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Iluminismo – Revisão de História e Filosofia: Enem e vestibular

O Iluminismo surgiu logo após o Renascimento Cultural. Entenda como ele influenciou a Revolução Francesa e a Independência dos EUA. Vale para História e Filosofia no vestibular e no Enem. Confira abaixo.

O Iluminismo – Veja como um grupo de pensadores mudou a cultura da Europa Ocidental no século XVIII. Com você, os filósofos e cientistas ‘Iluministas’. A França foi o berço do Iluminismo. Veja a raiz da Revolução Francesa, do lema ‘Igualdade, Liberdade, e Fraternidade‘, e da Independência Americana.

O movimento de ideias ocorrido no século XVIII, na Europa Ocidental, ficou conhecido como Iluminismo, Século das Luzes, ou ainda Ilustração. A origem do nome vem do latim “lumini” que quer dizer luz. Já nesse tempo, o fato de se ter uma ideia era considerado uma luz por se encontrar na busca de soluções ou saídas de qualquer problema. E, fato mais fato durante o dia, quando se tem claridade.

Precursores do Iluminismo – Ligado às características do Renascimento Cultural, o Iluminismo está vinculado diretamente ao desenvolvimento científico ocorrido durante o século XVII, com Galileu, Descartes, Newton e outros nomes. Se você quer se aprofundar, veja aula especial sobre O Pensamento de René Descartes, matemático e filósofo francês que criou a frase ‘Penso, logo existo’, e também a matemática do Plano Cartesiano.  rené descartes destacada

Confira também uma revisão especial sobre Galileu Galilei, físico e matemático italiano que comprovou cientificamente entre 1600 e 1610 que era a Terra que girava ao redor do Sol, e não o contrário, como defendia o pensamento católico dominante na época. Galileu confirmou no começo do século XVII as teses heliocêntricas com a observação feita pelo telescópio da orbita de satélites ao redor do Planeta Júpiter. Antes dele o padre e cientista Giordano Bruno foi queimado vivo numa fogueira porque defendia a mesma tese.

Galileu Galilei - Precursor do Iluminismo
Veja como Galileu Galilei foi precursor do Iluminismo ao mostrar que a Terra gira ao redor do Sol

O Iluminismo era um movimento filosófico, com participação da burguesia desejosa de mudanças, principalmente nos campos da política e economia; no primeiro plano criticavam o absolutismo e no segundo o mercantilismo. A influência do pensamento iluminista incentivou a Revolução Francesa, a Independência dos EUA e uma série de outros movimentos.

No Iluminismo valoriza-se o antropocentrismo e o racionalismo; na crítica ao absolutismo defende-se a monarquia parlamentar; exceto Rousseau que era defensor da República como forma de governo. Veja uma aula completa sobre o pensamento de Jean-Jaques Rousseau.

O ideal iluminista e seus reflexos

Os ideais iluministas abriram a cabeça da Europa e dos europeus que haviam migrado para o ‘Novo Mundo’ da America do Norte. As origens tanto da Revolução Francesa quanto da Independência dos Estados Unidos em relação à Inglaterra de então têm claras origens iluministas. A Constituição Norte-americana, por exemplo, é claramente iluminista.

O bordão ‘Igualdade, Fraternidade, e Liberdade’ nasce a partir do Iluminismo. Os valores ocidentais contemporâneos expressos na Declaração dos Direitos do Homem, no voto secreto, nas eleições diretas, no direito das mulheres, e na Democracia Ocidental são legados do Iluminismo e de pensadores da mesma época na Inglaterra.

Mas, três séculos depois, nos anos 2000,  uma série de movimentos terroristas internacionais de orientação islâmica radical denominados (principalmente) Al Qaeda, e Estado Islâmico, posicionaram-se contra os valores ocidentais iluministas, e abriram uma série de grandes atentados perpetrados contra a população dos Estados Unidos, França, Inglaterra, e da Espanha. Outros países de orientação aos valores ocidentais também foram alvo de atentados menores.  Veja uma aula completa sobre Terrorismo, Racismo, e Xenofobia, para você entender o cenário do terrorismo radical islâmico.  racismo xenofobia terrorismo destacada

Estado e Religião em trilhas separadas

A maioria dos filósofos iluministas eram anticlericais, pois em suas teses a Igreja e o clero deveriam sofrer grandes reformas; nenhum deles era ateu, no máximo Deísta, ou seja, cultuava Deus, mas sem uma religião; os pensadores iluministas que criticavam o mercantilismo e suas práticas ficaram conhecidos como filósofos econômicos.

