Introdução à Literatura: veja como estudar e aprender para o Enem e o vestibular

Literatura não é nenhum monstro a ser vencido. Veja aqui como estudar a Linguagem Literária, os principais Movimentos, e as Funções da Linguagem. Revisão expressa para o vestibular e o Enem. Confira abaixo.

A literatura está relacionada ao campo da arte, faz parte dela, de modo que pode ser chamada de manifestação artística. A arte, então, é uma forma de expressão do pensamento humano que pode ocorrer nas mais variadas formas e através das mais variadas atividades.

Por isso, talvez, seja tão difícil definir em termos exatos o que é e se torna arte ou não. lit-introducao-ao-estudo-de-literaturaTextos, poemas, contos, romances, crônicas, desenhos, pinturas, esculturas, instalações, danças, performances teatrais, filmes e mais toda uma série de ações humanas que acabam ganhando o status de arte e temos dificuldade em dizer por quê.

Arte e Sociedade – Veja desde a Grécia Antiga

Este porquê, de acordo com alguns estudiosos do tema, está muito relacionado com a função que a arte exerce na sociedade. Para o filósofo grego Aristóteles, esta função era a da catarse: a purificação das almas através de uma descarga emocional provocada por um drama. Falaremos mais sobre a poética de Aristóteles em outro artigo.

Por enquanto basta entender que o filósofo grego estava falando daquele clique que uma obra artística nos causa e que nos desperta a reflexão. Não falo aqui de acharmos uma obra, um livro, por exemplo, bom ou ruim por si só, trata-se de uma reflexão que transcende isto.

A obra artística invade o nosso mundo e é capaz de mudar nossa opinião sobre algo, aprofundar nossos argumentos sobre algo. Ela desperta alguma emoção, leva-nos às lágrimas, causa-nos raiva, faz-nos pensar.

A Literatura no Brasil

Tendo isso em mente, vamos nos voltar para a literatura. Esse bichinho feio que normalmente significa “ler livros velhos que eu não entendo e que não me dizem nada!” Não precisamos ver a coisa assim, Machado de Assis, José de Alencar, Aluísio Azevedo e toda a trupe da nossa literatura brasileira não precisam ser vistos como inimigos a serem derrotados.

Machado de Assis é uma delícia de leitura. Ele introduziu o Realismo no Brasil. Veja um resumo rápido sobre o estilo sarcástico e mordaz de Machado para criticar a realidade brasileira:

Pense nos grande autores da literatura como aliados sábios que só falam coisas enigmáticas porque ainda não sacamos qual é o jogo deles. Há muitos macetes que ajudam a nos aproximarmos desses textos.

Voltando a falar de Aristóteles, o filósofo vai nos apresentar a um conceito que justamente vai nos ajudar nessa aproximação:

“Arte literária é mimese (imitação); é a arte que imita pela palavra.”
– Aristóteles

Isso quer dizer que a arte está aí enquanto imitação da realidade, mesmo quando estamos falando de ficção. Então, a literatura pode ser engajada, pode fazer uso do humor, da paródia, pode fazer uso do sentimento a partir de sua subjetividade, mas, no geral, sabemos que a literatura parte de um contexto no qual o autor está inserido.

Então pode ser de muita ajuda entender um pouco sobre a biografia do autor, sobre a história daquele momento, e a obra deixa de ser tão inacessível.

  • Outro conceito que devemos entender:
  • É saber usar a língua artisticamente, deixando transparecer a beleza, a harmonia e o estilo próprio do autor. É escrever um texto em busca da beleza estética dentro de um contexto.

Então, temos aqui a arte da palavra.

Mas lembremos que não falamos somente de palavra escrita, pois a escrita nem sempre existiu. Isso quer dizer que antes da escrita ser inventada não havia literatura? Sim, havia, pois a palavra não existe apenas através dos códigos escritos, ela pode ser manifestada através da oralidade.

No Brasil, temos literatura desde muito antes da chegada de Cabral e da carta de Pero Vaz de Caminha. Na cultura indígena brasileira a transmissão de suas histórias era feita toda através da contação oral, que tem toda a sua riqueza. Apenas conhecemos tão pouco em função da falta de registros.

Linguagem Denotativa x Linguagem Conotativa

Confira no resumo da professora Camila Zuchetto, do canal Curso Enem Gratuito, as diferenças entre Conotação e Denotação. É tema constante nas questões de Interpretação de Textos Literários nas provas.

