda o surto no navio, sintomas, transmissão e risco de pandemia 

Depois da Covid-19 o mundo passou a olhar com mais atenção para novos surtos e possíveis epidemias. O medo de reviver uma nova pandemia se tornou parte da realidade de muitas pessoas. Por isso, quando um novo surto viral acontece em qualquer lugar do mundo é comum acender um alerta imediatamente. 

Apesar de toda preocupação ser válida, é importante lembrar que vírus são microrganismos complexos e que não agem da mesma maneira. A humanidade convive com eles desde sempre, e nessas horas o conhecimento científico é a melhor forma de combater epidemias e principalmente a desinformação nesses momentos. 

Por isso, reunimos informações importantes sobre o surto que aconteceu no Navio MV Hondius e quais os reais riscos de uma nova pandemia. 

Cronologia do caso no navio 

  • No dia 1º de abril o navio com 149 pessoas saiu de Ushuaia (Argentina), rumo a Cabo Verde, país africano. 
  • Cinco dias depois, em 6 de abril, um passageiro começou a apresentar os primeiros sintomas. 
  • Dia 11 o primeiro passageiro morreu em decorrência do Hantavírus. Naquele momento não havia confirmação da causa e a suspeita era de uma gripe forte. 
  • Em 24 o navio chega na ilha de Santa Helena. No local, desembarcaram o corpo do Holandês morto, a esposa que o acompanhava já apresentava sinais da doença. Ainda no local, 29 passageiros decidem desembarcar por conta própria. Esses passageiros eram de diferentes nacionalidades.
  • Neste momento, vários passageiros já estavam contaminados, mesmo sem apresentar sintomas. No dia 2 de maio, um alemão morre sem diagnóstico confirmado e um suíço é diagnosticado com hantavírus,sendo transferido para a África do Sul para receber atendimento médico. 
  • A OMS confirma no dia 4 de maio que a cepa presente no navio é transmissível entre humanos. 
  • Navio chega em Cabo Verde no dia 6 de maio, mas o país se recusa a receber, alegando falta de estrutura para lidar com um surto viral. Após a negativa, o navio seguiu para as Ilhas Canárias, território Espanhol, após o governo da Espanha autorizar. 
  • No dia 8 de maio a OMS confirmou seis casos de hantavírus dentro do navio. Até este momento, oito casos foram confirmados. Desses três casos evoluíram para óbito. 
  • Após negociações com autoridades espanholas e locais das Ilhas Canárias, o governo espanhol autorizou o desembarque dos passageiros na Ilha no dia 10 de maio. Os passageiros estão sendo examinados e serão repatriados para seus países de origem após os procedimentos. A operação foi realizada por militares, pois nenhuma empresa privada aceitou realizar o transporte desses passageiros. 

Onde podem ter contraído? 

Como a cepa identificada no navio é originária da região andina, a principal hipótese é que algum passageiro já tenha embarcado contaminado.

Além disso, o ambiente fechado e compartilhado da embarcação pode ter favorecido a transmissão entre pessoas, especialmente por conta das características específicas dessa variante do vírus.

O que é o Hantavírus?

A hantavirose é causada por vírus da família Hantaviridae, com mais de 20 espécies de vírus, transmitidos principalmente por roedores silvestres.

Os ambientes considerados mais propícios para a sobrevivência do hantavírus são locais úmidos, fechados e com pouca luminosidade. Em contrapartida, o vírus não resiste bem a altas temperaturas e ambientes arejados.

Existem diversas subespécies catalogadas e, somente no Brasil, são pelo menos oito identificadas. Na maioria dos casos, a transmissão acontece do ambiente para os humanos.

No caso da cepa no navio, que é a dos andes – nome por ter sido identificada na região andina. Essa é uma das poucas variantes que acontece a transmissão entre humanos. 

Entretanto, a contaminação necessita de contato próximo e prolongado entre humanos contaminados em ambiente fechado, como foi o caso do navio.  