Dica 1 – Entenda nesta aula de História Enem, como o movimento cultural iniciado na Itália no século XIV motivou o desenvolvimento humano independente da influencia religiosa. – https://blogdoenem.com.br/renascimento-absolutismo-historia/

No ataque às práticas mercantilistas, eram defendidos o livre comércio contra o monopólio, o fim das barreiras alfandegárias e do protecionismo e que o Estado não interferisse mais na economia, baseando-se no pensamento do chamado “laissez-faire, laissez-passer”, ou seja, deixa fazer, deixa passar; enfim a economia tem suas próprias leis e regras e andaria pelas suas pernas. Quesnay era o pensador francês desse discurso, sendo depois considerado um fisiocrata, junto com Gounay; por dizer que a riqueza de uma nação está em sua agricultura.

Outros pensadores da época são Adam Smith, com sua obra “A Riqueza das Nações”, que defendia a liberdade comercial e a concorrência sadia; para ele, o trabalho, aliado ao capital, é fator determinante de riqueza. Temos ainda Malthus, David Ricardo e Stuart Mill.

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Veja uma aula com o pensamento do Iluminista Jean-Jacques Rousseau

 Os filósofos iluministas

A difusão dos ideais iluministas foi possível graças ao apoio da imprensa que sempre era perseguida pelos governos, pois muitas obras eram proibidas de serem impressas; dentro desse contexto temos a criação da “Enciclopédia”, de D. Diderot e J.L. d’Lambert, que reunia todo o conhecimento até então sabido em uma grande obra; por inúmeras vezes os organizadores foram presos e muitos de seus verbetes foram feitos nas prisões.

Voltaire e o Despotismo Esclarecido

Considerado o maior dos pensadores do movimento iluminista, Voltaire era o mais rigoroso crítico do clero e da religião. Deixou várias obras, entre elas “Cândido”, “Tratado de Metafísica”, “Dicionário Filosófico”, “Cartas Inglesas”, etc. . Suas correspondências terminavam com o seguinte dizer: “esmagai a infâmia”

Quando perguntaram sobre sua amizade com a rainha da Rússia, Catarina, a Grande; dizendo que era injusto ser amigo de uma déspota, o pensador iluminista François Marie Arouet, conhecido como Voltaire, partiu em defesa da amiga, justificando: “ela é uma déspota, porém esclarecida”.  Voltaire reiterou que era amigo também de Frederico II, da Prússia. Nascia ali o binômio ‘Déspota esclarecido’.

Nascida na Alemanha e esposa de Pedro III, Catarina teve que governar com pulso forte, pois era estrangeira e mulher, além de ter ideias avançadas para a cabeça dos russos de sua época; por tudo isso sofreu uma série de problemas para governar, mas conseguiu cortar, ao que parece, todos eles, expandindo os domínios russos para a Crimeia, criando escolas, abolindo a pena de morte, a tortura para os presos e ainda protegendo as artes e letras. No final de reinado é que passou a tomar atitudes mais drásticas, cortando a amizade com Voltaire e perseguindo povos dominados, entre outras coisas mais.

Frederico II, da Prússia, conseguiu levantar o nome de seu país na Europa, tornando-o respeitado; desenvolveu a agricultura, o comércio, a indústria e expandiu seu território. Era metido a pintor e teve mais sorte na música, escreveu “O Anti-Maquiavel”, onde refutava vários princípios do afamado autor italiano.

Em Portugal temos a figura de Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal; que era secretário do rei D. José I. Entre suas realizações é importante citar a reconstrução de Lisboa após o terremoto de 1775; expulsou os jesuítas, acusando-os de tentar organizar uma república no Prata, A República Guaranítica.

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Os iluministas

A Revolução Industrial

O “Por Quê” da Inglaterra

Desde a Baixa Idade Média é que as indústrias veem seu início, na verdade não como as conhecemos hoje, mas como pequenas oficinas que produziam alguns produtos básicos ao consumo da época. Essas oficinas tinham a tendência a se unir em corporações que defendiam e lutavam por interesses comuns.

