Veja dois campeões da Redação Enem com 960 e 1000 pontos

Arianne se garantiu com 960 pontos. Passou para Odontologia na UFMG! Lucas tirou nota 1000, e foi estudar nos Estados Unidos. Veja as dicas dos campeões da Redação

Que não é fácil para ninguém conseguir uma boa nota na Redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), todo mundo já sabe. Afinal, um dez ou a nota de corte que você precisa para conquistar uma vaga no curso e na universidade dos seus sonhos, não cai do céu! Precisa estudar mesmo e exercitar muito! Veja as dicas de dois campeões da Redação do Enem. Eles te ajudam a chegar no topo da pirâmide.

Campeões da Redação Enem

Aprenda agora como foi que fizeram os vitoriosos Arianne Correa  e Lucas Felpi. Ela, aos 22 anos, teve seu sonho realizado: ingressar no curso de Odontologia, da Universidade Federal de Minas Gerais.  Ariane fez 960 pontos na Redação Enem e conta seus segredos para se dar tão bem assim. Confira as dicas e o texto premiado.

Lucas Felpi, com apenas 17 anos no Enem 2018, cravou 1000 pontos na Redação do Enem. Passou na USP e na Unicamp, e ainda conseguiu vaga para duas universidades nos Estados Unidos. Um campeão, com direito a escolher onde estudar. Veja as dicas do Lucas  e a redação nota máxima.

Veja as dicas da Arianne:

“Leia tudo, até uma simples frase de panfleto. Essa frase eu ouvi várias vezes da professora de redação Vera Lopes. E tenham um olhar crítico para o mundo e sempre levem esse olhar para a prova.”

Tentem fazer pelo menos uma redação por semana, o segredo é treinar para chegar à prova preparado. Sempre tenha em mente a sua meta.

Quando eu estava cansada, sem querer estudar eu pensava na minha vitória que seria passar em Odontologia na UFMG, aí eu me animava de novo.”

Ela estudou a vida inteira em escola pública, mora em Santa Luzia, região Metropolitana de Belo Horizonte (MG), conclui o Ensino Médio em 2011 e fez o Enem três vezes. A estudante conta que, na primeira vez não foi muito bem na prova, na segunda foi bem melhor, mas ainda não o suficiente para ingressar na UFMG, que era sua meta.

A vitória na Redação Enem e no resultado geral veio na terceira tentativa, depois de muito estudo e de bastante prática. Arianne se auto avalia com relação à sua nota na redação Enem: “Fiquei realizada com minha nota. Com esses 960 pontos na redação percebi que todo esforço no cursinho e em casa valeu a pena”.

Perguntada sobre como estruturou o seu texto e o que a inspirou para escrever, ela respondeu o seguinte:

“procurei deixar meu texto o mais organizado possível com argumentos verdadeiros e consistentes que estavam dentro do tema e que eram um exemplo na sociedade, tudo isso me preocupando com a norma culta.

O que me incentivou a escrever foi a minha preocupação com as mulheres que ainda sofrem violência no Brasil, então eu já estava preparada”.

Além disso, conta que sempre assistia televisão de uma forma crítica e fazia uma redação sobre os temas que poderiam ser mais polêmicos e, certamente, um assunto para cair na prova. Por fim, Arianne revela: “eu fazia umas quatro redações por semana, em média”.

Muito mais do que sua própria professora havia instruído. E aí, você também está se garantindo, assim como a Arianne? E para quem acha que foi fácil a Arianne garantir todo esse sucesso na redação, fique sabendo das últimas dicas deixadas pela caloura do curso de Odonto da UFMG. Ela relata que o seu hábito de leitura fez toda a diferença na hora de conseguir construir um texto.

A Estrutura do texto nota mil

Aula Gratuita sobre a Introdução Perfeita na Redação do Enem

Veja com a professora Daniela Garcia as dicas básicas para você conquistar os avaliadores logo no primeiro parágrafo, e entrar para o time dos campeões da redação do Enem:

Muito bom este resumo. Agora, veja uma redação que tem uma excelente introdução. E que tirou 960 pontos!

Veja agora a Redação da Arianne

Pode estar aqui a inspiração para você praticar e criar um texto tão bom quanto o dela na sua redação Enem de 2015. Boa sorte e, acima de tudo, bons estudos!

“Não serei livre enquanto não houver mulheres que não o são, ainda que minhas algemas sejam bastante diferentes das delas”, Audré Lorde escreveu essa frase para demonstrar que é a favor da igualdade de gênero e que se preocupa com a violência contra a mulher desde o século XIX, as mulheres conquistaram muitos direitos, entre eles o direito de votar e a entrada no mercado de trabalho.