Muito show o resumo. Compreendeu? Então, agora avance para a Linguagem da Literatura.

A Linguagem da Literatura

Todo texto pode ser considerado um tipo de literatura, mas a arte literária tem uma linguagem própria.

  • Linguagem Conotativa:múltiplas interpretações, ou seja, cada pessoa irá interpretar uma passagem literária de uma maneira específica, só sua, de acordo com as suas características, com a sua bagagem cultural.
  • Difere da linguagem denotativa, que abrange os textos informativos, como são, por exemplo, uma receita de bolo, o manual de instalação da sua televisão ou um informe publicitário.
  • São textos impessoais que têm somente uma interpretação e servem para transmitir informações.
  • A linguagem conotativa é pessoal, única e exclusiva em que está inserida os sentimentos daquele que está falando conosco.

As Figuras de Linguagem na Literatura

Veja um resumo simples e rápido com a professora Camila Zuchetto, para você entender as Figuras de Linguagem:

Muito bom este resumo. Vamos seguir com os Gêneros Literários agora.

Os Gêneros Literários

Quando falamos de gêneros literários, estamos falando dos tipos de literatura produzidos. Sabemos que nem todos os textos literários são iguais uns aos outros, alguns se diferenciando completamente do outros. Uma poesia é muito diferente de uma peça de teatro, que é diferente de um romance.

Falando outra vez de Aristóteles (um cara muito importante para os estudos de teoria literária), que dedicou-se muito a pensar sobre a arte, quando foi pensar a literatura, dividiu-a em três gêneros:

NARRATIVO LÍRICO DRAMÁTICO

Essa divisão facilita a compreensão e o entendimento da literatura como um todo. Toda produção literária feita pelo ser humano pode ser enquadrada em alguns desses três tipos.

  • Narrativo: mostra o mundo externo, alguém narra ou conta uma história para nós. Pode ser em primeira ou terceira pessoa. O narrador pode ser onisciente e onipresente, ou seja, ele sabe o que está acontecendo e está nos contando essa história.
  • Essa narração ainda pode ser realista, apresentando uma informação que realmente aconteceu ou está acontecendo e dar o parecer, a visão do autor, ou ela ainda pode ser uma ficção. Independente de como é a história, a característica principal é que seja narrada.Tipos do gênero narrativo:

  • – Romance.
    É um texto mais longo, com um número elevado de personagens, enredo e cenário extensos, e de duração de tempo variado.
  • – Conto e Novela. São dois tipos de narrativas menores em comparação com o romance. Tem menos personagens, o espaço-tempo é mais curto e o tempo é variável.
  • – Fábula. Um tipo de narrativa muito interessante em que, normalmente, os personagens são animais, pois ela tem como cunho uma lição de moral. As fábulas geralmente têm como público as crianças. São como histórias de ninar que passam alguma informação.
  • – Crônica. Há muita discussão sobre o gênero da crônica, sobre onde enquadrá-la. Por não ser lírica, nem dramática, com alguma boa vontade, é possível colocá-la junto dos demais textos narrativos, mas mais como uma prima distante. A crônica é um texto curto, normalmente pessoal, uma visão do cotidiano, muitas vezes é até banal, pode ser de tom político ou de tom de humor, pode ter um caráter reflexivo ou não.
  • Lírico: está diretamente ligado à poesia, um tipo de texto de leitura mais complexa, pois mexe muito com a subjetividade, isso quer dizer que o autor tenta externar o seu sentimento, o seu pensamento em relação ao contexto que está vivendo.
  • É exatamente aí que a linguagem conotativa da qual falamos entra em jogo, nós, os leitores de um poema, temos dificuldades para entender porque precisamos nos aproximar deste sentimento do autor.
  • Por isso que poesia é difícil. Além disso, o fazer poético ainda pode ser bastante regrado, isto é, operar segundo regras: rimas, estrofação, entre outras características formais para adequar este sentimento/pensamento dentro de uma determinada forma, que pode ser a de um soneto, pode ser em versos alexandrinos, redondilha maior ou menor.
  • Alguns movimentos literários, como o parnasianismo, terão como característica maior a priorização da forma.
  • Para escrever um soneto, por exemplo, é preciso seguir algumas normas: o poema deve ter 14 versos, distribuídos em 4 estrofes que devem ser 2 quartetos (4 versos) seguidos de 2 tercetos (3 versos); estes versos devem ser decassílabos, ter 10 sílabas; o esquema de rimas ABBA ou ABAB…
  • Encaixar uma declaração de amor, um lamento, uma mensagem política ou qualquer coisa que um autor deseje expressar nessas características tornará o nosso bom e confiável português um pouco traiçoeiro, difícil de entender.Outra característica do gênero lírico que deve ser destacada é a da subjetividade, que leva à existência de um carinha chamado eu-lírico, que vai ser a voz que fala no poema e não precisa ser, necessariamente, a mesma do autor.
  • Dramático: origina-se no drama, na ação, portanto a principal produção do gênero gramático é o teatro e terá como cerne a encenação.Tipos do gênero dramático:
    – Comédia.
    Faz uso do humor. Expõe o ridículo da pequenez do homem.
    – Tragédia. Costuma ter finais surpreendentes, chocantes, cujo objetivo é causar impacto.
    – Autos. Pequenos teatros religiosos de cunho pedagógico, didático, que visavam à conversão religiosa.