Durante o mercantilismo, certos países, como a França e a Inglaterra, já praticavam uma política de balança comercial favorável, acumulando assim capitais necessários para que se patrocinasse, ou se financiasse uma industrialização. Na França absolutista de Luís XIV, um ato do rei favoreceu os britânicos, o “Rei Sol” revogou o Edito de Nantes, que dava liberdade religiosa aos protestantes franceses, que passaram a sair de seu país, indo para os vizinhos Países Baixos e a Inglaterra, levando consigo quase todo capital que dispunham; isto abalou a economia francesa de certo modo, tirando-a da corrida industrial mais cedo; aliás, seria a França o primeiro país a se industrializar se não fosse tal ato do rei.

Na Inglaterra, muito pelo contrário, a monarquia parlamentar trabalhava na maioria das vezes em conjunto, onde ambos os interesses eram atendidos, tanto os da burguesia, quanto os da nobreza. As revoluções burguesas do século XVII colocaram a burguesia no poder e obviamente ela passou a fazer leis que lhes dariam alguma vantagem.

Com o poder político nas mãos, o fortalecimento do poder econômico seria uma coisa lógica, pois os ingleses já praticavam o mercantilismo comercial, com sua frota marítima e depois da derrota dos espanhóis, tornaram-se reis dos mares. O acúmulo de tal prática comercial deu um impulso ao processo de industrialização da Inglaterra. A primeira condição estava feita, a burguesia era forte, política e economicamente. Além disso foi criado o Banco da Inglaterra, que era responsável pelos financiamentos e recursos dados às indústrias.

Dica 2 – Sabe tudo sobre a Alta Idade Média, Europa Feudal e a Baixa Idade Média? Confira nesta aula de História para o Enem e fique preparado para o Exame! – https://blogdoenem.com.br/idade-media-historia-enem/

Havia no território inglês jazidas de carvão mineral e ferro, que contribuíram para o desenvolvimento da força motriz e dos maquinários. Se os ingleses já eram donos de um certo mercado consumidor de seus tecidos, o barateamento desses facilitou ainda mais a expansão de sua área de atuação.

Outro motivo foi o crescimento da consciência da importância da terra. Os donos de propriedades rurais passaram a entrar no capitalismo rural e, através do chamado “Enclosure Act”, iniciaram um “cercamento” das terras ditas comunais, expulsando os servos e camponeses, principiando um grande êxodo rural. Toda essa massa populacional passou a se dirigir para as cidades, que absorviam essa mão de obra nas indústrias nascentes, que, por sua vez, se aproveitavam do grande contingente que chegava. A mão de obra havia se tornado abundante, barata e não especializada, o que acarretou uma exploração.

O Processo

Com a Revolução Industrial surgiu uma nova classe social, o operariado ou proletariado; o nome advém respectivamente do trabalho nas máquinas e do grande número de filhos que tinha. A exploração de sua mão de obra era intensa, pois os proletários só a vendiam, já que não possuíam os meios de produção.

Durante toda a Idade Moderna, ocorreu uma mudança nos meios de produção, do artesanato para a maquinofatura, passando pela manufatura. No primeiro caso, o artesão é dono da matéria-prima, das ferramentas e da venda de seu produto; na manufatura, ele só possui as ferramentas, sendo contratado para o trabalho, não ficando com o produto final e nem sua venda; na maquinofatura, o operário vende a sua mão de obra, operando uma máquina que não é sua e de um produto que não vai vender e nem ganhar parte da venda; com isso dá-se a separação do trabalho e do capital, o primeiro com o operário e o segundo com o burguês industrial.

A exploração se faz intensa com jornadas médias de 18 horas diárias de segunda a sábado, com três paradas médias. Os salários eram baixos e muitas vezes os operários eram obrigados a morar em uma vila da fábrica em que trabalhavam, comprando roupas e mantimentos da mesma, tudo descontado de seu ordenado.

As condições de moradias são péssimas, com aglutinações de famílias em espaços sem nenhuma higiene. O uso da força de trabalho feminina e infantil torna-se rotina e o número de acidentes de trabalho vai ficando alto, a ponto de, em certa época, 12% da população inglesa ter algum defeito físico, na maioria da vezes causado por acidentes dentro do emprego.