Como acontece a transmissão?

O hantavírus é encontrado em roedores silvestres, principalmente em ratos. A contaminação acontece quando uma pessoa inala partículas contaminadas presentes no ar,  derivadas de urina e fezes destes animais. 

Por isso as contaminações são mais comuns em áreas rurais, galpões abandonados e galinheiros frequentados pelos roedores. 

Até o momento, a única cepa que é capaz de transmitir entre humanos é exatamente a dos Andes, relacionada ao caso do navio. 

Como o Hantavírus se manifesta em humanos?

O principal problema do hantavírus é que os sintomas demoram para aparecer. O tempo tde incubação varia de 3 até 60 dias, embora a maioria dos casos apresente sintomas entre uma e cinco semanas após o contágio. 

Os sintomas iniciais são parecidos com os de uma gripe forte – febre alta, dores musculares, dor de cabeça, náuseas, vômitos e tonturas. 

No entanto, o quadro pode agravar rapidamente e evoluir para uma Síndrome Cardiopulmonar, condição grave que compromete os pulmões e o sistema cardiovascular. 

O fator preocupante é a alta taxa de letalidade da doença, que pode chegar até 40%. 

A taxa alta alta acontece porque o vírus provoca uma resposta inflamatória intensa e descontrolada do organismo, sendo necessário diagnóstico rápido e internação hospitalar. 

Ainda é importante lembrar, que surtos virais são comuns no mundo todo e com certa frequência. O que tornou este caso mais preocupante foi justamente a combinação dos fatores.

Corremos risco de uma pandemia? 

Segundo a OMS, não existe risco de uma pandemia semelhante à da Covid-19. 

As características dos vírus são diferentes e com riscos acompanhados há muito tempo. Inclusive, o hantavírus é conhecido, observado e acompanhado desde 1950 pela comunidade científica. 

Além disso, por ter um baixo índice de transmissão entre humanos e o hospedeiro inicial ser roedores silvestres, o risco de termos uma disseminação global do vírus ainda é considerado baixo.  

Existem casos no Brasil?

Sim. O Brasil registra vários casos de hantavírus, principalmente nas regiões sul, sudeste e centro-oeste. 

No país, a maioria das vítimas costuma ser formada por homens entre 20 e 39 anos que trabalham em atividades agrícolas e entram em contato frequente com ambientes onde há presença de roedores silvestres. 

Neste ano, uma pessoa morreu de hantavírus no Brasil. O caso aconteceu em Minas Gerais em Carmo do Paranaíba em fevereiro. A vítima era um homem de 46 anos que teve contato com roedores silvestres em uma plantação de milho. 

Como evitar a contaminação?

A principal forma de prevenção é evitar locais fechados e mal ventilados que possam conter fezes e urina de roedores, como paióis, casas abandonadas, celeiros e galinheiros.

Quando for necessário entrar nesses ambientes, a recomendação é utilizar máscaras, luvas e higienizar corretamente roupas e objetos utilizados no local.

Além disso, é importante manter ambientes limpos, evitar acúmulo de lixo e impedir o acesso de roedores aos alimentos.

Tratamento

Os hantavírus causam duas graves síndromes: uma renal hemorrágica, comum em cepas encontradas na Europa e Ásia; e outra pulmonar, mais ligada às Américas. 

Atualmente, não existe tratamento específico, nem vacina para a doença. Pacientes contaminados precisam geralmente de suporte clínico e acompanhamento do quadro.

Em muitos casos, é necessária internação em unidades de terapia intensiva (UTI). Além disso, pacientes infectados pela cepa andina devem permanecer isolados devido ao risco de transmissão entre humanos. 

Mesmo com acompanhamento médico, infelizmente a doença pode evoluir para óbito rapidamente, inclusive em pessoas jovens e saudáveis. 

Jaqueline Padilha

Jornalista formada pela UFSC e Redatora da Rede Enem.

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