Mobilidade Urbana – Tema de Redação Enem e vestibular. Veja.

Mobilidade Urbana é um dos temas mais quentes para a Redação dos vestibulares e do próximo Enem. No último século ‘o Brasil mudou do campo para a cidade’, e nas últimas décadas as ruas foram ficando cada vez mais engarrafadas. Confira:

Confira as dimensões do tema Mobilidade Urbana para a Redação do Enem, do Encceja e dos vestibulares. Veja como você pode construir o seu Ponto de Vista e desenvolver a Tese e  seus Argumentos para construir uma Proposta de Intervenção Social.

Congestionamentos: poluição, perda de tempo e de energia – As cidades brasileiras estão ficando com as ruas cada vez mais ocupadas por motos e automóveis. Os impactos negativos vêm sendo sentidos pela população com a perda da Mobilidade Urbana. Com o aumento recente da frota de veículos particulares no país, problemas como congestionamentos, mortes decorrentes da violência no trânsito, poluição e prejuízos econômicos ganham dimensão ainda maior.Mobilidade Urbana - Congestionamento em São PauloNas grandes capitais, leva-se em média mais de meia hora para chegar até o trabalho (IPEA, 2013). Entretanto, áreas de menor renda e menos populosas também vêm experimentando piora no tempo de viagem dos seus habitantes, seja por ineficiência de sistemas de transporte coletivo, seja pelo forte aumento na frota de veículos, que congestionam as vias públicas.

Incentivo para carros e motos

A frota de veículos cresceu em proporção maior que o de habitantes no país nos últimos anos. A população cresceu 12,3% entre 2000 e 2010 (IBGE). Mas, no mesmo período aumentou em 22% a frota de carros, em função do aumento da renda da população registrada nesses anos e dos incentivos do governo com a redução de impostos para aumentar a venda de carros e motos.

Apenas na cidade de São Paulo, estima-se que os prejuízos causados pelos gastos ocasionados pelos congestionamentos e o tempo produtivo perdido fique em torno de 40 bilhões por ano, de acordo com estudos da Fundação Getúlio Vargas. É uma dimensão econômica para o tema da Mobilidade Urbana na Redação do Enem.

Poluição e Mobilidade Urbana

Na dimensão ambiental, a poluição gerada pelos transportes individuais é mais forte do que a poluição gerada nos transportes públicos. A tabela a seguir mostra que um passageiro no transporte coletivo polui 17 vezes menos do que o motorista de um automóvel, por exemplo:tabela-de-poluicao-por-modal-mobilidade-urbana

A tabela acima foi criada pela ONG Rodas da Paz, e mostra a bicicleta com índice zero para a poluição ambiental. O Brasil tem políticas ainda incipientes para a implantação de ciclovias ou ciclofaixas. A cidade de São Paulo criou políticas para incentivar o deslocamento individual por bicicletas.  rodas_da_paz

No estado de Santa Catarina há uma tradição operária de ir pedalando para o trabalho nas fábricas nas cidades do Vale do Itajaí e da Região Norte. Mas, no conjunto do país, os números, ainda que crescentes de ciclistas, não são comparáveis à grande massa de usuários de transporte individual motorizado (carros e motos) e de transporte público movido a combustível fóssil.

Veja quatro passos para uma Redação Enem Nota 1000

1 – A Estrutura da Redação
2 – Como fazer a Introdução da Redação
3 – Como defender um ponto de vista
4 – Três técnicas para fazer uma boa Conclusão

Custos da Mobilidade Urbana para a saúde pública

O custo para a saúde pública também é expressivo, e mostra uma dimensão para análise do tema da Mobilidade Urbana na Redação do Enem. O Brasil é dos países em que mais se morre no trânsito em número absoluto (4ª posição mundial), e em termos proporcionais apresenta a taxa de 23,4 por mil habitantes, acima da média mundial, que é de 17,3.

Para além das mortes, há ainda em maior número as pessoas que sobreviveram com seqüelas à violência no trânsito, gerando desestabilizações familiares e custos para o sistema de saúde público e previdência social (goo.gl/2okF5U ).

Falta de prioridade para o transporte público

Mesmo com essas externalidades negativas, ainda não se investe suficientemente no aumento da eficiência do transporte público, seja para manter seus usuários ou para atrair novos e retirar carros de circulação. Os incentivos ao transporte individual motorizado (carro e moto), ainda são expressivos e se sobrepõe ao investimento dos governos para o transporte público.

Para se ter uma noção da dimensão, os custos com transporte coletivo, tanto privado como público, foram de 42,5 bilhões de Reais em 2014, enquanto que os custos com transporte individual, privados e públicos, foram de 173,5 bilhões no mesmo ano, mais que quatro vezes maior (goo.gl/R6nT5Y). Trens e metrôs superlotados são o resultado na Mobilidade Urbana pela falta de prioridade ao transporte público de massa. trem-superlotado

Famílias endividadas

Além dos subsídios e incentivos do poder público ao uso do carro, é de se registrar o aumento no endividamento das famílias para viabilizar o uso desse meio de transporte particular, numa tentativa de melhorar a qualidade do deslocamento diário, em função da baixa qualidade do transporte coletivo, salvo exceção de alguns municípios. O financiamento de veículos vem se consolidando como uma das três principais fontes de endividamento no país (CNC goo.gl/FshGr2).

Se quem tem uma renda intermediária muitas vezes endivida-se para dar conta de ter uma opção fora do transporte público de baixa qualidade (especialmente adquirindo motos), é ainda mais difícil atrair a população de alta renda para o transporte coletivo. Esta é mais uma dimensão social no tema da Mobilidade Urbana na Redação do Enem.

Desafios para toda a sociedade

Muitas vezes inclusive grupos de alta renda se opõem às intervenções urbanas que buscam melhorar os sistemas de mobilidade, como a criação de faixas e corredores exclusivos de ônibus e a redução dos limites de velocidade, que têm como resultado a diminuição das mortes no trânsito e a melhoria da fluidez do trânsito.

O conforto e a comodidade experimentados no deslocamento porta a porta com o automóvel particular são inibidores da mudança de comportamento para a adoção de meios de transporte mais sustentáveis e saudáveis.

Para além da resistência cultural, é forte o lobby da indústria automobilística por mais incentivos estatais, e muitas vezes, por uma própria questão de visão de mundo, gestores públicos priorizam e incentivam o uso do automóvel por vislumbrar nesse modelo de transporte o progresso e a ascensão social.

Mas como se vivencia no dia a dia dos centros urbanos, de carro o progresso pode acabar ficando preso num congestionamento e chegar mais tarde que o previsto.

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Jonas Bertucci e Renata Florentino

Este post sobre Mobilidade Urbana foi escrito para o Blog do Enem pela socióloga Renata Florentino Santos, doutora em Ciências Sociais pela UNICAMP, e pelo economista Jonas Bertucci, doutor em Sociologia pela UnB. Renata e Jonas são dirigentes das ONG Rodas da Paz, em Brasília. https://www.facebook.com/renata.florentino?fref=ts