Consequências

A mais lógica delas foi o fato de que, com a industrialização, a Inglaterra passou a ser a principal nação do mundo dominando as demais no campo geopolítico. As outras são mais sociais, como o nascimento de movimentos da classe operária.

O primeiro deles podemos dizer que foi o movimento dos “ludistas”, em que um grande número de desempregados passou a destruir as máquinas nas fábricas, considerando-as culpadas pelo seu desemprego. Com a liderança de um tal John ou Ned Ludd, ainda chamado de General Ludd; os seguidores começaram a andar pelo interior da Inglaterra, destruindo os maquinários. A captura desses participantes era difícil, mas o movimento foi de duração pequena e para muitos historiadores era mais um “arrastão”.

A forma mais forte de reivindicação operária foi as “trade unions”, consideradas precursoras dos sindicatos trabalhistas. Tudo teve início com os tosadores de lã, que pediam melhores salários; os seus patrões não atenderam e eles então cruzaram os braços. Ao ver que necessitavam de pessoas especializadas para o serviço, os patrões tiveram que ceder aos pedidos de seus empregados, obviamente conscientes da especialização de sua mão de obra. Isto levou os empregados a analisar a sua produtividade e especialização, reunindo-se em pequenas organizações.

A Revolução Francesa

Causas

A situação da França às vésperas da revolução era péssima, gastos excessivos da corte, gastos com guerras (dos Sete Anos e da Independência dos EUA), corrupção administrativa, crise social por causa do feudalismo existente, uma sequência de más colheitas e o absolutismo monárquico.

A situação econômica estava em crise e, para solucioná-la, o rei Luís XVI tinha alguns bons conselheiros; a crise vinha de seus antepassados, tais como Luís XIV que tinha envolvido a França em diversas guerras, além de ter construído Versalhes. Luís XV gastava sempre mais do que podia, sendo de sua autoria a frase “Depois de mim, o dilúvio”, representando bem suas preocupações para com os gastos reais; herdeiro dessa crise, Luís XVI pagou caro pela sua ineficiência.

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Liberdade, Igualdade, e Fraternidade

A sociedade era dividida tal como durante a era medieval: clero (Primeiro Estado), nobres (Segundo Estado) e os comuns, chamados de Terceiro Estado, onde se aglutinavam burgueses, operários camponeses e servos, logicamente seguidos da “ralé”, que nunca se contava, tais como pobres, mendigos e desocupados, em geral.

A crise estava piorando e os ministros eram limitados pelo poder real. Nesse tempo Turgot se demitiu por pressão dos nobres que eram contra as reformas tributárias propostas por ele; indicado Calonne, este reuniu os “notáveis”, ou seja, o clero e a nobreza e propôs a abdicação dos privilégios tributários e que passassem a pagar impostos, fato que gerou controvérsias e críticas severas, inclusive revoltas em algumas regiões.

O novo ministro Necker, banqueiro de origem burguesa, vendo a situação e os seus limites de atuação devido à “Revolta dos Notáveis” (1787) contra seu antecessor Calonne, resolveu pedir que o rei convocasse a “Assembleia dos Estados Gerais”. A última vez que a dita Assembleia tinha se reunido havia sido em 1614, o que gerou uma agitação forte, sobretudo na burguesia e no povo, que teriam agora a chance de serem ouvidos; a reunião aconteceu em maio de 1789.

Dica 3 – Revise sobre Esparta, Atenas, O império e os principais pontos da civilização grega – História Enem – https://blogdoenem.com.br/civilizacao-grega-historia-enem/

Os anseios por palavras eram fortes; representantes de toda a França eram eleitos e estavam se dirigindo a Paris. O número de representantes do Terceiro estado havia crescido, porém todos foram informados que o voto seria por estado, o que daria vitória à nobreza e ao clero, que não queriam reformas para si. O Terceiro Estado queria o voto por cabeça, o que daria grande vantagem aos seus representantes, pois o seu número de deputados era de cerca de 580 deputados, e a nobreza tinha mais ou menos 270, já o clero possuía algo em torno de 290 representantes; se considerarmos os votos da nobreza esclarecida e do baixo clero, o Terceiro estado teria grandes aliados no processo de votação.