No entanto, ainda hoje, infelizmente, presenciamos o machismo na sociedade e, com ele, a violência contra a mulher. Com base nisso, a Lei Maria da Penha foi implantada a fim de prevenir a persistência da violência contra a mulher e punir os agressores. Contudo, enfrentamos vários problemas: pouca efetivação dessa lei, falta de denúncias por parte das mulheres agredidas e a influência da mídia expondo na televisão a desigualdade de gênero.

Segundo o Conselho Nacional de Justiça, a implementação da Lei foi significativa, porém não satisfatória, pois não contem a violência como era esperado. Nos últimos anos 5 anos, foram registrados 66.000 processos que envolvem a Lei, ou seja, 13.000 por ano. Esse é um dado alarmante que mostra a persistência dos agressores mesmo depois dessa Lei.

Além disso, de acordo com o Tribunal Regional de Justiça de Belo Horizonte, a cada 6 mulheres agredidas, apenas 2 denunciam, pois sabem que o agressor somente é preso no dia do flagrante e depois espera o processo em liberdade. É importante salientar que muitas crianças presenciam tal violência contra a própria mãe.

Ademais, a cultura da sociedade é muito influenciada por padrões midiático, que sempre ditaram comportamentos do indivíduo. Novelas e filmes, por exemplo, que contêm cenas de agressão contra a mulher e de desigualdade de gênero “invadem” a vida de muitas pessoas, as quais seguem esse exemplo.

Isso mostra o retrocesso de parte da sociedade, pois depois de muitas conquistas feitas pelo Brasil e pelas mulheres, muitas pessoas ainda são influenciadas e deixam seus filhos serem influenciados de forma negativa pela mídia. “Criança que cresce vendo o errado aprende o errado”. (Leonardo Sakamoto, jornalista).

Dado isso, é de suma importância que o governo federal agilize os julgamentos de cada processo e aumente a fiscalização da efetivação da Lei Maria da Penha, com mais policiais nas ruas.

Além disso, atores e jornalistas de segmentos sociais contra a violência, através da mídia, realizem debates de conscientização da sociedade acerca da importância de denunciarem a violência. E as escolas através, através de disciplinas como ética e cidadania, promovam o pensamento crítico dos jovens ensinando o respeito e a igualdade de gênero a fim de erradicar a violência.

Enem não é só redação!

É claro que, além de se dar bem na redação, você também precisa ter uma boa pontuação nas demais disciplinas que caem no Enem. E não é que a Arianne também pode te ajudar com isso?! A estudante diz que fez cursinho para se preparar para as provas:

“Eu fazia resumos de todas as matérias depois das aulas e frequentava as monitorias do cursinho todos os dias para esclarecer dúvidas. Além disso, o que mais me ajudou foi o meu olhar crítico para a sociedade. Procurava sempre ir ao teatro, cinema, para ter conhecimento de mundo e levar isso para a redação.” Foi assim que ela venceu, e entrou para o time dos campeões da redação do Enem . E você?

 

As dicas do Lucas Felpi

A primeira dica do estudante é manter um ritmo constante de produção de texto. Em 2018, Lucas costumava escrever quatro redações por mês, o que significa uma redação por semana.

Esse ritmo pode até ser considerado tranquilo, mas ajuda a otimizar o tempo de escrita e organizar a estrutura argumentativa do texto. A tática de Lucas para construir a argumentação era debater consigo a temática e procurar sempre se posicionar.

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Lucas Felpi / Acervo Pessoal Facebook

Mas como assim? Ao escolher um tema atual, Lucas separava argumentos e discutia o assunto como se a banca avaliadora estivesse lendo o seu ponto de vista: “a ideia era construir uma visão autoral sobre o tema, para desenvolver o texto e uma argumentação consistente”.

A segunda dica, e uma das mais importantes, era escolher quais exemplos iria citar em sua argumentação. Assim, sempre que lia a proposta de redação, Lucas já pensava em séries, filmes e livros que pudessem encaixar na temática.

Foi assim que ele acabou citando a série Black Mirror na redação de 2018. O tema “Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet” pareceu propício, já que a série cita temas da atualidade, como tecnologia e comportamentos pessoais. Lucas também gosta de citar produções distópicas como “1984”, “Admirável Mundo Novo” e “O Conto da Aia”.  A cultura geral ajudou o Lucas a entrar para a galeria dos campeões da redação do Enem.

Repertório cultural ajuda

Muitos alunos ficam com medo quando pensam em referências para utilizar na redação. É difícil conciliar a carga de horário de estudos com uma rotina de leitura de livros e consumo de séries e filmes. Por isso, Lucas traz outra recomendação:

“Não há necessidade de buscar elementos para serem as suas referências, usem suas próprias experiências como referências! Qualquer música, livro, filme, série, qualquer forma de cultura adquirida sua é um repertório e pode ser discutido em uma redação Enem”.