Figuras de Linguagem

Existem recursos da língua portuguesa que auxiliam os escritores no seu fazer literário, trata-se das figuras de linguagem. Serão elas que darão à literatura o tom conotativo, será através delas que o escritor dará vazão à sua subjetividade e permitirá variadas possibilidade de interpretação, afastando-se cada vez mais do texto informativo.

  • Metáfora: um tipo de comparação subentendida.
    Ex.: “Meu verso é sangue” – Manuel Bandeira
  • Pleonasmo: redundância. Usamos muito em nosso dia a dia os difamados “subir para cima” ou “descer lá em baixo”. Embora condenemos este tipo de construção, na literatura, a redundância é um excelente recurso para reforçar ideias, para dar ênfase;
    Ex.: “E rir meu riso e derramar meu pranto” – Vinícius de Moraes
  • Antítese: está diretamente relacionada com oposição e trabalha ideias contrárias, em oposição: subir/descer.
    Ex.: “Morreu!!! Tu viverás para sempre nas estradas que abristes” – Olavo Bilac
  • Ironia: trata-se de dizer o contrário daquilo que se pensa, mas deixando a entender aquilo que realmente queremos dizer. Para muitos, a ironia é uma arte a parte e demonstra um grande domínio da língua portuguesa. Embora a ironia geralmente seja utilizada como uma forma de “zombaria elegante”, pode ser utilizada com o objetivo de denunciar, criticar ou censurar algo.
    Ex.: “A excelente Dona Inácia era mestra na arte de judiar crianças” – Monteiro Lobato
  • Hipérbole: está ligada ao exagero (“estou morrendo de fome”), são exageros que não batem com a informação real. Na literatura, ela tem um tom interessante, porque eleva uma situação que nos é apresentada.
    Ex.: “Rios te correrão dos olhos, se chorares!” – Olavo Bilac
  • Eufemismo: utilizado, geralmente, para suavizar algo, para abrandar. É quando vamos dar uma informação para alguém, mas não a damos diretamente visando não chocar ou machucar.
    Ex.: “Eras uma estrela divina que ao firmamento voou” – Álvares de Azevedo
    Neste verso nos é dito que alguém morreu.

Para ajudar a firmar estes conceitos, pegue um livro da literatura brasileira de sua preferência e identifique exemplos de cada fenômeno. Tenha esses conceitos sempre à mão e o monstro da literatura vai se transformar no seu bichinho de estimação.

Não se esqueça também de ler sempre sobre o período histórico de cada obra, aquele do autor e o da própria história quando esta for diferente da época do autor. Não sei vocês, mas eu tenho o hábito de ler sempre com a wikipédia aberta, nem que seja no celular, para ir pesquisando personalidades que aparecem, peculiaridades dos autores, características e acontecimentos dos períodos históricos.

Uma das coisas muito legais de estudar literatura, de ler obras literárias, é o quanto você pode aprender para outras disciplinas, especialmente de história, visto que a maioria dos livros cobrados nos vestibulares e no Enem são clássicos da literatura brasileira que cobrem diferentes períodos históricos. Você ainda pode aprender bastante sobre outras matérias dependendo das áreas que o autor decidiu abordar. Os Sertões, de Euclides da Cunha, é um verdadeiro tratado geográfico, antropológico e histórico do sertão nordestino, sua sociedade e a Guerra de Canudos.

Então, vamos deixar o medo de lado e encarar com mais leveza estes textos de outras épocas. Vamos apreciar o que estes nossos sábios amigos tem a nos ensinar!