Dada à decisão do voto por estado, em junho de 1789, o Terceiro estado reuniu-se em separado e devido ao pretexto por parte do rei de reformas nas salas onde haveria sua reunião, os deputados do Terceiro estado se reuniram na sala da péla (esporte que era uma espécie de antecessor do atual tênis), recebendo ali a adesão do baixo clero e da nobreza esclarecida ou iluminista; passou a se denominar Assembleia Nacional Constituinte, sem saída, o rei é obrigado a aceitar o fato. O rei procurava juntar tropas enquanto os deputados prometiam só se dissolver após a promulgação de uma Constituição para a França.

Com a formação da milícia de Paris, a procura de armas faz o povo tomar a fortaleza da Bastilha; no campo, com as novas notícias, os camponeses passam a atacar a nobreza, queimando títulos e destruindo seus domínios. Visando conter o movimento, é feita a abolição dos direitos feudais da nobreza e do clero no começo de agosto, e no fim do mesmo mês é aprovada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, onde é defendido o direito à liberdade, a igualdade perante a lei, a inviolabilidade da propriedade privada e o fim da opressão.

No ano seguinte (1790) foi aprovada a Constituição Civil do Clero, por onde o clero passaria a ser considerado como parte do funcionalismo público e todos os seus bens seriam administrados pelo governo e suas propriedades e etc., confiscadas ao Estado; inclusive mudaram o calendário, sendo este agora ligado à natureza. Em algumas partes do reino tal medida provocou uma onda de revoltas que foram vencidas pela Revolução. Somente em 1791 é que ficou pronta a Constituição, com voto censitário, monarquia parlamentar, fim do feudalismo, privilégios e proclamou-se a igualdade civil.

O rei tentou então procurar apoio de monarcas vizinhos que estavam preocupados com a possibilidade do alastramento das ideias da Revolução em seus países. Passou então a conspirar contra a Revolução, tentou fugir, mas foi preso na fronteira, e iniciou-se uma vigilância sobre a figura real. O movimento popular crescia e os girondinos ligados à burguesia queriam conter o povo, os jacobinos ligados à baixa burguesia queriam mais reformas e a nobreza junto com o clero, chamados de feuillants, procuravam ganhar tempo.

A Convenção

Vários movimentos eclodiram em diversas partes da Europa, o que provocou uma onde reacionária e a ameaça de uma invasão à França aumentava. Ela aconteceu graças ao apoio do rei e de sua aristocracia que nas batalhas não faziam força para vencer, porém, as posições foram se radicalizando e as massas passaram a acusar a nobreza de traição, iniciando os chamados “massacres de setembro”.

Cartas que comprometiam o rei foram achadas e com a vitória do exército nacional os ânimos cresceram e frente à traição real foi proclamada a república; nasce a Convenção e com a votação vem a vitória dos jacobinos; o rei foi julgado e guilhotinado em janeiro de 1793, uma nova representação foi eleita pelo voto universal masculino, reformas são feitas, como o fim da escravidão nas colônias, ensino primário obrigatório, preços tabelados, e os bens de nobres imigrados foram confiscados. Uma coligação antifrancesa foi criada pela Holanda, Inglaterra e o Sacro Império. Para combater os inimigos da Revolução foram criados os tribunais de Salvação Pública e de Segurança Nacional.

O radicalismo estava aumentando e surge o “Terror”, período onde, tentando conter a oposição, os jacobinos apelam à guilhotina, executando mais de 15 mil pessoas, fora os que morreram nas prisões.

O Diretório

Mandando os moderados (Danton) e os exaltados (Hérbért) à morte, Robespierre, líder dos jacobinos, virava um ditador e somente devido ao sucesso das campanhas militares é que a tensão diminuíra; o medo era grande e fez com que o povo não apoiasse mais os jacobinos; então Robespierre é deposto pelos girondinos em julho de 1794; com o golpe (09 de Thermidor), o poder ficou nas mãos de oportunistas e uma nova Constituição seria feita; foi criado o Diretório e fechados os clubes dos jacobinos.