Ainda falando sobre referências, o estudante trouxe a terceira dica: uma pequena lista com alguns filósofos que costuma citar em seus textos: “Eu utilizava os filósofos que mais gosto, e por isso conhecia as teorias, como Aristóteles, Kant, Bauman, Foucault e Escola de Frankfurt“.

quarta dica é básica: leitura. Segundo o estudante, “quanto mais você lê, maior o número de formas de escrita diferentes que você entra em contato e, com isso, consegue descobrir a sua”. Além disso, Lucas lembra que o hábito de ler pode ajudar nas questões de português, humanas e interpretação de texto.

Outro ponto positivo da leitura é a ampliação do vocabulário, importante para evitar a repetição de palavras e mostrar domínio da Língua Portuguesa para os avaliadores da redação do Enem.

Perguntado sobre o que fazia nos momentos em que o desânimo chegava, Lucas trouxe a última dica: “sair com os amigos, ouvir uma música alegre, ou assistir um episódio daquela série hilária que não deu tempo de continuar pelos estudos”.

Quando se sentia cansado, o estudante tinha certeza que os estudos não renderiam e, por isso, respeitava seu tempo de descanso. Os resultados de Lucas mostram que suas estratégias dão certo: no Enem 2017, sua nota na redação ficou em 760 pontos. Já em 2018, conquistou a redação nota 1000. Em falar nela, que tal conferirmos seu texto?

A redação nota 1000 do Lucas Felpi

No livro 1984 de George Orwell, é retratado um futuro distópico em que um Estado totalitário controla e manipula toda forma de registro histórico e contemporâneo, a fim de moldar a opinião pública a favor dos governantes. Nesse sentido, a narrativa foca na trajetória de Winston, um funcionário do contraditório Ministério da Verdade que diariamente analisa e altera notícias e conteúdos midiáticos para favorecer a imagem do Partido e formar a população através de tal ótica.

Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada por Orwell pode ser relacionada ao mundo cibernético do século XXI: gradativamente, os algoritmos e sistemas de inteligência artificial corroboram para a restrição de informações disponíveis e para a influência comportamental do público, preso em uma grande bolha sociocultural.

Em primeiro lugar, é importante destacar que, em função das novas tecnologias, internautas são cada vez mais expostos à uma gama limitada de dados e conteúdos na internet, consequência do desenvolvimento de mecanismos filtradores de informações a partir do uso diário individual.

De acordo com o filósofo Zygmund Bauman, vive-se atualmente um período de liberdade ilusória, já que o mundo globalizado não só possibilitou novas formas de interação com o conhecimento, mas também abriu portas para a manipulação e alienação semelhantes vistas em “1984”. Assim, os usuários são inconscientemente analisados pelos sistemas e lhes é apresentado apenas o mais atrativo para o consumo pessoal.

Por conseguinte, presencia-se um forte poder de influência desses algoritmos no comportamento da coletividade cibernética: ao observar somente o que lhe interessa e o que foi escolhido para ele, o indivíduo tende a continuar consumindo as mesmas coisas e fechar os olhos para a diversidade de opções disponíveis.

Em um episódio da série televisiva Black Mirror, por exemplo, um aplicativo pareava pessoas para relacionamentos com base em estatísticas e restringia as possibilidades para apenas as que a máquina indicava – tornando o usuário passivo na escolha. Paralelamente, esse é o objetivo da indústria cultural para os pensadores da Escola de Frankfurt: produzir conteúdos a partir do padrão de gosto do público, para direcioná-lo, torná-lo homogêneo e, logo, facilmente atingível.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população brasileira a respeito do problema, urge que o Ministério de Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais que detalhem o funcionamento dos algoritmos inteligentes nessas ferramentas e advirtam os internautas do perigo da alienação, sugerindo ao interlocutor criar o hábito de buscar informações de fontes variadas e manter em mente o filtro a que ele é submetido.

Somente assim, será possível combater a passividade de muitos dos que utilizam a internet no país e, ademais, estourar a bolha que, da mesma forma que o Ministério da Verdade construiu em Winston de “1984”, as novas tecnologias estão construindo nos cidadãos do século XXI.

E foi assim, com este texto bem completo, que ele colocou as digitais na galeria da fama dos campeões da redação do Enem. Você também pode. Vem!

Veja uma aula sobre texto argumentativo e busque sua redação nota 1000:

Gostou das dicas do vídeo? É com a professora Tharen Teixeira, do canal do Curso Enem Gratuito. E têm mais aulas lá para você assistir agora.

Martha Ramos

Post sobre os dois campeões da Redação do Enem foi escrito por Martha Ramos. Jornalista formada na Universidade Estácio de Sá em Santa Catarina. Fez Pós-Graduação em Marketing e trabalha com produção de conteúdos para jornais, revistas, empresas e blogs. Face: https://www.facebook.com/martha.ramos.5203