Nesta época surgiram os realistas, que defendiam a volta da monarquia e dos ultrarrealistas, que queriam a volta do absolutismo.

O Diretório era fraco e corrupto, sofrendo tentativas de golpes tanto da direita realista, quanto das esquerdas; um desses golpes foi o de Gracco Babeuf, a Conspiração dos Iguais, onde seria implantado o comunismo total na França. Napoleão Bonaparte havia abafado um golpe realista, caindo nas graças dos diretores. Em 1798, os jacobinos venceram as eleições e, com medo de novas mudanças, os diretores prepararam um golpe para Napoleão dar; relutante, mas no final com o apoio da burguesia em novembro de 1799, a Revolução e o Diretório findaram no chamado “18 de Brumário”; iniciava-se assim a era napoleônica.

Era Napoleônica e o Congresso de Viena

A Era Napoleônica

Com o golpe de 18 de Brumário, Napoleão sobe ao poder, contudo, limitado pelos outros dois cônsules, o abade Sieyès e Roger Ducos, o consulado trino preparava o poder nas mãos do jovem oficial corso. De trino o consulado transformou-se em uno e daí para vitalício; na verdade era uma ditadura disfarçada, porém que não encontrava adversários fortes.

O império foi criado em 1804, com ampla aprovação e, apesar de existir uma Constituição, o governo era despótico e no princípio foram feitas várias medidas para organizar o país abalado pela revolução; a maior realização dele foi o Código Napoleônico ou Código Civil, baseado no Direito Romano, nas Ordenações Reais e no Direito Revolucionário; na França, esse código em sua essência ainda vigora em nossos dias.

Napoleão teve que enfrentar outra coligação de nações contrárias à França, com isso iniciou-se uma luta contra a Inglaterra, Rússia e o império Austríaco. Com vitórias em terra, não encontrou oponentes, só no mar é que perdia para os ingleses. Em 1806, na cidade de Berlim, decretou o Bloqueio Continental, onde todos os países europeus deveriam parar de fazer comércio com os ingleses, fechando assim os portos àquela nação. O Bloqueio visava derrotar a Inglaterra por via econômica e favorecer os produtos franceses que ocupariam o lugar dos ingleses por todo o continente europeu, levantando assim a economia francesa e seu recente processo de industrialização.

De início o bloqueio funcionou, mas aumentou o número do contrabando de produtos ingleses, e os furos na adesão ao Bloqueio, principalmente de Portugal, que não entrou para o dito Bloqueio, provocaram uma política de punição e consequentemente a invasão de várias nações, incluindo aí o reino luso, provocando a fuga da família real para o Brasil.

O natural desgaste de Napoleão levou-o a um número considerável de derrotas e seu fim em Leipzig (1813). A França foi tomada pelos aliados, que restituíram a monarquia Bourbon com Luís XVIII, irmão do rei guilhotinado. Preso na ilha de Elba, depois de algum tempo na prisão, Napoleão foge e volta ao poder sem encontrar uma resistência forte; tal período fica conhecido como os “Cem Dias”, contudo, devido à realização de uma nova coligação anti-Napoleão, foi para Waterloo na Bélgica, onde ele foi derrotado e levado preso para a ilha de Santa Helena, no meio do Atlântico Sul. Para solucionar os problemas causados pela política imperialista de Napoleão e prevenir novas revoluções de caráter liberal foi realizado o Congresso de Viena em 1815.

O Congresso de Viena

O congresso realizado tinha a função de reorganizar o mapa da Europa, abalado pela Revolução Francesa e pela Era Napoleônica, tentando apagar todas as conquistas da burguesia liberal, visando assim instalar o absolutismo e ter uma postura conservadora na política.

Reunido em setembro de 1814, durou até junho de 1815. Várias divergências entre os ministros e plenipotenciários facilitaram a ação do ministro francês Talleyrand, que, para não ver retaliações sobre seu país, defendeu o “princípio da legitimidade”, segundo o qual, todas as nações europeias deveriam ter as mesmas fronteiras de antes da Revolução de 1789, procurando um equilíbrio entre as nações europeias.

Visando combater os movimentos revolucionários no continente foi criada a Santa Aliança, onde a Rússia, Prússia e a Áustria fariam um acordo militar de ajuda mútua que, depois, teve a adesão da França e mais tarde da Inglaterra. Portugal e Espanha entraram também, o que levaria à possibilidade de luta para as colônias americanas, pois elas visavam à manutenção dessas.

A Santa Aliança entrou em ação em diversos momentos dentro do continente europeu, no entanto, não conseguiu deter o processo de independência das colônias latino-americanas, mas, por causa da atuação inglesa, que ajudava os colonos visando ao seu vasto mercado consumidor e também por brigas e rixas internas entre os países do Velho Continente.

A Independência Latino-Americana

Quando Napoleão Bonaparte invadiu a Espanha, ele colocou seu irmão José no trono espanhol, o que causou sérios desagrados em todo país e também nas colônias, onde parte se declarou fiel ao rei deposto, mas começaram a eclodir movimentos separatistas em toda a América espanhola; estes colonos pensaram que, por causa da invasão napoleônica, a Espanha não teria como resistir, contudo, o contrário aconteceu e a guerra se tornou uma realidade para os colonos latino-americanos.

A Revolução Industrial fazia com que a Inglaterra necessitasse de novos mercados consumidores de seus produtos industrializados e por isso passou a apoiar o processo de independência das colônias espanholas; de outro lado estavam os EUA, que queriam o fim da intervenção europeia na América, fato iniciado com a “Doutrina Monroe”, onde se dizia a frase: “América para os americanos”, no caso os norte-americanos, devido à dubiedade do significado e aplicação da palavra “american” em inglês. Havia as influências dos ideais iluministas e das Revoluções Francesa e Americana, que incentivavam os revoltosos.

A elite rural da América espanhola, denominada “criolla”, estava descontente com seu papel nas colônias, que eram dominadas pelos “chapetones”, espanhóis vindos a fim de administrar os vice-reinos e capitanias gerais. A diferença de privilégios não era grande , mas marcava um certo distanciamento entre as classes, o que, lógico, provocava um desagrado e por isso a elite local passou a conspirar contra a sua metrópole.

Os líderes do processo eram de toda a América. San Martin, Simon Bolívar, Sucre e Bernardo D’Oggins foram heróis das independências das ex-colônias espanholas. Com a ajuda militar inglesa, que enviou navios para apoiar as lutas em terra, os latino- americanos acabaram por vencer a luta. Contudo, uma cisão no seio dos líderes provocou a divisão natural nos atuais países libertos, os motivos disso eram as rivalidades internas e regionais, que dificultaram uma união aos moldes dos EUA. Para Bolívar era necessária uma união dos novos países, mesmo que sendo em uma federação, para conter qualquer avanço econômico, que virasse obviamente em uma dependência exterior. O medo de Bolívar se concretizou com a expansão dos EUA rumo ao oeste sobre o México, perdendo esse país quase que metade de seu território para os norte-americanos.

O processo foi de luta armada com forte participação popular, onde as antigas colônias transformaram-se em repúblicas, salvo um caso do México, mas de pouca duração em que o Gal. Iturbide virou Augustin I.

No restante, a antiga forma de divisão em vice-reinos se desintegrou com o surgimento de novos países. No vice-reino do Prata surgiram: Argentina, Uruguai e Paraguai; no vice-reino do Peru, tivemos o surgimento da Bolívia; no vice-reino de Nova Granada, surgiram Colômbia, Equador e posteriormente o Panamá, sendo este último por causa da construção do canal, com total interferência dos EUA.

O mesmo aconteceu com as capitanias gerais, onde a desintegração mais forte foi na Capitania Geral da Guatemala, com o aparecimento da Guatemala, Costa Rica, Nicarágua, El Salvador, Honduras.

Os únicos que permaneceram inteiros foram Cuba, que conseguiu sua independência somente no final do século XIX, e a Venezuela. O Chile permaneceu unido e, mesmo com uma guerra contra o Peru e a Bolívia, ainda conseguiu territórios ao norte, deixando os bolivianos sem sua saída para o mar.

As Unificações Italiana e Alemã

O processo de unificação, tanto o italiano quanto o alemão, tem raízes e características comuns; ambos foram norteados pelo nacionalismo, sentimento que surgiu com a Revolução Francesa, onde o povo passa a se sentir parte da nação, lutando por ela e não mais pelo rei ou governante.

Vários povos europeus estavam separados em nações, mas não tinham um país, o caso italiano e alemão era o mais forte, pois nos dois casos essas nações tiveram um passado grande, a Itália com o Império Romano, colocando-se ainda as cidades comerciais da Europa medieval (que controlavam o comércio durante a Baixa Idade Média) e a Alemanha com o Sacro Império Romano-Germânico.

Outro motivo foi o interesse da burguesia nacional das duas nações, desejosa em criar um mercado próprio e um governo que atendesse aos seus anseios de expansão de mercados, fato quase impossível na situação de desagregação em que se encontrava a Itália e Alemanha, divididas em Estados fracos e pequenos, sob o domínio da Áustria e de dinastias decadentes. Mais um fator em comum seriam as lideranças dos processos por políticos defensores de uma monarquia constitucional, onde o poder político estaria de fato nas mãos de uma burguesia forte com a criação de um Estado Nacional.

Desafios sobre o Iluminismo

Questão 1

As posições simples do Iluminismo eram:

a) o antiabsolutismo e o anticlericalismo.

b) a defesa do fim da burguesia e do campesinato.
c) a instalação de uma forma de comunismo primitivo e de indústrias familiares.
d) a defesa da democracia direta e do voto universal.

e) o controle do mercado pelo Estado e a defesa dos ideais liberais.

Questão 2

Sobre as lutas sociais decorrentes da Revolução Industrial é certo afirmar que:

a) Eram quase sempre vencidas pelos proletários.

b) Havia sempre um apoio das esquerdas e de ideias socialistas.
c) O sistema não era rígido com os grevistas.
d) Os “cartistas” defendiam uma ampla reforma agrária.

e) A vida era boa para a maioria dos operários.

Questão 3

O pensamento iluminista influenciou muito a Revolução Francesa. Em que fase da Revolução Francesa as ideias iluministas foram mais pregadas?

a) Durante a Assembleia Nacional, com os girondinos no poder.

b) Durante todas as fases, quando somente a burguesia dominava, defendendo seus ideais liberalistas.
c) Durante a fase da Convenção, quando foram colocados em prática os ideais de igualdade e liberdade, mesmo que depois podados pelo “Terror”.
d) Durante a fase do Diretório, quando os jacobinos impuseram pela força suas ideias liberais, favorecendo as elites econômicas.

e) Na fase da Revolta dos Notáveis, quando a nobreza esclarecida prejudicou os interesses das classes menos abastadas.

Questão 4

O processo de independência do Brasil foi pacífico, não havendo lutas contra a sua metrópole, porém, já no processo de independência de seus irmãos latino-americanos:

a) Ocorrem lutas contra todas as nações europeias desejosas de controlar os movimentos liberais pelo mundo todo.

b) Foi liderado pela burguesia nacional, ao contrário do caso brasileiro, quando as elites rurais lideraram o processo.
c) Que lutaram contra a sua metrópole, quebrando a unidade colonial, onde boa parte da população participou do processo de independência.
d) Que eram ligados militarmente aos EUA, já que os brasileiros receberam apoio militar da Inglaterra.

e) Os processos foram diferenciados somente no que tange à participação popular, ocorrida no Brasil, ao contrário das outras nações sul-americanas que tiveram na elite real os seus libertadores.

Questão 5

(PUC-SP 95) Relativamente à expansão napoleônica (1805-1815), pode-se afirmar que acarretou mudança no quadro político europeu, tais como:

a) difusão do ideal revolucionário liberal, ampliação temporária do raio de influência francesa e fortalecimento do ideário nacionalista nos países dominados.

b) isolamento diplomático da nação inglesa, radicação definitiva do republicanismo no continente e estabelecimento do equilíbrio geopolítico entre os países atingidos.

c) desestabilização das monarquias absolutistas, estímulo para o desenvolvimento industrial nas colônias espanholas e implantação do belicismo entre as nações.

d) desenvolvimento do cosmopolitismo entre os povos do império francês, incrementação da economia nos países ibéricos e contenção das lutas sociais.

e) difusão do militarismo como forma de controle político, abertura definitiva do mercado mundial para os franceses, estímulo decisivo para as lutas anticolonialistas.

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